Catecismo
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§ 2056–2061

O DECÁLOGO NA SAGRADA ESCRITURA
2056

A palavra «Decálogo» significa literalmente «dez palavras» (: : 10, 4). Estas dez palavras, Deus as revelou ao seu povo na montanha sagrada. Escreveu-as com o «seu Dedo»6, o que não aconteceu com os outros preceitos escritos por Moisés7. São palavras de Deus num sentido eminente e foram-nos transmitidas no Livro do Êxodo8 e no do Deuteronómio9. Desde o Antigo Testamento que os livros santos fazem referência às «dez palavras» mas é na Nova Aliança em Jesus Cristo que será revelado o seu sentido pleno.

Ver também§ 700§ 62

  1. 6Cf. ; .
  2. 7Cf. .
  3. 8Cf. .
  4. 9Cf. .
2057

O Decálogo compreende-se, antes de mais nada, no contexto do Êxodo que é o grande acontecimento libertador de Deus, no centro da Antiga Aliança. Quer sejam formuladas como preceitos negativos ou interdições, quer como mandamentos positivos (por exemplo: «Honra teu pai e tua mãe»), as «dez palavras» indicam as condições duma vida liberta da escravidão do pecado. O Decálogo é um caminho de vida:

«Se amares o teu Deus, andares nos seus caminhos e guardares os seus mandamentos, leis e costumes, viverás e multiplicar-te-ás» ().

Esta força libertadora do Decálogo aparece, por exemplo, no mandamento sobre o repouso do sábado, que abrange igualmente os estrangeiros e os escravos:

«Recorda-te de que foste escravo no país do Egipto, de onde o Senhor teu Deus te fez sair com mão forte e braço poderoso» ().

Ver também§ 2084§ 2170

2058

As «dez palavras» resumem e proclamam a Lei de Deus: «Estas palavras dirigiu-as o Senhor a toda a vossa assembleia sobre a montanha, do meio do fogo, da nuvem e das trevas, com voz forte, sem acrescentar mais nada: escreveu-as em duas tábuas de pedra e entregou-mas» (). Por isso é que estas duas tábuas são chamadas «o testemunho» (). De facto, elas contêm as cláusulas da aliança concluída entre Deus e o seu povo. Estas «tábuas do testemunho» (; 32, 15; 34, 29) devem ser depositadas na «arca» (: 40, 1-2).

Ver também§ 1962

2059

As «dez palavras» são pronunciadas por Deus no decurso duma teofania («sobre a montanha, no meio do fogo, o Senhor vos falou face a face»: ). Fazem parte da revelação que Deus fez de Si mesmo e da sua glória. O dom dos mandamentos é uma dádiva do próprio Deus e da sua santa vontade. Dando a conhecer as suas vontades, Deus revela-Se ao seu povo.

Ver também§ 707§ 2823

2060

O dom dos mandamentos e da Lei faz parte da Aliança selada por Deus com os seus. Segundo o Livro do Êxodo, a revelação das «dez palavras» teve lugar entre a proposta da Aliança11 e a sua conclusão12 depois de o povo se ter comprometido a «fazer» tudo o que o Senhor tinha dito e a «obedecer»13. O Decálogo nunca é transmitido sem primeiro se evocar a Aliança («o Senhor nosso Deus firmou connosco uma Aliança no Horeb»: ).

Ver também§ 62

  1. 11Cf. Ex 19.
  2. 12Cf. Ex 24.
  3. 13Cf. .
2061

É no âmbito da Aliança que os mandamentos recebem o seu pleno significado. Segundo a Escritura, o procedimento moral do homem atinge todo o seu sentido na e pela Aliança. A primeira das "dez palavras" lembra o amor primeiro de Deus pelo seu povo:

«Como, em castigo do pecado, se tinha dado a passagem do paraíso da liberdade para a escravidão deste mundo, por esse motivo, a primeira frase do Decálogo, primeira palavra dos mandamentos de Deus, incide sobre a liberdade: "Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair da terra do Egipto, de uma casa de escravidão" (: )»14.

Ver também§ 2086

  1. 14Orígenes, In Exodum homilia 8, 1; SC 321, 242 (PG 12, 350).
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Catecismo — texto oficial · © Libreria Editrice Vaticana · vatican.va

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Concílios e documentos papais · Santa Sé · vatican.va

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