Catecismo
Bíblia · ed. Ave Maria
Código de Direito Canónico
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§ 467, 520, 540, 599–609, 1137

467

Os monofisitas afirmavam que a natureza humana tinha deixado de existir, como tal, em Cristo, sendo assumida pela sua pessoa divina de Filho de Deus. Confrontando-se com esta heresia, o quarto Concílio ecuménico, em Calcedónia, no ano de 451, confessou:

«Na sequência dos santos Padres, ensinamos unanimemente que se confesse um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, igualmente perfeito na divindade e perfeito na humanidade, sendo o mesmo verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, composto duma alma racional e dum corpo, consubstancial ao Pai pela sua divindade, consubstancial a nós pela sua humanidade, «semelhante a nós em tudo, menos no pecado»93: gerado do Pai antes de todos os séculos segundo a divindade, e nestes últimos dias, por nós e pela nossa salvação, nascido da Virgem Mãe de Deus segundo a humanidade.

Um só e mesmo Cristo, Senhor, Filho Único, que devemos reconhecer em duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação. A diferença das naturezas não é abolida pela sua união; antes, as propriedades de cada uma são salvaguardadas e reunidas numa só pessoa e numa só hipóstase»94.

  1. 93Cf. .
  2. 94Concílio de Calcedónia, Symbolum: DS 301-302.

Continua em § 520–520

520

Em toda a sua vida, Jesus mostra-Se como nosso modelo203: é «o homem perfeito»204, que nos convida a tornarmo-nos seus discípulos e a segui-Lo; com a sua humilhação, deu-nos um exemplo a imitar205; com a sua oração, convida-nos à oração206; com a sua pobreza, incita--nos a aceitar livremente o despojamento e as perseguições207.

Ver também§ 459§ 359§ 2607

  1. 203Cf. ; .
  2. 204II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 38: AAS 58 (1966) 1055.
  3. 205Cf. .
  4. 206Cf. .
  5. 207Cf. .

Continua em § 540–540

540

A tentação de Jesus manifesta a maneira própria de o Filho de Deus ser Messias, ao contrário da que Lhe propõe Satanás e que os homens266 desejam atribuir-Lhe. Foi por isso que Cristo venceu o Tentador, por nós: «Nós não temos um sumo-sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas; temos um, que possui a experiência de todas as provações, tal como nós, com excepção do pecado» (). Todos os anos, pelos quarenta dias da Grande Quaresma, a Igreja une-se ao mistério de Jesus no deserto.

Ver também§ 2119§ 519§ 2849§ 1438

  1. 266Cf. .

Continua em § 599–609

II. A morte redentora de Cristo no desígnio divino de salvação
«JESUS ENTREGUE, SEGUNDO O DESÍGNIO DETERMINADO DE DEUS»
599

A morte violenta de Jesus não foi fruto do acaso, nem coincidência infeliz de circunstâncias várias. Faz parte do mistério do desígnio de Deus, como Pedro explica aos judeus de Jerusalém, logo no seu primeiro discurso no dia de Pentecostes: «Depois de entregue, segundo o desígnio determinado e a previsão de Deus» (). Esta linguagem bíblica não significa que os que «entregaram Jesus»440 foram simples actores passivos dum drama previamente escrito por Deus.

Ver também§ 517

  1. 440Cf. .
600

A Deus, todos os momentos do tempo estão presentes na sua actualidade. Por isso, Ele estabelece o seu desígnio eterno de «predestinação», incluindo nele a resposta livre de cada homem à sua graça: «Na verdade, Herodes e Pôncio Pilatos uniram-se nesta cidade, com as nações pagãs e os povos de Israel, contra o vosso santo Servo Jesus, a quem ungistes441. Cumpriram assim tudo o que o vosso poder e os vossos desígnios tinham de antemão decidido que se realizasse» (). Deus permitiu os actos resultantes da sua cegueira442, como fim de levar a cabo o seu plano de salvação443.

Ver também§ 312

  1. 441Cf. .
  2. 442Cf. ; : 19, 11.
  3. 443Cf. .
«MORTO PELOS NOSSOS PECADOS, SEGUNDO AS ESCRITURAS»
601

Este plano divino de salvação, pela entrega à morte do «Servo, o Justo»444, tinha sido de antemão anunciado na Escritura como um mistério de redenção universal, quer dizer, de resgate que liberta os homens da escravidão do pecado445 São Paulo professa, numa confissão de fé que diz ter «recebido»446, que «Cristo morreu pelos nossos pecados segundo as Escrituras» ()447. A morte redentora de Jesus deu cumprimento sobretudo à profecia do Servo sofredor448. O próprio Jesus apresentou o sentido da sua vida e da sua morte à luz do Servo sofredor449. Após a sua ressurreição, deu esta interpretação das Escrituras aos discípulos de Emaús450 e depois aos próprios Apóstolos451.

Ver também§ 652§ 713

  1. 444Cf. : .
  2. 445Cf. ; Jo 8. 34-3
  3. 446Cf. .
  4. 447Cf. também ; 7, 52; 13, 29; 26, 22-23.
  5. 448Cf. Is 53. 7-8; .
  6. 449Cf. .
  7. 450Cf. .
  8. 451Cf. .
«POR NÓS, DEUS FÊ-LO PECADO»
602

Consequentemente, Pedro pôde formular assim a fé apostólica no plano divino da salvação: «fostes resgatados da vã maneira de viver herdada dos vossos pais, pelo sangue precioso de Cristo, como de um cordeiro sem defeito nem mancha, predestinado antes da criação do mundo e manifestado nos últimos tempos por nossa causa» (). Os pecados dos homens, que se seguiram ao pecado original, foram castigados com a morte452. Enviando o seu próprio Filho na condição de escravo453, que era a de uma humanidade decaída e votada à morte por causa do pecado454, «a Cristo, que não conhecera o pecado, Deus fê-lo pecado por amor de nós, para que, em Cristo, nos tornássemos justos aos olhos de Deus» ().

Ver também§ 400§ 519

  1. 452Cf. : .
  2. 453Cf. .
  3. 454Cf. .
603

Jesus não conheceu a reprovação como se tivesse pecado pessoalmente455. Mas, no amor redentor que constantemente O unia ao Pai456, assumiu-nos no afastamento do nosso pecado em relação a Deus a ponto de, na cruz, poder dizer em nosso nome: «Meu Deus, meu Deus, por que Me abandonaste?» ()457. Tendo-O feito solidário connosco, pecadores, «Deus não poupou o seu próprio Filho, mas entregou-O para morrer por nós todos» (), para que fôssemos «reconciliados com Ele pela morte do seu Filho» ().

Ver também§ 2572

  1. 455Cf. .
  2. 456Cf. .
  3. 457Cf. .
DEUS TOMA A INICIATIVA DO AMOR REDENTOR UNIVERSAL
604

Entregando o seu Filho pelos nossos pecados, Deus manifesta que o seu plano sobre nós é um desígnio de amor benevolente, independente de qualquer mérito da nossa parte: «Nisto consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus, foi Deus que nos amou a nós e enviou o seu Filho como vítima de propiciação pelos nossos pecados» ()458. «Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores» ().

Ver também§ 211§ 2009§ 1825

  1. 458Cf. .
605

Este amor é sem exclusão. Jesus lembrou-o ao terminar a parábola da ovelha perdida: «Assim, não é da vontade do meu Pai, que está nos céus, que se perca um só destes pequeninos» (). E afirma «dar a Sua vida em resgate pela multidão» (). Esta última expressão não é restritiva: simplesmente contrapõe o conjunto da humanidade à pessoa única do redentor, que Se entrega para a salvar459. No seguimento dos Apóstolos460, a Igreja ensina que Cristo morreu por todos os homens, sem excepção: «Não há, não houve, nem haverá nenhum homem pelo qual Cristo não tenha sofrido»461.

Ver também§ 402§ 634§ 2793

  1. 459Cf. .
  2. 460Cf. : .
  3. 461Concílio de Quiercy (ano 853). De libero arbitrio hominis et de praedestinatione, canon 4: DS 624.
III. Cristo ofereceu-Se a Si mesmo ao Pai pelos nossos pecados
TODA A VIDA DE CRISTO É OBLAÇÃO AO PAI
606

O Filho de Deus, «descido do céu, não para fazer a sua vontade mas a do seu Pai, que O enviou»462, «diz, ao entrar no mundo: [...] Eis-me aqui, [...] ó Deus, para fazer a tua vontade. [...] E em virtude dessa mesma vontade, é que nós fomos santificados, pela oferenda do corpo de Jesus Cristo, feita de uma vez para sempre» (). Desde o primeiro instante da sua Encarnação, o Filho faz seu o plano divino de salvação, no desempenho da sua missão redentora: «O meu alimento é fazer a vontade d'Aquele que Me enviou e realizar a sua obra» (). O sacrifício de Jesus «pelos pecados do mundo inteiro» () é a expressão da sua comunhão amorosa com o Pai: «O Pai ama-Me, porque Eu dou a minha vida» (). «O mundo tem de saber que amo o Pai e procedo como o Pai Me ordenou» ().

Ver também§ 517§ 536

  1. 462Cf. Jo 6. 38.
607

Este desejo de fazer seu o plano do amor de redenção do seu Pai, anima toda a vida de Jesus463. A sua paixão redentora é a razão de ser da Encarnação: «Pai, salva-Me desta hora! Mas por causa disto, é que Eu cheguei a esta hora» (). «O cálice que o Pai Me deu, não havia de bebê-lo?» (). E ainda na cruz, antes de «tudo estar consumado» (), diz: «Tenho sede» ().

Ver também§ 457

  1. 463Cf. ; 22, 15: .
«O CORDEIRO QUE TIRA O PECADO DO MUNDO»
608

Depois de ter aceitado dar-Lhe o baptismo como aos pecadores464, João Baptista viu e mostrou em Jesus o «Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo»465. Manifestou deste modo que Jesus é, ao mesmo tempo, o Servo sofredor, que Se deixa levar ao matadouro sem abrir a boca466, carregando os pecados das multidões467, e o cordeiro pascal, símbolo da redenção de Israel na primeira Páscoa468, Toda a vida de Cristo manifesta a sua missão: «servir e dar a vida como resgate pela multidão»469.

Ver também§ 523§ 517

  1. 464Cf. ; .
  2. 465Cf. .
  3. 466Cf. : .
  4. 467Cf. .
  5. 468Cf. ; ; .
  6. 469Cf. .
JESUS PARTILHA LIVREMENTE O AMOR REDENTOR DO PAI
609

Ao partilhar, no seu coração humano, o amor do Pai para com os homens, Jesus «amou-os até ao fim» (), «pois não há maior amor do que dar a vida por aqueles que se ama» (). Assim, no sofrimento e na morte, a sua humanidade tornou-se instrumento livre e perfeito do seu amor divino, que quer a salvação dos homens470. Com efeito, Ele aceitou livremente a sua paixão e morte por amor do Pai e dos homens a quem o Pai quer salvar: «Ninguém Me tira a vida. Sou Eu que a dou espontaneamente» (). Daí, a liberdade soberana do Filho de Deus, quando Ele próprio vai ao encontro da morte471.

Ver também§ 478§ 515§ 272§ 539

  1. 470Cf. ; 4, 15; 5, 7-9.
  2. 471Cf. ; .

Continua em § 1137–1137

OS CELEBRANTES DA LITURGIA CELESTE
1137

O Apocalipse de São João, lido na liturgia da Igreja, revela-nos, primeiramente, um trono preparado no céu, e Alguém sentado no trono1, «o Senhor Deus» ()2. Depois, o Cordeiro «imolado e de pé» ()3: Cristo crucificado e ressuscitado, o único Sumo-Sacerdote do verdadeiro santuário4, o mesmo «que oferece e é oferecido, que dá e é dado»5. Enfim, «o rio da Vida [...] que corre do trono de Deus e do Cordeiro» (), um dos mais belos símbolos do Espírito Santo6.

Ver também§ 662

  1. 1Cf. .
  2. 2Cf. Ec 1, 26-28.
  3. 3Cf. .
  4. 4Cf. ; 10, 19-21: etc.
  5. 5Liturgia Bizantina. Anáfora de São João Crisóstomo: F. E. Brigtman, Liturgies Eastern and Western (Oxford 1896) p. 378 (PG 63, 913).
  6. 6Cf. ; .
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