§ 370–376
Criados juntamente, o homem e a mulher são, na vontade de Deus, um para o outro. A Palavra de Deus no-lo dá a entender em diversos passos do texto sagrado. «Não convém que o homem esteja só: vou fazer-lhe uma ajudante que se pareça com ele» (). Nenhum dos animais pode ser este «par» do homem242. A mulher que Deus «molda» da costela tirada do homem e que apresenta ao homem, provoca da parte deste, uma exclamação admirativa, de amor e comunhão: «E osso dos meus ossos e carne da minha carne» (). O homem descobre a mulher como um outro «eu», da mesma humanidade.
Ver também§ 1605
- 242Cf. .
O homem e a mulher são feitos «um para o outro»: não é que Deus os tenha feito «a meias» e «incompletos»; criou-os para uma comunhão de pessoas, em que cada um pode ser «ajuda» para o outro, uma vez que são, ao mesmo tempo, iguais enquanto pessoas («osso dos meus ossos») e complementares enquanto masculino e feminino243. No matrimónio, Deus une-os de modo que, formando «uma só carne» (), possam transmitir a vida humana: «crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra» (). Transmitindo aos seus descendentes a vida humana, o homem e a mulher, como esposos e pais, cooperam de modo único na obra do Criador244.
Segundo o desígnio de Deus, o homem e a mulher são vocacionados para «dominarem a terra»245 como «administradores» de Deus. Esta soberania não deve ser uma dominação arbitrária e destruidora. A imagem do Criador, «que ama tudo o que existe» (), o homem e a mulher são chamados a participar na Providência divina em relação às outras criaturas. Daí a sua responsabilidade para com o mundo que Deus lhes confiou.
- 245Cf. .
O primeiro homem não só foi criado bom, como também foi constituído num estado de amizade com o seu Criador, e de harmonia consigo mesmo e com a criação que o rodeava; amizade e harmonia tais, que só serão ultrapassadas pela glória da nova criação em Cristo.
Ver também§ 54
A Igreja, interpretando de modo autêntico o simbolismo da linguagem bíblica à luz do Novo Testamento e da Tradição, ensina que os nossos primeiros pais, Adão e Eva, foram constituídos num estado de santidade e de justiça originais246. Esta graça da santidade original era uma participação na vida divina247.
Ver também§ 1997
- 246Cf. Concílio de Trento, Sess. 5.°. Decretum de peccato originali, canon 1: DS1511.
- 247Cf. I Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 2: AAS 57 (1965) 5-6.
Todas as dimensões da vida do homem eram fortalecidas pela irradiação desta graça. Enquanto permanecesse na intimidade divina, o homem não devia nem morrer248, nem sofrer249. A harmonia interior da pessoa humana, a harmonia entre o homem e a mulher250, enfim, a harmonia entre o primeiro casal e toda a criação, constituía o estado dito «de justiça original».