Catecismo
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§ 409–415

409

Esta dramática situação do mundo, que «está todo sob o poder do Maligno» ()302, transforma a vida do homem num combate:

«Um duro combate contra os poderes das trevas atravessa toda a história dos homens. Tendo começado nas origens, há-de durar – o Senhor no-lo disse – até ao último dia. Empenhado nesta batalha, o homem vê-se na necessidade de lutar sem descanso para aderir ao bem. Só através de grandes esforços é que, com a graça de Deus, consegue realizar a sua unidade interior»303.

Ver também§ 2516

  1. 302Cf. .
  2. 303II Concílio do Vaticano. Const. past. Gaudium et spes, 37: AAS 58 (1966) 1055.
IV. «Vós não o abandonastes ao poder da morte»
410

Depois da queda, o homem não foi abandonado por Deus. Pelo contrário, Deus chamou-o304 e anunciou-lhe, de modo misterioso, que venceria o mal e se levantaria da queda305. Esta passagem do Génesis tem sido chamada « Proto-Evangelho» por ser o primeiro anúncio do Messias redentor, do combate entre a Serpente e a Mulher, e da vitória final dum descendente desta.

Ver também§ 55§ 705§ 1609§ 2568§ 675

  1. 304Cf. .
  2. 305Cf. .
411

A Tradição cristã vê nesta passagem um anúncio do «novo Adão»306 que, pela sua «obediência até à morte de cruz» (), repara super‑abundantemente a desobediência de Adão307. Por outro lado, muitos santos Padres e Doutores da Igreja vêem na mulher, anunciada no proto-Evangelho, a Mãe de Cristo, Maria, como «nova Eva». Ela foi a primeira a beneficiar, dum modo único, da vitória sobre o pecado alcançada por Cristo: foi preservada de toda a mancha do pecado original308 e, durante toda a sua vida terrena, por uma graça especial de Deus, não cometeu qualquer espécie de pecado309.

Ver também§ 359§ 615§ 491

  1. 306Cf. .
  2. 307Cf. .
  3. 308Cf. Pio IX. Bulla Ineffabilis Deus: DS 2803.
  4. 309Cf. Concílio de Trento, Sess. 6ª., Decretum de iustificatione, canon 23: DS 1573.
412

Mas porque é que Deus não impediu o primeiro homem de pecar? São Leão Magno responde: «A graça inefável de Cristo deu-nos bens superiores aos que a inveja do demónio nos tinha tirado»310. E São Tomás de Aquino: «Nada se opõe a que a natureza humana tenha sido destinada a um fim mais alto depois do pecado. Efectivamente, Deus permite que os males aconteçam para deles tirar um bem maior. Daí a palavra de São Paulo: "onde abundou o pecado, superabundou a graça" (). Por isso, na bênção do círio pascal canta-se: "Ó feliz culpa, que mereceu tal e tão grande Redentor!"»311.

Ver também§ 310§ 395§ 272§ 1994

  1. 310São Leão Magno, Sermo 73. 4: CCL 88A. 453 (PL 54. 151).
  2. 311São Tomás de Aquino, Summa theologiae. 3, q. 1, a. 3. ad 3: Ed. Leon. 11, 14: as palavras aqui citadas por São Tomás cantam-se no Precónio pascal «Exsultet».
Resumindo:
413

«Não foi Deus quem fez a morte, nem Ele se alegra por os vivos se perderem [...]. A morte entrou no mundo pela inveja do Diabo» (; ).

414

Satanás ou Diabo e os outros demónios são anjos decaídos por terem livremente recusado servir a Deus e ao seu desígnio. A sua opção contra Deus é definitiva. E eles tentam associar o homem à sua revolta contra Deus.

415

«Estabelecido por Deus num estado de santidade, o homem, seduzido pelo Maligno desde o princípio da história, abusou da sua liberdade, levantando-se contra Deus e pretendendo atingir o seu fim fora de Deus»312.

  1. 312II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 13: AAS 58 (1966) 1034-1035.
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