Se Pedro pôde reconhecer o carácter transcendente da filiação divina de Jesus-Messias, foi porque Este lha deixou perceber nitidamente. Diante do Sinédrio, à pergunta dos seus acusadores: «Então, tu és o Filho de Deus?» Jesus respondeu: «É como dizeis, sou» ()55. Já muito antes, Ele Se designara como «o Filho» que conhece o Pai56, diferente dos «servos» que Deus anteriormente enviara ao seu povo57, superior aos próprios anjos58. Ele distinguiu a sua filiação da dos Seus discípulos, nunca dizendo «Pai nosso»59, a não ser para lhes ordenar: «vós, quando rezardes, dizei assim: Pai nosso» (); e sublinhou esta distinção: «o meu Pai e vosso Pai» ().
Os evangelhos referem, em dois momentos solenes, no baptismo e na transfiguração de Cristo, a voz do Pai, que O designa como seu «filho muito-amado»60. Jesus designa-Se a Si próprio como «o Filho único de Deus» (), afirmando por este título a sua preexistência eterna61. E exige a fé «no nome do Filho único de Deus» (). Esta profissão de fé cristã aparece já na exclamação do centurião diante de Jesus crucificado: «Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus!» (); porque somente no Mistério Pascal o crente pode dar pleno significado ao título de «Filho de Deus».
É depois da ressurreição que a filiação divina de Jesus aparece no poder da sua humanidade glorificada: «Segundo o Espírito santificante, pela sua ressurreição de entre os mortos, Ele foi estabelecido como Filho de Deus em poder» ()62. E os Apóstolos poderão confessar: «Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como a Filho único, cheio de graça e de verdade» ().