A unidade da alma e do corpo é tão profunda que se deve considerar a alma como a «forma» do corpo232; quer dizer, é graças à alma espiritual que o corpo, constituído de matéria, é um corpo humano e vivo. No homem, o espírito e a matéria não são duas naturezas unidas, mas a sua união forma uma única natureza.
232Cf. Concílio de Viena (ano 1312), Const. «Fidei catholicae»: DS 902.
A Igreja ensina que cada alma espiritual é criada por Deus de modo imediato233 e não produzida pelos pais; e que é imortal234, isto é, não morre quando, na morte, se separa do corpo; e que se unirá de novo ao corpo na ressurreição final.
Encontra-se às vezes uma distinção entre alma e espírito. São Paulo, por exemplo, ora para que «todo o nosso ser, o espírito, a alma e o corpo», seja guardado sem mancha até à vinda do Senhor (). A Igreja ensina que esta distinção não introduz uma dualidade na alma235, «Espírito» significa que o homem é ordenado, desde a sua criação, para o seu fim sobrenatural236, e que a alma é capaz de ser gratuitamente sobreelevada até à comunhão com Deus237.
235IV Concílio de Constantinopla (ano 870), canon 11: DS 657.
236Cf. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, c. 2: DS 3005; II Concílio Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042-1043.
237Cf. Pio XII, Enc. Humani generis (ano 1950): DS 3891.