Catecismo
Bíblia · ed. Ave Maria
Código de Direito Canónico
Cân.
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Catecismo
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§ 331–344

CRISTO «COM TODOS OS SEUS ANJOS»
331

Cristo é o centro do mundo dos anjos (angélico). Estes pertencem-Lhe: «Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os [seus] anjos...» (). Pertencem-Lhe, porque criados por e para Ele: «em vista d'Ele é que foram criados todos os seres, que há nos céus e na terra, os seres visíveis e os invisíveis, os anjos que são os tronos, senhorias, principados e dominações. Tudo foi criado por seu intermédio e para Ele» (), E são d'Ele mais ainda porque Ele os fez mensageiros do seu plano salvador: «Não são eles todos espíritos ao serviço de Deus, enviados a fim de exercerem um ministério a favor daqueles que hão-de herdar a salvação?» ().

Ver também§ 291

332

Ei-los, desde a criação172 e ao longo de toda a história da salvação, anunciando de longe ou de perto esta mesma salvação, e postos ao serviço do plano divino da sua realização: eles fecham o paraíso terrestre173; protegem Lot174, salvam Agar e seu filho175, detêm a mão de Abraão176 pelo seu ministério é comunicada a Lei177, são eles que conduzem o povo de Deus178, anunciam nascimentos179 e vocações180 assistem os profetas181 – para não citar senão alguns exemplos. Finalmente, é o anjo Gabriel que anuncia o nascimento do Precursor e o do próprio Jesus182.

  1. 172Cf. , onde os anjos são chamados «filhos de Deus».
  2. 173Cf. .
  3. 174Cf. Gn 19.
  4. 175Cf. .
  5. 176Cf. .
  6. 177Cf. Act 7. 53.
  7. 178Cf. .
  8. 179Cf. Jz 13.
  9. 180Cf. ; Is 6. 6.
  10. 181Cf. .
  11. 182Cf. .
333

Da Encarnação à Ascensão, a vida do Verbo Encarnado é rodeada da adoração e serviço dos anjos. Quando Deus «introduziu no mundo o seu Primogénito, disse: Adorem-n'O todos os anjos de Deus» (). O seu cântico de louvor, na altura do nascimento de Cristo, nunca deixou de se ouvir no louvor da Igreja: «Glória a Deus [...]» (). Eles protegem a infância de Jesus183, servem-n'O no deserto184 e confortam-n'O na agonia185 no momento em que por eles poderia ter sido salvo das mãos dos inimigos186 como outrora Israel187. São ainda os anjos que «evangelizam»188, anunciando a Boa-Nova da Encarnação189 e da Ressurreição190 de Cristo. E estarão presentes aquando da segunda vinda de Cristo, que anunciam191, ao serviço do seu juízo192.

Ver também§ 559

  1. 183Cf. ; .
  2. 184Cf. ; .
  3. 185Cf. .
  4. 186Cf. .
  5. 187Cf. ; .
  6. 188Cf. .
  7. 189Cf. .
  8. 190Cf. .
  9. 191Cf. .
  10. 192Cf. ; ; .
OS ANJOS NA VIDA DA IGREJA
334

Daqui resulta que toda a vida da Igreja beneficia da ajuda misteriosa e poderosa dos anjos193.

Ver também§ 1939

  1. 193Cf. ; ; ; ; .
335

Na sua liturgia, a Igreja associa-se aos anjos para adorar a Deus três vezes santo194; invoca a sua assistência (como na oração "In paradisum deducant te angeli – conduzam-te os anjos ao paraíso" da Liturgia dos Defuntos195, ou ainda no «Hino querubínico» da Liturgia bizantina196, e festeja de modo mais particular a memória de certos anjos (São Miguel, São Gabriel, São Rafael e os Anjos da Guarda).

Ver também§ 1138

  1. 194Cf. Oração eucarística. «Santo»: (editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970). p. 392) [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, 452].
  2. 195Ordo exsequiarum, 50, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1969), p. 23 [Ed. portuguesa: Celebração das Exéquias. Braga, Conferência Episcopal Portuguesa – Editorial A.O., 1984, n. 77, p. 71].
  3. 196Liturgia Byzantina sancti Ioannis Chrysostomi, Hymnus cherubinorum: Liturgies Eastern and Western, ed. F. E. Brightman (Oxford 1896) p. 377.
336

Desde o seu começo197 até à morte198, a vida humana é acompanhada pela sua assistência199 e intercessão200. «Cada fiel tem a seu lado um anjo como protector e pastor para o guiar na vida»201. Desde este mundo, a vida cristã participa, pela fé, na sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus.

Ver também§ 1020

  1. 197Cf. .
  2. 198Cf. .
  3. 199Cf. ; .
  4. 200Cf. ; ; .
  5. 201São Basílio Magno, Adversus Eunomium 3, 1; SC 305, 148 (PG 29, 656B).
II. O mundo visível
337

Foi o próprio Deus que criou o mundo visível, com toda a sua riqueza, a sua diversidade e a sua ordem. A Sagrada Escritura apresenta a obra do Criador, simbolicamente, como uma sequência de seis dias «de trabalho» divino, que terminam no «repouso» do sétimo dia202. O texto sagrado ensina, a respeito da criação, verdades reveladas por Deus para a nossa salvação203, as quais permitem «conhecer a natureza última e o valor de todas as criaturas e a sua ordenação para a glória de Deus»204.

Ver também§ 290§ 293

  1. 202Cf. .
  2. 203Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 11: AAS 58 (1966) 823.
  3. 204II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 36: AAS 57 (1965) 41.
338

Nada existe que não deva a sua existência a Deus Criador: O mundo começou quando foi tirado do nada pela Palavra de Deus: todos os seres existentes, toda a Natureza, toda a história humana radicam neste acontecimento primordial: é a própria génese, pela qual o mundo foi constituído e o tempo começado205.

Ver também§ 297

  1. 205Cf. Santo Agostinho, De genesi contra Manichaeos, 1, 2, 4: PL 36, 175.
339

Cada criatura possui a sua bondade e perfeição próprias. Acerca de cada uma das obras dos «seis dias» está escrito: «E Deus viu que era bom». «Foi em virtude da própria criação que todas as coisas foram estabelecidas segundo a sua consistência, a sua verdade, a sua excelência própria, com o seu ordenamento e leis específicas»206. As diferentes criaturas, queridas pelo seu próprio ser, reflectem, cada qual a seu modo, uma centelha da sabedoria e da bondade infinitas de Deus. É por isso que o homem deve respeitar a bondade própria de cada criatura, para evitar o uso desordenado das coisas, que despreza o Criador e traz consigo consequências nefastas para os homens e para o seu meio ambiente.

Ver também§ 2501§ 299§ 266

  1. 206II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 36: AAS 58 (1966) 1054.
340

A interdependência das criaturas é querida por Deus. O sol e a lua, o cedro e a florzinha, a águia e o pardal: o espectáculo das suas incontáveis diversidades e desigualdades significa que nenhuma criatura se basta a si mesma. Elas só existem na dependência umas das outras, para se completarem mutuamente, no serviço umas das outras.

Ver também§ 1937

341

A beleza do Universo: A ordem e a harmonia do mundo criado resultam da diversidade dos seres e das relações existentes entre si. O homem descobre-as progressivamente como leis da natureza. Elas suscitam a admiração dos sábios. A beleza da criação reflecte a beleza infinita do Criador, a qual deve inspirar o respeito e a submissão da inteligência e da vontade humanas.

Ver também§ 283§ 2500

342

A hierarquia das criaturas é expressa pela ordem dos «seis dias», indo do menos perfeito para o mais perfeito. Deus ama todas as suas criaturas207 e cuida de cada uma, até dos passarinhos. No entanto, Jesus diz: «[Vós] valeis mais do que muitos passarinhos» (), e ainda: «Um homem vale muito mais que uma ovelha» ().

Ver também§ 310

  1. 207Cf. .
343

O homem é o ponto culminante da obra da criação. A narrativa inspirada exprime essa realidade, fazendo nítida distinção entre a criação do homem e a das outras criaturas208.

Ver também§ 355

  1. 208Cf. .
344

Existe uma solidariedade entre todas as criaturas pelo facto de todas terem o mesmo Criador e todas serem ordenadas para a sua glória:

«Louvado sejas meu Senhor, com todas as tuas criaturas,

especialmente o meu senhor irmão Sol,

o qual faz o dia e por ele nos alumia

E ele é belo e radiante com grande esplendor:

de Ti. Altíssimo, nos dá ele a imagem [...]

Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água,

que é tão útil e humilde,

e preciosa e casta [...]

Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra,

que nos sustenta e governa,

e produz variados frutos,

com flores coloridas, e verduras [...]

Louvai e bendizei a meu Senhor,

e dai-lhe graças e servi-o

com grande humildade»219.

Ver também§ 293§ 1939§ 2416§ 1218

  1. 219Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 12: AAS 58 (1966) 1034: Ibid. 24: AAS 58 (1966) 1045; Ibid. 39: AAS 58 (1966) 1056-1057.
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