Catecismo
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«Pai Nosso, que estais nos Céus» · As sete petições

Onde o Catecismo cita Os primeiros séculos: «Pai Nosso, que estais nos Céus»; As sete petições.

II. «Pai!»
2779

Antes de fazermos nosso este primeiro impulso da oração do Senhor, convém purificar humildemente o nosso coração de certas falsas imagens «deste mundo». A humildade faz-nos reconhecer que «ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho Se dignar revelá-Lo», quer dizer «os pequeninos» (). A purificação do coração refere-se às imagens paternas ou maternas provenientes da nossa história pessoal e cultural, que influenciam o nosso relacionamento com Deus. É que Deus, nosso Pai, transcende as categorias do mundo criado. Transpor para Ele ou contra Ele, as nossas ideias neste domínio, seria fabricar ídolos, a adorar ou a derrubar. Orar ao Pai é entrar no seu mistério, tal como Ele é e tal como o Filho no-Lo revelou:

«A expressão Deus Pai nunca tinha sido revelada a ninguém. Quando o próprio Moisés perguntou a Deus quem era, ouviu um nome diferente. A nós, este nome foi revelado no Filho; porque este nome (de Filho) implica o nome de Pai»23.

Ver também§ 239

  1. 23Tertuliano, De oratione, 3, 1: CCL 1, 258-259 (PL 1, 1257).

Continua em § 2782–2782

2782

Nós podemos adorar o Pai porque Ele nos fez renascer para a sua vida adoptando-nos por seus filhos no seu Filho Único: pelo Baptismo, incorpora-nos no corpo do seu Cristo; e pela Unção do seu Espírito, que da Cabeça se derrama pelos membros, faz de nós «cristos»:

«Deus, que nos predestinou para a adopção de filhos, tornou-nos conformes ao corpo glorioso de Cristo. Doravante, pois, participantes de Cristo, sois com todo o direito chamados "cristos"»27.

«O homem novo, que renasceu e foi restituído ao seu Deus pela graça, começa por dizer, "Pai!", porque se tornou filho»28.

Ver também§ 1267

  1. 27São Cirilo de Jerusalém, Catecheses mystagogicae, 3, 1: SC 126, 120 (PG 33, 1088).
  2. 28São Cipriano de Catargo, De dominica oratione, 9: CCL 3A, 94 (PL 4, 541).

Continua em § 2813–2814

2813

Na água do Baptismo, nós fomos «purificados, santificados, justificados pelo nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus» (). Em toda a nossa vida, o nosso Pai chama-nos «à santidade» () e, uma vez que é por Ele que nós estamos em Cristo Jesus, «o qual Se tornou para nós [...] santidade» (), interessa à sua glória e à nossa vida que o seu nome seja santificado em nós e por nós. Tal é a urgência da nossa primeira petição.

«Por quem poderia Deus ser santificado se é Ele próprio quem santifica? Mas porque Ele mesmo disse: "sede santos, porque Eu sou santo" (), nós que fomos santificados no Baptismo, pedimos e rogamos para perseverar no que começámos a ser. E isso nós o pedimos todos os dias. Precisamos de uma santificação quotidiana para que, incorrendo em faltas todos os dias, todos os dias sejamos delas purificados por uma santificação assídua [...] Portanto, oramos para que esta santificação permaneça em nós»71.

Ver também§ 2013

  1. 71São Cipriano de Cartago, De dominica oratione, 12: CCL 3A, 96-97 (PL 4, 544).
2814

Depende inseparavelmente da nossa vida e da nossa oração que o seu nome seja santificado entre as nações:

«Pedimos a Deus que o seu nome seja santificado, porque é pela santidade que Ele salva e santifica toda a criação. [...] Este é o nome que dá a salvação ao mundo perdido. Mas nós pedimos que este nome de Deus seja santificado em nós pela nossa actuação. Porque se nós agirmos bem, o nome de Deus é bendito; mas é blasfemado se agirmos mal. Escuta o que diz o Apóstolo: "O nome de Deus é blasfemado entre as nações, por causa de vós" () 72. Nós, portanto, pedimos para merecermos ter nos nossos costumes tanta santidade, quanto é santo o nome de Deus»73.

«Quando dizemos: "Santificado seja o vosso nome", pedimos que ele seja santificado em nós que estamos n'Ele, mas também nos outros, por quem a graça de Deus ainda está à espera, para nos conformarmos com o preceito que nos obriga a orar por todos, mesmo pelos nossos inimigos. É por isso que nós não dizemos expressamente: santificado seja o vosso nome "em nós", porque pedimos que o seja em todos os homens»74.

Ver também§ 2045

  1. 73São Pedro Crisólogo, Sermão 71, 4: CCL 24A, 425 (PL 52, 402).
  2. 74Tertuliano, De oratione, 3, 4: CCL 1, 259 (PL 1, 1259).

Continua em § 2816–2817

II. «Venha a nós o vosso Reino»
2816

No Novo Testamento, a mesma palavra « basileia» pode traduzir-se por realeza (nome abstracto), reino (nome concreto) ou reinado (nome de acção). O Reino de Deus está diante de nós. Aproximou-se no Verbo encarnado, foi anunciado através de todo o Evangelho, veio na morte e ressurreição de Cristo. O Reino de Deus vem desde a santa ceia e, na Eucaristia, está no meio de nós. O Reino virá na glória, quando Cristo o entregar a seu Pai:

«É mesmo possível [...] que o Reino de Deus signifique o próprio Cristo, a Quem todos os dias desejamos que venha e cuja Vinda queremos que aconteça depressa. Do mesmo modo que Ele é a nossa ressurreição, pois n'Ele ressuscitamos, assim também pode ser Ele próprio o Reino de Deus, porque n'Ele reinaremos»76.

Ver também§ 541§ 2632§ 560§ 1107

  1. 76São Cipriano de Cartago, De dominica oratione, 13: CCL 3A, 97 (PL 4, 545).
2817

Esta petição é o «Marana Tha», o clamor do Espírito e da esposa: «Vem, Senhor Jesus!»:

«Mesmo que esta oração não nos tivesse imposto o dever de pedir a vinda deste Reino, teríamos espontaneamente soltado este grito, com pressa de irmos abraçar o objecto das nossas esperanças. As almas dos mártires, sob o altar de Deus, invocam o Senhor com grandes gritos: "Até quando, Senhor, até quando tardarás em pedir contas do nosso sangue aos habitantes da terra?" (). Eles devem, com efeito, alcançar justiça, no fim dos tempos. Apressa, portanto, Senhor, a vinda do Teu Reino!»77.

Ver também§ 451§ 2632§ 671

  1. 77Tertuliano, De oratione, 5, 2-4: CCL 1, 260 (PL I, 1261-1262).

Continua em § 2830–2830

2830

«O pão nosso». O Pai que nos dá a vida não pode deixar de nos dar o alimento necessário para a vida e todos os bens «convenientes», materiais e espirituais. No sermão da montanha, Jesus insiste nesta confiança filial que coopera com a providência do nosso Pai97. Não nos incita a qualquer espécie de passividade98, mas quer libertar-nos de toda a inquietação ansiosa e de qualquer preocupação. Assim é o abandono filial dos filhos de Deus:

«Àqueles que procuram o Reino e a justiça de Deus, Ele promete dar tudo por acréscimo. Com efeito, tudo pertence a Deus: nada faltará àquele que possui a Deus se ele próprio não faltar a Deus»99.

Ver também§ 2633§ 227

  1. 97Cf. .
  2. 98Cf. .
  3. 99São Cipriano de Cartago, De dominica oratione, 21: CCL 3A, 103 (PL 4, 551).

Continua em § 2845–2845

2845

Não há limite nem medida para este perdão essencialmente divino129. Quando se trata de ofensas (de «pecados», segundo , ou de «dívidas» segundo ), de facto nós somos sempre devedores: «Não devais a ninguém coisa alguma, a não ser o amor de uns para com os outros» (). A comunhão da Santíssima Trindade é a fonte e o critério da verdade de toda a relação130. E é vivida na oração, sobretudo na Eucaristia131:

«Deus não aceita o sacrifício do dissidente e manda-o retirar-se do altar e reconciliar-se primeiro com o irmão: só com orações pacíficas se podem fazer as pazes com Deus. O maior sacrifício para Deus é a nossa paz, a concórdia fraterna e um povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo»132.

Ver também§ 1441

  1. 129Cf. ; .
  2. 130Cf. .
  3. 131Cf. .
  4. 132São Cipriano de Cartago, De dominica oratione, 23: CCL 3A, 105 (PL 4, 535-536).
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Catecismo — texto oficial · © Libreria Editrice Vaticana · vatican.va

Sagrada Escritura — Bíblia Sagrada, edição Ave Maria

Concílios e documentos papais · Santa Sé · vatican.va

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Curso de doutrina católica em 10 sessões — aulas do Pe. Miguel Cabral · Oratório de São Josemaria
Vídeo e áudio pertencem ao Oratório; aqui só se liga a cada aula e se juntam as perguntas do Compêndio e os parágrafos do Catecismo.

Índice analítico e índice litúrgico · catecismo.net
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