Catecismo
Bíblia · ed. Ave Maria
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§ 30, 163, 218–219, 301, 713–714, 736, 772, 796, 1829, 1832, 2015, 2362

30

«Exulte o coração dos que procuram o Senhor» (). Se o homem pode esquecer ou rejeitar Deus, Deus é que nunca deixa de chamar todo o homem a que O procure, para que encontre a vida e a felicidade. Mas esta busca exige do homem todo o esforço da sua inteligência, a rectidão da sua vontade, «um coração recto», e também o testemunho de outros que o ensinam a procurar Deus.

És grande, Senhor, e altamente louvável; grande é o teu poder e a tua sabedoria é sem medida. E o homem, pequena parcela da tua criação, pretende louvar-Te – precisamente ele que, revestido da sua condição mortal, traz em si o testemunho do seu pecado, o testemunho de que Tu resistes aos soberbos. Apesar de tudo, o homem, pequena parcela da tua criação, quer louvar-Te. Tu próprio a isso o incitas, fazendo com que ele encontre as suas delícias no teu louvor, porque nos fizeste para Ti e o nosso coração não descansa enquanto não repousar em Ti7.

Ver também§ 2567§ 845§ 368

  1. 7Santo Agostinho, Confissões, I,1, 1: CCL 27. 1 (PL 32, 659-661).

Continua em § 163–163

A FÉ – VIDA ETERNA INICIADA
163

A fé faz que saboreemos, como que de antemão, a alegria e a luz da visão beatifica, termo da nossa caminhada nesta Terra. Então veremos Deus «face a face» (), «tal como Ele é» (). A fé, portanto, é já o princípio da vida eterna:

«Enquanto, desde já, contemplamos os benefícios da fé, como reflexo num espelho, é como se possuíssemos já as maravilhas que a nossa fé nos garante havermos de gozar um dia»40.

Ver também§ 1088

  1. 40São Basílio Magno, Liber de Spiritu Sancto, 15, 36: SC 17bis. 370 (PG 32, 132); cf. São Tomás de Aquino, Summa Theologiae II-II, q. 4, a. I. c: Ed. Leon. 8. 44.

Continua em § 218–219

DEUS É AMOR
218

No decorrer da sua história, Israel pôde descobrir que Deus só tinha uma razão para Se lhe ter revelado e o ter escolhido, de entre todos os povos, para ser o seu povo: o seu amor gratuito19. E Israel compreendeu, graças aos seus profetas, que foi também por amor que Deus não deixou de o salvar20 e de lhe perdoar a sua infidelidade e os seus pecados21.

Ver também§ 295

  1. 19Cf. ; 7, 8: 10, 15.
  2. 20Cf. .
  3. 21Cf. Os 2.
219

O amor de Deus para com Israel é comparado ao amor dum pai para com o seu filho22. Este amor é mais forte que o de uma mãe para com os seus filhos23. Deus ama o seu povo, mais que um esposo a sua bem-amada24; este amor vencerá mesmo as piores infidelidades25; e chegará ao mais precioso de todos os dons: «Deus amou de tal maneira o mundo, que lhe entregou o seu Filho Único» ().

Ver também§ 239§ 796§ 458

  1. 22Cf. .
  2. 23Cf. .
  3. 24Cf. .
  4. 25Cf. Ez 16; Os 11.

Continua em § 301–301

DEUS SUSTENTA E CONDUZ A CRIAÇÃO
301

Depois da criação, Deus não abandona a criatura a si mesma. Não só lhe dá o ser e o existir, mas a cada instante a mantém no ser, lhe dá o agir e a conduz ao seu termo. Reconhecer esta dependência total do Criador é fonte de sabedoria e de liberdade, de alegria e de confiança:

«Vós amais tudo quanto existe e não tendes aversão a coisa alguma que fizestes: se tivésseis detestado alguma criatura, não a teríeis formado. Como poderia manter-se qualquer coisa, se Vós não quisésseis? Como é que ela poderia durar, se não a tivésseis chamado à existência? Poupais tudo, porque tudo é vosso, ó Senhor, que amais a vida» ().

Ver também§ 1951§ 396

Continua em § 713–714

713

Os traços do Messias são revelados sobretudo nos cânticos do Servo75. Estes cânticos anunciam o sentido da paixão de Jesus, indicando assim a maneira como Ele derramará o Espírito Santo para dar vida à multidão: não a partir do exterior, mas assumindo a nossa «condição de servo» (). Tomando sobre Si a nossa morte, Ele pode comunicar-nos o seu próprio Espírito de vida.

Ver também§ 601

  1. 75Cf. ; : ; e também ; Mr 3, 17: : e, por fim, e 52, 13 - 53, 12.
714

É por isso que Cristo inaugura o anúncio da Boa-Nova, apropriando-Se desse passo de Isaías ()76 :

«O Espírito do Senhor Deus está sobre Mim,

porque o Senhor Me ungiu.

Enviou-Me a anunciar a Boa-Nova aos que sofrem,

para curar os desesperados,

para anunciar a libertação aos exilados

e a liberdade aos prisioneiros,

para proclamar o ano da graça do Senhor».

  1. 76Cf. .

Continua em § 736–736

736

É graças a esta força do Espírito que os filhos de Deus podem dar fruto. Aquele que nos enxertou na verdadeira Vide far-nos-á dar «os frutos do Espírito: caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, auto-domínio» (). «O Espírito é a nossa vida»: quanto mais renunciarmos a nós próprios113, mais «caminharemos segundo o Espírito»114:

«Pela comunhão com Ele, o Espírito Santo torna-nos espirituais, recoloca-nos no paraíso, reconduz-nos ao Reino dos céus e à adopção filial, dá-nos a confiança de chamar Pai a Deus e de participar na graça de Cristo, de ser chamados filhos da luz e de tomar parte na glória eterna»115.

Ver também§ 1832

  1. 113Cf. .
  2. 114Cf. .
  3. 115São Basílio Magno, Liber de Spiritu Sancto 15, 36: SC 17bis. 370 (PG 32, 132).

Continua em § 772–772

A IGREJA – MISTÉRIO DA UNIÃO DOS HOMENS COM DEUS
772

É na Igreja que Cristo realiza e revela o seu próprio mistério, como a meta do desígnio de Deus: «recapitular tudo n'Ele» (). São Paulo chama «grande mistério» () à união esponsal de Cristo e da Igreja. Porque está unida a Cristo como a seu esposo194, a própria Igreja, por seu turno, se torna mistério195. E é contemplando nela este mistério, que S. Paulo exclama: «Cristo em vós — eis a esperança da glória!» ().

Ver também§ 518§ 796

  1. 194Cf. .
  2. 195Cf. .

Continua em § 796–796

A IGREJA É A ESPOSA DE CRISTO
796

A unidade de Cristo e da Igreja, Cabeça e membros do Corpo, implica também a distinção entre ambos, numa relação pessoal. Este aspecto é, muitas vezes, expresso pela imagem do esposo e da esposa. O tema de Cristo Esposo da Igreja foi preparado pelos profetas e anunciado por João Baptista242. O próprio Senhor Se designou como «o Esposo» ()243. E o Apóstolo apresenta a Igreja e cada fiel, membro do seu Corpo, como uma esposa «desposada» com Cristo Senhor, para formar com Ele um só Espírito244. Ela é a Esposa imaculada do Cordeiro imaculado245 que Cristo amou, pela qual Se entregou «para a santificar» (), que associou a Si por uma aliança eterna, e à qual não cessa de prestar cuidados como ao Seu próprio Corpo246.

«Eis o Cristo total, Cabeça e Corpo, um só, formado de muitos [...]. Quer seja a Cabeça que fale, quer sejam os membros, é Cristo que fala: fala desempenhando o papel de Cabeça (ex persona capitis), ou, então, desempenhando o papel do Corpo (ex persona corporis). Conforme ao que está escrito: «Serão os dois uma só carne. É esse um grande mistério; digo-o em relação a Cristo e à Igreja» (). E o próprio Senhor diz no Evangelho: «Já não são dois, mas uma só carne» (). Como vedes, temos, de algum modo, duas pessoas diferentes; no entanto, tornam-se uma só na união esponsal [...] «Diz-se "Esposo" enquanto Cabeça e "esposa" enquanto Corpo»247.

Ver também§ 757§ 219§ 772§ 1602§ 1616

  1. 242Cf. .
  2. 243Cf. ; 25, 1-13.
  3. 244Cf. ; .
  4. 245Cf. Ap 22. 17; : 5, 27.
  5. 246Cf. .
  6. 247Santo Agostinho, Enarratio in Psalmum 74, 4: CCL 39, 1207 (PL 37, 948-949).

Continua em § 1829–1829

1829

Os frutos da caridade são: a alegria, a paz e a misericórdia; exige a prática do bem e a correcção fraterna; é benevolente; suscita a reciprocidade, é desinteressada e liberal: é amizade e comunhão:

«A consumação de todas as nossas obras é o amor. É nele que está o fim: é para a conquista dele que corremos; corremos para lá chegar e, uma vez chegados, é nele que descansamos»83.

Ver também§ 2540

  1. 83Santo Agostinho, In epistulam Iohannis ad Parthos tractus 10, 4: PL 35, 2056-2057.

Continua em § 1832–1832

1832

Os frutos do Espírito são perfeições que o Espírito Santo forma em nós, como primícias da glória eterna. A tradição da Igreja enumera doze: «caridade, alegria, paz, paciência, bondade, longanimidade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência, castidade» ( segundo a Vulgata).

Ver também§ 736

Continua em § 2015–2015

2015

O caminho desta perfeição passa pela cruz. Não há santidade sem renúncia e combate espiritual70. O progresso espiritual implica a ascese e a mortificação, que conduzem gradualmente a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças:

«Aquele que sobe, nunca mais pára de ir de princípio em princípio, por princípios que não têm fim. Aquele que sobe nunca mais deixa de desejar aquilo que já conhece»71.

Ver também§ 407§ 2725§ 1438

  1. 70Cf. 2 Tm 4.
  2. 71São Gregório de Nissa, In Canticum homilia 8: Gregorii Nysseni opera, ed. W. Jaeger - H. Langerbeck, v. 6 (Leiden 1960) p. 247 (PG 44, 941).

Continua em § 2362–2362

2362

«Os actos pelos quais os esposos se unem íntima e castamente são honestos e dignos; realizados de modo autenticamente humano, exprimem e alimentam a mútua entrega pela qual se enriquecem um ao outro com alegria e gratidão»106. A sexualidade é fonte de alegria e de prazer:

«Foi o próprio Criador Quem [...] estabeleceu que, nesta função [da geração], os esposos experimentassem prazer e satisfação do corpo e do espírito. Portanto, os esposos não fazem nada de mal ao procurar este prazer e gozar dele. Aceitam o que o Criador lhes destinou. No entanto, devem saber manter-se dentro dos limites duma justa moderação»107.

  1. 106II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 49: AAS 58 (1966) 1070.
  2. 107Pio XII, Alocução aos participantes no Congresso da União Católica Italiana de Obstetras (29 de Outubro de 1951): AAS 43 (1951) 851.
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Do Evangelho ao Catecismo — vídeos do iVangelho, um projecto da Paróquia de Monte Abraão · CC BY-NC 4.0
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