Catecismo

Parágrafo 5

Céu e a terra

Em pergunta e resposta7 perguntas do Compêndio do Catecismo
  1. 59. O que é que Deus criou?

    A Sagrada Escritura diz: «No princípio Deus criou o céu e a terra» (Gn 1,1). A Igreja, na sua profissão de fé, proclama que Deus é o criador de todas as coisas visíveis e invisíveis: de todos os seres espirituais e materiais, isto é, dos anjos e do mundo visível, e em particular do homem.

    Compêndio, n.º 59
  2. 60. Quem são os anjos?

    Os anjos são criaturas puramente espirituais, incorpóreas, invisíveis e imortais, seres pessoais dotados de inteligência e de vontade. Estes, contemplando incessantemente a Deus face a face, glorificam-no, servem-no e são os seus mensageiros no cumprimento da missão de salvação, em prol de todos os homens.

    Compêndio, n.º 60
  3. 61. Como é que os anjos estão presentes na vida da Igreja?

    A Igreja une-se aos anjos para adorar a Deus, invoca a sua assistência e celebra liturgicamente a memória de alguns. «Cada fiel tem ao seu lado um anjo como protector e pastor, para o conduzir à vida» (S. Basílio Magno).

    Compêndio, n.º 61
  4. 62. Que ensina a Sagrada Escritura sobre a criação do mundo visível?

    Ao narrar os «seis dias» da criação, a Sagrada Escritura dá-nos a conhecer o valor dos seres criados e a sua finalidade de louvor a Deus e serviço ao homem. Todas as coisas devem a sua existência a Deus, de quem recebem a sua bondade e perfeição, as suas leis e o lugar no universo.

    Compêndio, n.º 62
  5. 63. Qual é o lugar do homem na criação?

    O homem é o vértice da criação visível, pois é criado à imagem e semelhança de Deus.

    Compêndio, n.º 63
  6. 64. Que tipo de relação existe entre as coisas criadas?

    Entre as criaturas existe uma interdependência e uma hierarquia queridas por Deus. Ao mesmo tempo, existe uma unidade e solidariedade entre as criaturas, uma vez que todas têm o mesmo Criador, são por Ele amadas e estão ordenadas para a sua glória. Respeitar as leis inscritas na Criação e as relações derivantes da natureza das coisas é portanto um princípio de sabedoria e um fundamento da moral.

    Compêndio, n.º 64
  7. 65. Qual a relação entre a obra da criação e a da redenção?

    A obra da criação culmina na obra ainda maior da redenção. Com efeito, esta dá início à nova criação, na qual tudo reencontrará o seu pleno sentido e o seu acabamento.

    Compêndio, n.º 65
PARÁGRAFO 5
325

O Símbolo dos Apóstolos professa que Deus é «Criador do céu e da terra»162. E o Símbolo Niceno-Constantinopolitano explicita: «... de todas as coisas, visíveis e invisíveis»163.

  1. 162DS 30.
  2. 163DS 150.
326

Na Sagrada Escritura, a expressão «céu e terra» significa: tudo o que existe, a criação inteira. Indica também o laço que, no interior da criação, ao mesmo tempo une e distingue céu e terra: «a terra» é o mundo dos homens164; «o céu» ou «os céus» pode designar o firmamento165, mas também o «lugar» próprio de Deus: «Pai nosso que estais nos céus» (Mt 5, 16)166, e, por conseguinte, também «o céu» que é a glória escatológica. Finalmente, a palavra «céu» indica o «lugar» das criaturas espirituais – os anjos – que rodeiam Deus.

  1. 164Cf. Sl 115, 16.
  2. 165Cf. Sl 19. 2.
  3. 166Cf. Sl 115, 16.
327

A profissão de fé do quarto Concílio de Latrão afirma que Deus, «desde o princípio do tempo, criou do nada ao mesmo tempo uma e outra criatura, a espiritual e a corporal, isto é, os anjos e o mundo terrestre. Depois criou a criatura humana, que participa das duas primeiras, formada, como é, de espírito e corpo»167.

  1. 167IV Concílio de Latrão, Cap. I. De fide catholica: DS 800; Cf. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. I: DS 3002 e Paulo VI, Sollemnis Professio fìdei, 8: .AAS 60 (1968) 436.
I. Os anjos
A EXISTÊNCIA DOS ANJOS UMA VERDADE DE FÉ
328

A existência dos seres espirituais, não-corporais, a que a Sagrada Escritura habitualmente chama anjos, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura é tão claro como a unanimidade da Tradição.

QUEM SÃO OS ANJOS?
329

Santo Agostinho diz a respeito deles: «Angelus [...] officii nomen est, non naturae. Quaeris nomen naturae, spiritus est; quaeris officium, angelus est: ex eo quod est, spiritus est: ex eo quod agit, angelus –Anjo é nome de ofício, não de natureza. Desejas saber o nome da natureza? Espírito. Desejas saber o do ofício? Anjo. Pelo que é, é espírito: pelo que faz, é anjo (anjo = mensageiro)»168. Com todo o seu ser, os anjos são servos e mensageiros de Deus. Pelo facto de contemplarem «continuamente o rosto do meu Pai que está nos céus» (Mt 18, 10), eles são «os poderosos executores das suas ordens, sempre atentos à sua palavra» (Sl 103, 20).

  1. 168Santo Agostinho, Enarratio in Psalmum, 103, 1, 15: CCL 40, 1488 (PL 37, 1348-1349).
330

Enquanto criaturas puramente espirituais, são dotados de inteligência e vontade: são criaturas pessoais169 e imortais170. Excedem em perfeição todas as criaturas visíveis. O esplendor da sua glória assim o atesta171.

  1. 169Cf. Pio XII, Enc. Humani generis: DS 3891.
  2. 170Cf. Lc 20. 36.
  3. 171Cf. Dn 10, 9-12.
CRISTO «COM TODOS OS SEUS ANJOS»
331

Cristo é o centro do mundo dos anjos (angélico). Estes pertencem-Lhe: «Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os [seus] anjos...» (Mt 25, 31). Pertencem-Lhe, porque criados por e para Ele: «em vista d'Ele é que foram criados todos os seres, que há nos céus e na terra, os seres visíveis e os invisíveis, os anjos que são os tronos, senhorias, principados e dominações. Tudo foi criado por seu intermédio e para Ele» (Cl 1, 16), E são d'Ele mais ainda porque Ele os fez mensageiros do seu plano salvador: «Não são eles todos espíritos ao serviço de Deus, enviados a fim de exercerem um ministério a favor daqueles que hão-de herdar a salvação?» (Heb 1, 14).

332

Ei-los, desde a criação172 e ao longo de toda a história da salvação, anunciando de longe ou de perto esta mesma salvação, e postos ao serviço do plano divino da sua realização: eles fecham o paraíso terrestre173; protegem Lot174, salvam Agar e seu filho175, detêm a mão de Abraão176 pelo seu ministério é comunicada a Lei177, são eles que conduzem o povo de Deus178, anunciam nascimentos179 e vocações180 assistem os profetas181 – para não citar senão alguns exemplos. Finalmente, é o anjo Gabriel que anuncia o nascimento do Precursor e o do próprio Jesus182.

  1. 172Cf. Job 38, 7, onde os anjos são chamados «filhos de Deus».
  2. 173Cf. Gn 3, 24.
  3. 174Cf. Gn 19.
  4. 175Cf. Gn 21, 17.
  5. 176Cf. Gn 22, 11.
  6. 177Cf. Act 7. 53.
  7. 178Cf. Ex 23, 20-23.
  8. 179Cf. Jz 13.
  9. 180Cf. Jz 6, 11-24; Is 6. 6.
  10. 181Cf. 1 Rs 19, 5.
  11. 182Cf. Lc 1, 11. 26.
333

Da Encarnação à Ascensão, a vida do Verbo Encarnado é rodeada da adoração e serviço dos anjos. Quando Deus «introduziu no mundo o seu Primogénito, disse: Adorem-n'O todos os anjos de Deus» (Heb 1, 6). O seu cântico de louvor, na altura do nascimento de Cristo, nunca deixou de se ouvir no louvor da Igreja: «Glória a Deus [...]» (Lc 2, 14). Eles protegem a infância de Jesus183, servem-n'O no deserto184 e confortam-n'O na agonia185 no momento em que por eles poderia ter sido salvo das mãos dos inimigos186 como outrora Israel187. São ainda os anjos que «evangelizam»188, anunciando a Boa-Nova da Encarnação189 e da Ressurreição190 de Cristo. E estarão presentes aquando da segunda vinda de Cristo, que anunciam191, ao serviço do seu juízo192.

  1. 183Cf. Mt 1, 20; 2, 13.19.
  2. 184Cf. Mc 1, 13; Mt 4, 11.
  3. 185Cf. Lc 22, 43.
  4. 186Cf. Mt 26, 53.
  5. 187Cf. 2 Mac 10, 29-30; 11, 8.
  6. 188Cf. Lc 2, 10.
  7. 189Cf. Lc 2, 8-14.
  8. 190Cf. Mc 16, 5-7.
  9. 191Cf. Act 1, 10-11.
  10. 192Cf. Mt 13, 41; 24, 31; Lc 12, 8-9.
OS ANJOS NA VIDA DA IGREJA
334

Daqui resulta que toda a vida da Igreja beneficia da ajuda misteriosa e poderosa dos anjos193.

  1. 193Cf. Act 5, 18-20; 8, 26-29; 10, 3-8; 12, 6-11; 27, 23-25.
335

Na sua liturgia, a Igreja associa-se aos anjos para adorar a Deus três vezes santo194; invoca a sua assistência (como na oração "In paradisum deducant te angeli – conduzam-te os anjos ao paraíso" da Liturgia dos Defuntos195, ou ainda no «Hino querubínico» da Liturgia bizantina196, e festeja de modo mais particular a memória de certos anjos (São Miguel, São Gabriel, São Rafael e os Anjos da Guarda).

  1. 194Cf. Oração eucarística. «Santo»: (editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970). p. 392) [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, 452].
  2. 195Ordo exsequiarum, 50, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1969), p. 23 [Ed. portuguesa: Celebração das Exéquias. Braga, Conferência Episcopal Portuguesa – Editorial A.O., 1984, n. 77, p. 71].
  3. 196Liturgia Byzantina sancti Ioannis Chrysostomi, Hymnus cherubinorum: Liturgies Eastern and Western, ed. F. E. Brightman (Oxford 1896) p. 377.
336

Desde o seu começo197 até à morte198, a vida humana é acompanhada pela sua assistência199 e intercessão200. «Cada fiel tem a seu lado um anjo como protector e pastor para o guiar na vida»201. Desde este mundo, a vida cristã participa, pela fé, na sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus.

  1. 197Cf. Mt 18, 10.
  2. 198Cf. Lc 16, 22.
  3. 199Cf. Sl 34, 8; 91, 10-13.
  4. 200Cf. Job 33, 23-24; Zc 1, 12; Tb 12, 12.
  5. 201São Basílio Magno, Adversus Eunomium 3, 1; SC 305, 148 (PG 29, 656B).
II. O mundo visível
337

Foi o próprio Deus que criou o mundo visível, com toda a sua riqueza, a sua diversidade e a sua ordem. A Sagrada Escritura apresenta a obra do Criador, simbolicamente, como uma sequência de seis dias «de trabalho» divino, que terminam no «repouso» do sétimo dia202. O texto sagrado ensina, a respeito da criação, verdades reveladas por Deus para a nossa salvação203, as quais permitem «conhecer a natureza última e o valor de todas as criaturas e a sua ordenação para a glória de Deus»204.

  1. 202Cf. Gn 1, 1-2, 4.
  2. 203Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 11: AAS 58 (1966) 823.
  3. 204II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 36: AAS 57 (1965) 41.
338

Nada existe que não deva a sua existência a Deus Criador: O mundo começou quando foi tirado do nada pela Palavra de Deus: todos os seres existentes, toda a Natureza, toda a história humana radicam neste acontecimento primordial: é a própria génese, pela qual o mundo foi constituído e o tempo começado205.

  1. 205Cf. Santo Agostinho, De genesi contra Manichaeos, 1, 2, 4: PL 36, 175.
339

Cada criatura possui a sua bondade e perfeição próprias. Acerca de cada uma das obras dos «seis dias» está escrito: «E Deus viu que era bom». «Foi em virtude da própria criação que todas as coisas foram estabelecidas segundo a sua consistência, a sua verdade, a sua excelência própria, com o seu ordenamento e leis específicas»206. As diferentes criaturas, queridas pelo seu próprio ser, reflectem, cada qual a seu modo, uma centelha da sabedoria e da bondade infinitas de Deus. É por isso que o homem deve respeitar a bondade própria de cada criatura, para evitar o uso desordenado das coisas, que despreza o Criador e traz consigo consequências nefastas para os homens e para o seu meio ambiente.

  1. 206II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 36: AAS 58 (1966) 1054.
340

A interdependência das criaturas é querida por Deus. O sol e a lua, o cedro e a florzinha, a águia e o pardal: o espectáculo das suas incontáveis diversidades e desigualdades significa que nenhuma criatura se basta a si mesma. Elas só existem na dependência umas das outras, para se completarem mutuamente, no serviço umas das outras.

341

A beleza do Universo: A ordem e a harmonia do mundo criado resultam da diversidade dos seres e das relações existentes entre si. O homem descobre-as progressivamente como leis da natureza. Elas suscitam a admiração dos sábios. A beleza da criação reflecte a beleza infinita do Criador, a qual deve inspirar o respeito e a submissão da inteligência e da vontade humanas.

342

A hierarquia das criaturas é expressa pela ordem dos «seis dias», indo do menos perfeito para o mais perfeito. Deus ama todas as suas criaturas207 e cuida de cada uma, até dos passarinhos. No entanto, Jesus diz: «[Vós] valeis mais do que muitos passarinhos» (Lc 12, 7), e ainda: «Um homem vale muito mais que uma ovelha» (Mt 12, 12).

  1. 207Cf. Sl 145, 9.
343

O homem é o ponto culminante da obra da criação. A narrativa inspirada exprime essa realidade, fazendo nítida distinção entre a criação do homem e a das outras criaturas208.

  1. 208Cf. Gn 1, 26.
344

Existe uma solidariedade entre todas as criaturas pelo facto de todas terem o mesmo Criador e todas serem ordenadas para a sua glória:

«Louvado sejas meu Senhor, com todas as tuas criaturas,

especialmente o meu senhor irmão Sol,

o qual faz o dia e por ele nos alumia

E ele é belo e radiante com grande esplendor:

de Ti. Altíssimo, nos dá ele a imagem [...]

Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água,

que é tão útil e humilde,

e preciosa e casta [...]

Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra,

que nos sustenta e governa,

e produz variados frutos,

com flores coloridas, e verduras [...]

Louvai e bendizei a meu Senhor,

e dai-lhe graças e servi-o

com grande humildade»219.

  1. 219Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 12: AAS 58 (1966) 1034: Ibid. 24: AAS 58 (1966) 1045; Ibid. 39: AAS 58 (1966) 1056-1057.
345

O «Sábado» – fim da obra dos «seis dias». O texto sagrado diz que «Deus concluiu, no sétimo dia, a obra que fizera» e que assim «se completaram o céu e a terra»; e no sétimo dia Deus «descansou» e santificou e abençoou este dia (Gn 2, 1-3). Estas palavras inspiradas são ricas de salutares ensinamentos:

346

Na criação, Deus estabeleceu uma base e leis que permanecem estáveis210 sobre as quais o crente pode apoiar-se com confiança, e que serão para ele sinal e garantia da fidelidade inquebrantável da Aliança divina211. Por seu lado, o homem deve manter-se fiel a esta base e respeitar as leis que o Criador nela inscreveu.

  1. 210Cf. Heb 4, 3-4.
  2. 211Cf. Jr 31. 35-37; 33, 19-26.
347

A criação foi feita em vista do Sábado e, portanto, do culto e da adoração de Deus. O culto está inscrito na ordem da criação212 – «Operi Dei nihil preponatur – Nada se anteponha à obra de Deus (ao culto divino)» – diz a Regra de São Bento213 indicando assim a justa ordem das preocupações humanas.

  1. 212Cf. Gn 1, 14.
  2. 213São Bento, Regula. 43. 3: CSEL 75, 106 (PL 66, 675).
348

O Sábado está no coração da Lei de Israel. Guardar os Mandamentos é corresponder à sabedoria e à vontade de Deus, expressas na sua obra da criação.

349

O oitavo dia. Mas para nós, um dia novo surgiu: o dia da Ressurreição de Cristo. O sétimo dia acaba a primeira criação. O oitavo dia começa a nova criação. A obra da criação culmina, assim, na obra maior da Redenção. A primeira criação encontrou o seu sentido e cume ria nova criação em Cristo, cujo esplendor ultrapassa o da primeira214.

  1. 214Cf. Vigília Pascal, oração depois da primeira leitura: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 276 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, p. 304].
Resumindo:
350

Os anjos são criaturas espirituais que glorificam a Deus sem cessar e servem os seus planos salvíficos em relação às outras criaturas: «Ad omnia bona nostra cooperantur angeli – Os anjos prestam a sua cooperação a tudo quanto diz respeito ao nosso bem»215.

  1. 215São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 1, 114. 3, ad 3: Ed. Leon. 5, 535.
351

Os anjos assistem a Cristo, seu Senhor. Servem-n'O de modo particular no cumprimento da sua missão salvífica em relação aos homens.

352

A Igreja venera os anjos, que a ajudam na sua peregrinação terrestre e protegem todo o género humano.

353

Deus quis a diversidade das suas criaturas e a sua bondade própria, a sua interdependência e a sua ordem. Destinou todas as criaturas materiais para o bem do género humano. O homem, e através dele toda a criação, tem como destino a glória de Deus.

354

Respeitar as leis inscritas na criação e as relações derivantes da natureza das coisas, é princípio de sabedoria e fundamento da moral.

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