O homem é, por natureza e vocação, um ser religioso. Vindo de Deus e caminhando para Deus, o homem não vive uma vida plenamente humana senão na medida em que livremente viver a sua relação com Deus.
Dia 1 de 28
O homem é «capaz» de Deus · A revelação de Deus e seguintes
Os parágrafos «Resumindo» de: O homem é «capaz» de Deus; A revelação de Deus; A transmissão da revelação divina.
O homem foi feito para viver em comunhão com Deus, em quem encontra a sua felicidade: «Quando eu estiver todo em Ti, não mais haverá tristeza nem angústia; inteiramente repleta de Ti, a minha vida será vida plena»18.
- 18Santo Agostinho, Confissões X, 28, 39: CCL 27, 175 (PL 32. 795).
Quando escuta a mensagem das criaturas e a voz da sua consciência, o homem pode alcançar a certeza da existência de Deus, causa e fim de tudo.
A Igreja ensina que o Deus único e verdadeiro, nosso Criador e Senhor; pode ser conhecido com certeza pelas suas obras, graças à luz natural da razão humana19.
- 19I Concílio Vaticano, Const. dogm. Dei Filius, De revelatione, canon 2: DS 3026.
Nós podemos realmente falar de Deus partindo das múltiplas perfeições das criaturas, semelhanças de Deus infinitamente perfeito, ainda que a nossa linguagem limitada não consiga esgotar o mistério.
«A criatura sem o Criador esvai-se»20. Por isso, os crentes sentem-se pressionados pelo amor de Cristo a levar a luz do Deus vivo aos que O ignoram ou rejeitam.
- 20II Concílio do Vaticano II, Const. past. Gaudium et Spes, 36: AAS 58 (1966) 1054.
Continua em § 68–73
Por amor, Deus revelou-Se e deu-Se ao homem. Dá assim uma resposta definitiva e superabundante às questões que o homem se põe a si próprio sobre o sentido e o fim da sua vida.
Deus revelou-Se ao homem, comunicando-lhe gradualmente o seu próprio mistério, por acções e por palavras.
Além do testemunho que dá de Si mesmo através das coisas criadas, Deus manifestou-Se a Si próprio aos nossos primeiros pais. Falou-lhes e, depois da queda, prometeu-lhes a salvação35 e ofereceu-lhes a sua aliança.
- 35Cf. Gn 3, 15.
Deus concluiu com Noé uma aliança eterna entre Si e todos os seres vivos36. Essa aliança durará enquanto durar o mundo.
- 36Cf. Gn 9, 16.
Deus escolheu Abraão e concluiu uma aliança com ele e os seus descendentes. Fez deles o seu povo, ao qual revelou a sua Lei por meio de Moisés. E preparou-o, pelos profetas, a acolher a salvação destinada a toda a humanidade.
Deus revelou-Se plenamente enviando o seu próprio Filho, no qual estabeleceu a sua aliança para sempre. O Filho é a Palavra definitiva do Pai, de modo que, depois d'Ele, não haverá outra Revelação.
Continua em § 96–100
O que Cristo confiou aos Apóstolos, estes o transmitiram, pela sua pregação e por escrito, sob a inspiração do Espírito Santo, a todas as gerações, até à vinda gloriosa de Cristo.
«A sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um único depósito sagrado da Palavra de Deus»66, no qual, como num espelho, a Igreja peregrina contempla Deus, fonte de todas as suas riquezas.
- 66II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 10: AAS 58 (1966) 822.
«Na sua doutrina, vida e culto, a Igreja perpetua e transmite a todas as gerações tudo aquilo que ela é, tudo aquilo em que acredita»67.
- 67II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966) 821.
Graças ao sentido sobrenatural da fé, o povo de Deus, no seu todo, não cessa de acolher o dom da Revelação divina, de nele penetrar mais profundamente e de viver dele mais plenamente.
O encargo de interpretar autenticamente a Palavra de Deus foi confiado unicamente ao Magistério da Igreja, ao Papa e aos bispos em comunhão com ele.