Catecismo
Bíblia · ed. Ave Maria
Código de Direito Canónico
Cân.
Documento

Sessão 17 de 50

Liberdade? Para o bem

Episódio 17 de 50 · cinco minutos em vídeo, com as perguntas do Compêndio que segue e os parágrafos do Catecismo a que remetem.

Abrir no YouTube ›

Pe. Thomaz Fernandez · Paróquia de Queluz · perguntas 73 a 75 do Compêndio

PARÁGRAFO 7
A QUEDA
385

Deus é infinitamente bom e todas as suas obras são boas. No entanto, ninguém escapa à experiência do sofrimento, dos males da natureza – que aparecem como ligados aos limites próprios das criaturas –, e sobretudo à questão do mal moral. Donde vem o mal? «Quaerebam unde malum et non erat exitus – Procurava a origem do mal e não encontrava solução», diz Santo Agostinho258. A sua própria busca dolorosa só encontrará saída na conversão ao Deus vivo. Porque «o mistério da iniquidade» () só se esclarece à luz do «mistério da piedade»259. A revelação do amor divino em Cristo manifestou, ao mesmo tempo, a extensão do mal e a superabundância da graça260. Devemos, portanto, abordar a questão da origem do mal, fixando o olhar da nossa fé n'Aquele que é o seu único vencedor261.

Ver também§ 309§ 457§ 1848§ 539

  1. 258Santo Agostinho, Confissões 7, 7. 11: CCL 27. 99 (PL 32, 739).
  2. 259Cf. .
  3. 260Cf. .
  4. 261Cf. : ; .
I. «Onde abundou o pecado, sobreabundou a graça»
A REALIDADE DO PECADO
386

O pecado está presente na história do homem. Seria vão tentar ignorá-lo ou dar outros nomes a esta obscura realidade. Para tentar compreender o que é o pecado, temos primeiro de reconhecer o laço profundo que une o homem a Deus, porque, fora desta relação, o mal do pecado não é desmascarado na sua verdadeira identidade de recusa e oposição a Deus, embora continue a pesar na vida do homem e na história.

Ver também§ 1847

387

A realidade do pecado e, dum modo particular, a do pecado das origens, só se esclarece à luz da Revelação divina. Sem o conhecimento que esta nos dá de Deus, não se pode reconhecer claramente o pecado, e somos tentados a explicá-lo unicamente como falta de maturidade, fraqueza psicológica, erro, consequência necessária duma estrutura social inadequada, etc. Só no conhecimento do desígnio de Deus sobre o homem é que se compreende que o pecado é um abuso da liberdade que Deus dá às pessoas criadas para que possam amá-Lo e amarem-se mutuamente.

Ver também§ 1848§ 1739

O PECADO ORIGINAL – UMA VERDADE FUNDAMENTAL DA FÉ
388

Com o progresso da Revelação, vai-se esclarecendo também a realidade do pecado. Embora o povo de Deus do Antigo Testamento tenha abordado a dor da condição humana à luz da história da queda narrada no Génesis, não podia atingir o significado último dessa história, o qual só se manifesta à luz da Morte e Ressurreição de Jesus Cristo262. É preciso conhecer Cristo como fonte da graça para reconhecer Adão como fonte do pecado. Foi o Espírito Paráclito, enviado por Cristo ressuscitado, que veio «confundir o mundo em matéria de pecado» (), revelando Aquele que é o seu redentor.

Ver também§ 431§ 208§ 359§ 729

  1. 262Cf. .
389

A doutrina do pecado original é, por assim dizer, «o reverso» da Boa-Nova de que Jesus é o Salvador de todos os homens, de que todos têm necessidade da salvação e de que a salvação é oferecida a todos, graças a Cristo. A Igreja, que tem o sentido de Cristo263, sabe bem que não pode tocar-se na revelação do pecado original sem atentar contra o mistério de Cristo.

Ver também§ 422

  1. 263Cf. I Cor 2, 16.
PARA LER A NARRATIVA DA QUEDA
390

A narrativa da queda (Gn 3) utiliza uma linguagem feita de imagens, mas afirma um acontecimento primordial, um facto que teve lugar no princípio da história do homem264. A Revelação dá-nos uma certeza de fé de que toda a história humana está marcada pela falta original, livremente cometida pelos nossos primeiros pais265.

Ver também§ 289

  1. 264Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 13: AAS 58 (1966) 1034-1035.
  2. 265Cf. Concílio de Trento, Sess. 5.º, Decretum de peccato originali, canon 3: DS1513: Pio XII, Enc. Humani generis: DS 3897: Paulo VI, Alocução aos participantes no «simpósio» teológico sobre o pecado original (11 de Julho de 1966): AAS 58 (1966) 649-655.
II. A queda dos anjos
391

Por detrás da opção de desobediência dos nossos primeiros pais, há uma voz sedutora, oposta a Deus266, a qual, por inveja, os faz cair na morte267. A Escritura e a Tradição da Igreja vêem neste ser um anjo decaído, chamado Satanás ou Diabo268. Segundo o ensinamento da Igreja, ele foi primeiro um anjo bom, criado por Deus. «Diabolus enim et alii daemones a Deo quidem natura creati sunt boni, sed ipsi per se facti sunt mali – De facto, o Diabo e os outros demónios foram por Deus criados naturalmente bons; mas eles, por si, é que se fizeram maus»269.

Ver também§ 2538

  1. 266Cf. .
  2. 267Cf. .
  3. 268Cf. ; .
  4. 269IV Concílio de Latrão (ano 1215), Cap. 1, De fide catholica: DS 800.
392

A Escritura fala dum pecado destes anjos270. A queda consiste na livre opção destes espíritos criados, que radical e irrevogavelmente recusaram Deus e o seu Reino. Encontramos um reflexo desta rebelião nas palavras do tentador aos nossos primeiros pais: «Sereis como Deus» (). O Diabo é «pecador desde o princípio» (), «pai da mentira» ().

Ver também§ 1850§ 2482

  1. 270Cf. .
393

É o carácter irrevogável da sua opção, e não uma falha da infinita misericórdia de Deus, que faz com que o pecado dos anjos não possa ser perdoado. «Não há arrependimento para eles depois da queda, tal como não há arrependimento para os homens depois da morte»271.

Ver também§ 1033–1037§ 1022

  1. 271São João Damasceno, Expositio fidei [De fide orthodoxa 2, 4]: PTS 12, 50 (PG 94, 877).
394

A Escritura atesta a influência nefasta daquele que Jesus chama «o assassino desde o princípio» (), e que chegou ao ponto de tentar desviar Jesus da missão recebida do Pai272. «Foi para destruir as obras do Diabo que apareceu o Filho de Deus» (). Dessas obras, a mais grave em consequências foi a mentirosa sedução que induziu o homem a desobedecer a Deus.

Ver também§ 539–540§ 550§ 2846–2849

  1. 272Cf. .
395

No entanto, o poder de Satanás não é infinito. Satanás é uma simples criatura, poderosa pelo facto de ser puro espírito, mas, de qualquer modo, criatura: impotente para impedir a edificação do Reino de Deus. Embora Satanás exerça no mundo a sua acção, por ódio contra Deus e o seu reinado em Jesus Cristo, e embora a sua acção cause graves prejuízos – de natureza espiritual e indirectamente, também, de natureza física – a cada homem e à sociedade, essa acção é permitida pela divina Providência, que com força e suavidade dirige a história do homem e do mundo. A permissão divina da actividade diabólica é um grande mistério. Mas «nós sabemos que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus» ().

Ver também§ 309§ 1673§ 412§ 2850–2854

III. O pecado original
A PROVA DA LIBERDADE
396

Deus criou o homem «à sua imagem» e constituiu-o na sua amizade. Criatura espiritual, o homem só pode viver esta amizade na modalidade da livre submissão a Deus. É isso o que exprime a proibição feita ao homem de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, «pois no dia em que o comeres, morrerás» (). A «árvore de conhecer o bem e o mal» () evoca simbolicamente o limite intransponível que o homem, como criatura, deve livremente reconhecer e confiadamente respeitar. O homem depende do Criador. Está sujeito às leis da criação e às normas morais que regulam o exercício da liberdade.

Ver também§ 1730§ 311§ 301

O PRIMEIRO PECADO DO HOMEM
397

Tentado pelo Diabo, o homem deixou morrer no coração a confiança no seu Criador273. Abusando da liberdade, desobedeceu ao mandamento de Deus. Nisso consistiu o primeiro pecado do homem274. Daí em diante, todo o pecado será uma desobediência a Deus e uma falta de confiança na sua bondade.

Ver também§ 1707§ 2541§ 1850§ 215

  1. 273Cf .
  2. 274Cf. .
398

Neste pecado, o homem preferiu-se a si próprio a Deus, e por isso desprezou Deus: optou por si próprio contra Deus, contra as exigências da sua condição de criatura e, daí, contra o seu próprio bem. Constituído num estado de santidade, o homem estava destinado a ser plenamente «divinizado» por Deus na glória. Pela sedução do Diabo, quis «ser como Deus»275, mas «sem Deus, em vez de Deus, e não segundo Deus»276.

Ver também§ 2084§ 2113

  1. 275Cf. .
  2. 276São Máximo o Confessor, Ambiguorum liber: PG 91, 1156.
399

A Escritura refere as consequências dramáticas desta primeira desobediência: Adão e Eva perdem imediatamente a graça da santidade original277. Têm medo daquele Deus278 de quem se fizeram uma falsa imagem: a dum Deus ciumento das suas prerrogativas279.

  1. 277Cf. .
  2. 278Cf. .
  3. 279Cf. .
400

A harmonia em que viviam, graças à justiça original, ficou destruída; o domínio das faculdades espirituais da alma sobre o corpo foi quebrado280; a união do homem e da mulher ficou sujeita a tensões281; as suas relações serão marcadas pela avidez e pelo domínio282. A harmonia com a criação desfez-se: a criação visível tornou-se, para o homem, estranha e hostil283. Por causa do homem, a criação ficou sujeita «à servidão da corrupção»284. Enfim, vai concretizar-se a consequência explicitamente anunciada para o caso da desobediência285: o homem «voltará ao pó de que foi formado»286. A morte faz a sua entrada na história da humanidade287.

Ver também§ 1607§ 2514§ 602§ 1008

  1. 280Cf. .
  2. 281Cf. .
  3. 282Cf. .
  4. 283Cf. .
  5. 284Cf. .
  6. 285Cf. .
  7. 286Cf. .
  8. 287Cf. .
401

A partir deste primeiro pecado, uma verdadeira «invasão» de pecado inunda o mundo: o fratricídio cometido por Caim na pessoa de Abel288; a corrupção universal como consequência do pecado289. Na história de Israel, o pecado manifesta-se com frequência, sobretudo como uma infidelidade ao Deus da Aliança e como transgressão da lei de Moisés. Mesmo depois da redenção de Cristo, o pecado manifesta-se de muitas maneiras entre os cristãos290. A Sagrada Escritura e a Tradição da Igreja não se cansam de lembrar a presença e a universalidade do pecado na história do homem.

«O que a Revelação divina nos dá a conhecer, concorda com os dados da experiência. Quando o homem olha para dentro do seu próprio coração, descobre-se inclinado também para o mal, e imerso em muitos males, que não podem provir do seu Criador, que é bom. Muitas vezes, recusando reconhecer Deus como seu princípio, o homem perturbou, por isso mesmo, a sua ordenação para o fim último e, ao mesmo tempo, toda a harmonia consigo próprio, com os outros homens e com toda a criação»291.

Ver também§ 1865§ 2259§ 1739

  1. 288Cf. .
  2. 289Cf. ; .
  3. 290Cf. 1 Cor 1-6; Ap 2-3.
  4. 291I Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 13: AAS 58 (1966) 1035.

Perguntas para si

Três perguntas do Compêndio sobre o que acabou de ler. Tente responder antes de abrir.

Como se compreende a realidade do pecado?

O pecado está presente na história do homem. Tal realidade só se esclarece plenamente à luz da Revelação divina, e sobretudo à luz de Cristo Salvador universal, que fez superabundar a graça onde abundou o pecado.

Compêndio, n.º 73
O que é a queda dos anjos?

Com esta expressão indica-se que Satanás e os outros demónios de que falam a Sagrada Escritura e a Tradição da Igreja, de anjos criados bons por Deus, se transformaram em maus, porque, mediante uma opção livre e irrevogável, recusaram Deus e o seu Reino, dando assim origem ao inferno. Procuram associar o homem à sua rebelião contra Deus; mas Deus afirma em Cristo a Sua vitória segura sobre o Maligno.

Compêndio, n.º 74
Em que consiste o primeiro pecado do homem?

O homem, tentado pelo diabo, deixou apagar no seu coração a confiança em relação ao seu Criador e, desobedecendo-lhe, quis tornar-se «como Deus», sem Deus e não segundo Deus (Gn 3, 5). Assim, Adão e Eva perderam imediatamente, para si e para todos os seus descendentes, a graça da santidade e da justiça originais.

Compêndio, n.º 75
Por exemplo

Pesquisa em todo o texto do Catecismo · escreva várias palavras para refinar.

navegar abriresc fechar
Bíblia · ed. Ave Maria
Código de Direito Canónico
Cân.
Documento
Catecismo
§
Definições

Tema

Tamanho de letra

Marcadores

Contactos

Erros, sugestões ou dúvidas: catecismopt@gmail.com

Fontes e créditos

Catecismo — texto oficial · © Libreria Editrice Vaticana · vatican.va

Sagrada Escritura — Bíblia Sagrada, edição Ave Maria

Concílios e documentos papais · Santa Sé · vatican.va

Remissões marginais («Ver também») — os números que a edição típica do Catecismo põe à margem de cada parágrafo, a apontar para outros parágrafos sobre o mesmo tema. O vatican.va não os publica; vêm da transcrição da paróquia de St. Charles Borromeo (só números, sem texto).

Curso de doutrina católica em 10 sessões — aulas do Pe. Miguel Cabral · Oratório de São Josemaria
Vídeo e áudio pertencem ao Oratório; aqui só se liga a cada aula e se juntam as perguntas do Compêndio e os parágrafos do Catecismo.

Índice analítico e índice litúrgico · catecismo.net
Do catecismo.net vêm só os índices: que parágrafos correspondem a cada termo e a cada dia litúrgico. O texto é sempre o do vatican.va.

Sobre o catecismo.pt · Para grupos · Política de privacidade
Sem contas, sem cookies, sem rastreio. O que guarda fica no seu dispositivo.

Outros projectos

O texto do Catecismo, a Sagrada Escritura e as citações são os oficiais, copiados da fonte e conferidos um a um. Nada é inventado. Em alguns parágrafos há uma ajuda «Em palavras simples»: é uma explicação nossa, sempre assinalada como tal, por baixo do texto oficial.

Não recolhemos nada sobre ti. Não há conta, nem registo, nem cookies, nem estatísticas, nem publicidade. Os marcadores e as notas ficam guardados só neste aparelho. A única ligação externa é o pedido das leituras do dia a um serviço público de liturgia; como qualquer sítio na internet, esse serviço vê o seu endereço IP. Se falhar, o cartão simplesmente não aparece.

Projecto sem fins lucrativos, de uso educacional.