Pai «nosso» refere-se a Deus. Pela nossa parte, o adjectivo «nosso» não exprime uma posse, mas sim uma relação totalmente nova com Deus.
Ver também§ 443
Catequese 7 de 17
Audiência geral de 20 de Fevereiro de 2019
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Papa Francisco · vatican.va
Pai «nosso» refere-se a Deus. Pela nossa parte, o adjectivo «nosso» não exprime uma posse, mas sim uma relação totalmente nova com Deus.
Ver também§ 443
Quando dizemos Pai «nosso», reconhecemos, antes de mais nada, que todas as suas promessas de amor, anunciadas pelos profetas, se cumpriram na Nova e eterna Aliança no seu Cristo: nós tornámo-nos o «seu» povo e Ele é doravante o «nosso» Deus. Esta relação nova é uma pertença mútua, dada gratuitamente: é por amor e fidelidade36 que temos de responder «à graça e à verdade» que nos foram dadas em Cristo Jesus37.
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Uma vez que a oração do Senhor é a do seu povo nos «últimos tempos», este «nosso» exprime também a certeza da nossa esperança na última promessa de Deus: na Jerusalém nova, Ele dirá ao vencedor: «Eu serei o seu Deus e ele será o meu Filho» (Ap 21, 7).
Rezando ao «nosso» Pai, é ao Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que nós nos dirigimos pessoalmente. Não dividimos a divindade, pois que o Pai é a sua «fonte e origem», mas confessamos desse modo que o Filho é por Ele gerado eternamente e que d'Ele procede o Espírito Santo. Também não confundimos as Pessoas, pois confessamos que a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo no seu único Espírito Santo. A Santíssima Trindade é consubstancial e indivisível. Quando rezamos ao Pai, adoramo-Lo e glorificamo-Lo com o Filho e o Espírito Santo.
Gramaticalmente, «nosso» qualifica uma realidade comum a vários. Há um só Deus, que é reconhecido como Pai por aqueles que, pela fé no seu Filho Único, renasceram d'Ele pela água e pelo Espírito38. A Igreja é esta nova comunhão de Deus com os homens; unida ao Filho Único, que se tornou o «primogénito de muitos irmãos» (Rm 8, 29), ela está em comunhão com um só e mesmo Pai, num só e mesmo Espírito Santo39. Ao rezar Pai «nosso», cada baptizado reza nesta comunhão: «A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma» (Act 4, 32).
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É por isso que, apesar das divisões dos cristãos, a oração ao «nosso» Pai continua a ser um bem comum e um apelo premente para todos os baptizados. Em comunhão pela fé em Cristo e pelo Baptismo, eles devem participar na oração de Jesus pela unidade dos seus discípulos40.
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Por fim, se rezamos em verdade o «Pai-nosso», saímos do individualismo, pois o Amor que nós acolhemos dele nos liberta. O «nosso» do princípio da oração do Senhor, tal como o «nos» das quatro últimas petições, não é exclusivo de ninguém. Para que seja dito em verdade41, as nossas divisões e oposições têm de ser superadas.
Os baptizados não podem dizer Pai «nosso», sem levar até junto d'Ele todos aqueles por quem Ele deu o seu Filho bem-amado. O amor de Deus é sem fronteiras; a nossa oração deve sê-lo também42. Rezar Pai «nosso» abre-nos às dimensões do seu amor manifestado em Cristo: orar com e por todos os homens que ainda O não conhecem, para que sejam «reunidos na unidade»43. Este cuidado divino por todos os homens e por toda a criação animou todos os grandes orantes; deve também dilatar a nossa oração num amor sem limites, quando ousamos dizer: Pai «nosso».
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Esta expressão bíblica não significa um lugar («o espaço»), mas um modo de ser; não é o distanciamento de Deus, mas a sua majestade. O nosso Pai não está «algures», está «para além de tudo» o que podemos conceber da sua santidade. E é por ser três vezes santo que Ele está mesmo junto do coração humilde e contrito:
«É com razão que estas palavras: "Pai nosso que estais nos céus" se referem ao coração dos justos, nos quais Deus habita como em seu templo. Por isso, também aquele que ora há-de desejar ver morar em si Aquele a quem invoca»44. «Os "céus" também poderiam muito bem ser aqueles que trazem em si a imagem do mundo celeste e em quem Deus mora e passeia»45.
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O símbolo dos céus remete-nos para o mistério da Aliança que nós vivemos, quando rezamos ao Pai. Ele está nos céus: é a sua morada. A casa do Pai é, pois, a nossa «pátria». Foi da terra da Aliança que o pecado nos exilou46, e é para o Pai, para o céu, que a conversão do coração nos faz voltar47. Ora, foi em Cristo que o céu e a terra se reconciliaram48, porque o Filho «desceu do céu», sozinho, e para lá nos faz subir juntamente consigo, pela sua cruz, ressurreição e ascensão49.
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Quando a Igreja reza «Pai nosso que estais nos céus», professa que somos o povo de Deus já sentado nos céus em Cristo Jesus50 escondidos com Cristo em Deus51 e que, ao mesmo tempo, «gememos nesta tenda, ansiando por revestir-nos da nossa habitação celeste» (2 Cor 5, 2)52:
Os cristãos «estão na carne, mas não vivem segundo a carne. Passam a vida na terra, mas são cidadãos do céu»53.
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A confiança simples e fiel, a segurança humilde e alegre são as disposições que convêm a quem reza o Pai-Nosso.
Podemos invocar Deus como «Pai», porque no-Lo revelou o Filho de Deus feito homem, em quem, pelo Baptismo, somos incorporados e adoptados como filhos de Deus.
A oração do Senhor põe-nos em comunhão com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo. E, ao mesmo tempo, revela-nos a nós mesmos54.
Rezar ao nosso Pai deve fazer crescer em nós a vontade de nos parecermos com Ele e criar em nós um coração humilde e confiante.
Ao dizermos Pai «nosso», invocamos a Nova Aliança em Jesus Cristo, a comunhão com a Santíssima Trindade e a caridade divina que, através da Igreja, se estende às dimensões do mundo.
A expressão «que estais nos céus» não designa um lugar, mas sim a majestade de Deus e a sua presença no coração dos justos. O céu, a Casa do Pai, constitui a verdadeira pátria, para onde caminhamos e à qual desde já pertencemos.