Catecismo
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Dia 9 de 9

O combate da oração … As sete petições

Onde o Catecismo cita Santo Agostinho: O combate da oração; «O resumo de todo o Evangelho»; «Pai Nosso, que estais nos Céus»; As sete petições.

2737

«Não tendes, porque não pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, pois o que pedis é para satisfazer as vossas paixões» ()23. Se pedirmos com um coração dividido, «adúltero»24, Deus não pode atender-nos, pois quer o nosso bem, a nossa vida. «Ou pensais que a Escritura diz em vão: "o Espírito que habita em nós ama-nos com ciúme"?» (). O nosso Deus é «ciumento» de nós e isso é sinal da verdade do seu amor. Entremos no desejo do seu Espírito e seremos atendidos:

«Não te aflijas, se não recebes logo de Deus o que Lhe pedes: é que Ele quer beneficiar-te ainda mais pela tua perseverança em permanecer com Ele na oração»25.

Ele quer «que o nosso desejo se exercite na oração dilatando-nos, de modo a termos capacidade para receber o que Ele prepara para nos dar»26.

  1. 23Cf. todo o contexto de ; 4, 1-10; 5, 16.
  2. 24Cf. .
  3. 25Evágrio do Ponto, De Oratione, 34: PG 79, 1173.
  4. 26Santo Agostinho, Epistula 130, 8, 17: CSEL 44, 59 (PL 33, 500).

Continua em § 2762–2762

I. No centro da Sagrada Escritura
2762

Depois de ter mostrado como os Salmos são o alimento principal da oração cristã e convergem para as petições do Pai-nosso, Santo Agostinho conclui:

«Percorrei todas as orações que existem na Sagrada Escritura; não creio que possais encontrar uma só que não esteja incluída e compendiada nesta oração dominical»9.

  1. 9Santo Agostinho, Epistula 130, 12, 22: CSEL 44, 66 (PL 33, 502).

Continua em § 2785–2785

2785

Um coração humilde e confiante que nos faça «voltar ao estado de crianças» (): porque é aos «pequeninos» que o Pai Se revela ():

É um estado «que se forma contemplando a Deus somente, com o ardor da caridade. Nele, a alma funde-se e abisma-se em santa dilecção e trata com Deus como com o seu próprio Pai, muito familiarmente, numa ternura de piedade muito particular»34.

«Pai nosso – que haverá de mais querido para os filhos do que o pai? – Este nome suscita em nós ao mesmo tempo o amor, o afecto na oração, [...] e também a esperança de obter o que vamos pedir [...]. De facto, que pode Ele recusar à súplica dos seus filhos, quando já previamente lhes permitiu que fossem filhos seus?»35.

Ver também§ 2562

  1. 34São João Cassiano, Conlatio, 9, 18, 1: CSEL 13, 265-266 (PL 49, 788).
  2. 35Santo Agostinho, De sermone Domini in monte, 2, 4, 16: CCL 35, 106 (PL 34, 1276).

Continua em § 2794–2794

IV. «Que estais nos céus»
2794

Esta expressão bíblica não significa um lugar («o espaço»), mas um modo de ser; não é o distanciamento de Deus, mas a sua majestade. O nosso Pai não está «algures», está «para além de tudo» o que podemos conceber da sua santidade. E é por ser três vezes santo que Ele está mesmo junto do coração humilde e contrito:

«É com razão que estas palavras: "Pai nosso que estais nos céus" se referem ao coração dos justos, nos quais Deus habita como em seu templo. Por isso, também aquele que ora há-de desejar ver morar em si Aquele a quem invoca»44. «Os "céus" também poderiam muito bem ser aqueles que trazem em si a imagem do mundo celeste e em quem Deus mora e passeia»45.

Ver também§ 326

  1. 44Santo Agostinho, De sermone Domini in monte, 2, 5, 18: CCL 35, 108-109 (PL 34, 1277).
  2. 45São Cirilo de Jerusalém, Catecheses mystagogicae, 5, 11: SC 126, 160 (PG 33, 1117).

Continua em § 2827–2827

2827

«Se alguém honrar a Deus e cumprir a sua vontade, Ele o atende» ()94. Tal é o poder da oração da Igreja feita em nome do seu Senhor, sobretudo na Eucaristia; ela é comunhão de intercessão com a santíssima Mãe de Deus95 e com todos os santos que foram «agradáveis» ao Senhor por não terem querido senão a sua vontade:

«Podemos ainda, sem trair a verdade, traduzir estas palavras: "seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu" por estoutras: na Igreja como em nosso Senhor Jesus Cristo; na esposa que Lhe foi desposada, como no esposo que cumpriu a vontade do Pai»96.

Ver também§ 2611§ 796

  1. 94Cf. .
  2. 95Cf. .
  3. 96Santo Agostinho, De sermone Domini in monte, 2, 6, 24: CCL 35, 113 (PL34, 1279).

Continua em § 2837–2837

2837

«De cada dia». Esta palavra «epioúsios» não é usada em mais lado nenhum no Novo Testamento. Tomada num sentido temporal, é uma repetição pedagógica do «hoje»110 para nos confirmar numa confiança «sem reservas». Tomada no sentido qualitativo, significa o necessário para a vida e, de um modo mais abrangente, todo o bem suficiente para a subsistência111. Tomada à letra (epioúsios, «sobre-substancial»), designa directamente o Pão da Vida, o corpo de Cristo, «remédio de imortalidade»112, sem o qual não temos a vida em nós113. Enfim, ligado ao antecedente, é evidente o sentido celestial: «este dia» é o do Senhor, o do banquete do Reino, antecipado na Eucaristia que é já o antegozo do Reino que vem. É por isso conveniente que a liturgia Eucarística seja celebrada em «cada dia».

«A Eucaristia é o nosso pão de cada dia [...]. A virtude própria deste alimento é a de realizar a unidade a fim de que, reunidos no corpo de Cristo, tornados seus membros, sejamos o que recebemos. [...] E também são pão de cada dia as leituras que em cada dia ouvis na igreja; e os hinos que escutais e cantais, são pão de cada dia. Estes são os mantimentos necessários para a nossa peregrinação»114.

O Pai celeste exorta-nos a pedir, como filhos do céu, o Pão celeste115. Cristo «é Ele mesmo o Pão que, semeado na Virgem, levedado na carne, amassado na paixão, cozido no forno do sepulcro, guardado em reserva na Igreja, levado aos altares, fornece cada dia aos fiéis um alimento celeste»116.

Ver também§ 2659§ 2633§ 1405§ 1166§ 1389

  1. 110Cf. .
  2. 111Cf. .
  3. 112Santo Inácio de Antioquia, Epistula ad Ephesios 20, 2: SC 10bis, 76 (Funk 1, 230).
  4. 113Cf. .
  5. 114Santo Agostinho, Sermão 57, 7, 7: PL 38, 389-390.
  6. 115Cf. .
  7. 116São Pedro Crisólogo, Sermão 67, 7: CCL 24A, 404-405 (PL52, 402).
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Catecismo — texto oficial · © Libreria Editrice Vaticana · vatican.va

Sagrada Escritura — Bíblia Sagrada, edição Ave Maria

Concílios e documentos papais · Santa Sé · vatican.va

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