Catecismo
Bíblia · ed. Ave Maria
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§ 253–258

O DOGMA DA SANTÍSSIMA TRINDADE
253

A Trindade é una. Nós não confessamos três deuses, mas um só Deus em três pessoas: «a Trindade consubstancial»64. As pessoas divinas não dividem entre Si a divindade única: cada uma delas é Deus por inteiro: «O Pai é aquilo mesmo que o Filho, o Filho aquilo mesmo que o Pai, o Pai e o Filho aquilo mesmo que o Espírito Santo, ou seja, um único Deus por natureza»65. «Cada uma das três pessoas é esta realidade, quer dizer, a substância, a essência ou a natureza divina»66.

Ver também§ 2789§ 590

  1. 64II Concílio de Constantinopla (ano 553), Anathematismi de tribus Capitulis. 1: DS 421.
  2. 65XI Concílio de Toledo (ano 675). Symbolum: DS 530.
  3. 66IV Concílio de Latrão (ano 1215), Cap. 2. De errore abbatis Ioachim: DS 804.
254

As pessoas divinas são realmente distintas entre Si. «Deus é um só, mas não solitário»67. «Pai», «Filho», «Espírito Santo» não são meros nomes que designam modalidades do ser divino, porque são realmente distintos entre Si. «Aquele que é o Filho não é o Pai e Aquele que é o Pai não é o Filho, nem o Espírito Santo é Aquele que é o Pai ou o Filho»68. São distintos entre Si pelas suas relações de origem: «O Pai gera, o Filho é gerado, o Espírito Santo procede»69. A unidade divina é trina.

Ver também§ 468§ 689

  1. 67Fides Damasi: DS 71.
  2. 68XI Concílio de Toledo (ano 675). Symbolum: DS 530.
  3. 69IV Concílio de Latrão (ano 1215). Cap. 2, De errore abbatis Ioachim: DS 804.
255

As pessoas divinas são relativas umas às outras. Uma vez que não divide a unidade divina, a distinção real das pessoas entre Si reside unicamente nas relações que as referenciam umas às outras: «Nos nomes relativos das pessoas, o Pai é referido ao Filho, o Filho ao Pai, o Espírito Santo a ambos. Quando falamos destas três pessoas, considerando as relações respectivas, cremos, todavia, numa só natureza ou substância»70. Com efeito, «n'Eles tudo é um, onde não há a oposição da relação»71. «Por causa desta unidade, o Pai está todo no Filho e todo no Espírito Santo: o Filho está todo no Pai e todo no Espírito Santo: o Espírito Santo está todo no Pai e todo no Filho»72.

Ver também§ 240

  1. 70XI Concílio de Toledo (ano 675). Symbolum: DS 528.
  2. 71Concílio de Florença, Decretum pro Iacobitis (ano 1442): DS 1330.
  3. 72Concílio de Florença, Decretum pro Iacobitis (ano 1442): DS 1331.
256

São Gregório de Nazianzo, também chamado «o Teólogo», confia aos catecúmenos de Constantinopla o seguinte resumo da fé trinitária:

«Antes de mais nada, guardai-me este bom depósito, pelo qual vivo e combato, com o qual quero morrer, que me dá coragem para suportar todos os males e desprezar todos os prazeres: refiro-me à profissão de fé no Pai e no Filho e no Espírito Santo. Eu vo-la confio hoje. É por ela que, daqui a instantes, eu vou mergulhar-vos na água e dela fazer-vos sair. Eu vo-la dou por companheira e protectora de toda a vossa vida. Dou-vos uma só Divindade e Potência, uma nos Três e abrangendo os Três de maneira distinta. Divindade sem diferença de substância ou natureza, sem grau superior que eleve nem grau inferior que abaixe [...] É de três infinitos a infinita conaturalidade. Deus integralmente, cada um considerado em Si mesmo [...] Deus, os Três considerados juntamente [...] Assim que comecei a pensar na Unidade logo me encontrei envolvido no esplendor da Trindade. Mal começo a pensar na Trindade, logo à Unidade sou reconduzido»73.

Ver também§ 236§ 684§ 84

  1. 73São Gregório de Nazianzo, Oratio 40. 41: SC 358, 292-294 (PG 36, 417).
IV. As obras divinas e as missões trinitárias
257

«O lux beata Trinitas et principalis Unitas! – Ó Trindade. Luz ditosa, ó primordial Unidade!»74. Deus é eterna bem-aventurança, vida imortal, luz sem ocaso. Deus é amor: Pai, Filho e Espírito Santo. Livremente. Deus quer comunicar a glória da sua vida bem-aventurada. Tal é o «mistério da sua vontade» () que Ele concebeu antes da criação do mundo em seu Filho muito-amado, uma vez que nos «destinou de antemão a que nos tornássemos seus filhos adoptivos por Jesus Cristo» (), quer dizer, a sermos «conformes à imagem do seu Filho» (), graças ao «Espírito que faz de vós filhos adoptivos» (). Este desígnio é uma «graça que nos foi dada [...] desde toda a eternidade»(), a qual procede imediatamente do amor trinitário. E este amor manifesta-se na obra da criação, em toda a história da salvação depois da queda, e nas missões do Filho e do Espírito, continuadas pela missão da Igreja75.

Ver também§ 221§ 758§ 292§ 850

  1. 74Hino das II Vésperas de Domingo, nas semanas 2 e 4: Liturgia Horarum, editio typica, 3 (Typis Poliglottis Vaticanis Poliglottis Vaticanis 1974) p. 632 e 879 [Este hino está traduzido na ed. portuguesa: Liturgia das Horas (Gráfica de Coimbra 1983), v. 3, p. 86 e N. 4, p. 86].
  2. 75I Concílio de Vaticano, Decr. Ad gentes, 2-9: AAS 58 (1966) 948-958.
258

Toda a economia divina é obra comum das três pessoas divinas. Assim como não tem senão uma e a mesma natureza, a Trindade não tem senão uma e a mesma operação76. «O Pai, o Filho e o Espírito Santo não são três princípios das criaturas, mas um só princípio»77. No entanto, cada pessoa divina realiza a obra comum segundo a sua propriedade pessoal. É assim que a Igreja confessa, na sequência do Novo Testamento78, «um só Deus e Pai, de Quem são todas as coisas; um só Senhor Jesus Cristo, para Quem são todas as coisas; e um só Espírito Santo, em Quem são todas as coisas»79. São sobretudo as missões divinas da Encarnação do Filho e do dom do Espírito Santo que manifestam as propriedades das pessoas divinas.

Ver também§ 686

  1. 76II Concílio de Constantinopla (ano 553), Anathematismi de tribus Capitulis, 1: DS 421.
  2. 77Concílio de Florença, Decretum pro Incobitis (ano 1442): DS 1331.
  3. 78Cf. .
  4. 79II Concílio de Constantinopla (ano 553). Anathematismi de tribus Capitulis, 1: DS 421.
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Catecismo — texto oficial · © Libreria Editrice Vaticana · vatican.va

Sagrada Escritura — Bíblia Sagrada, edição Ave Maria

Concílios e documentos papais · Santa Sé · vatican.va

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