Catecismo
Bíblia · ed. Ave Maria
Código de Direito Canónico
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§ 467, 540, 602–618, 1137, 1992, 2606, 2741, 2825

467

Os monofisitas afirmavam que a natureza humana tinha deixado de existir, como tal, em Cristo, sendo assumida pela sua pessoa divina de Filho de Deus. Confrontando-se com esta heresia, o quarto Concílio ecuménico, em Calcedónia, no ano de 451, confessou:

«Na sequência dos santos Padres, ensinamos unanimemente que se confesse um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, igualmente perfeito na divindade e perfeito na humanidade, sendo o mesmo verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, composto duma alma racional e dum corpo, consubstancial ao Pai pela sua divindade, consubstancial a nós pela sua humanidade, «semelhante a nós em tudo, menos no pecado»93: gerado do Pai antes de todos os séculos segundo a divindade, e nestes últimos dias, por nós e pela nossa salvação, nascido da Virgem Mãe de Deus segundo a humanidade.

Um só e mesmo Cristo, Senhor, Filho Único, que devemos reconhecer em duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação. A diferença das naturezas não é abolida pela sua união; antes, as propriedades de cada uma são salvaguardadas e reunidas numa só pessoa e numa só hipóstase»94.

  1. 93Cf. .
  2. 94Concílio de Calcedónia, Symbolum: DS 301-302.

Continua em § 540–540

540

A tentação de Jesus manifesta a maneira própria de o Filho de Deus ser Messias, ao contrário da que Lhe propõe Satanás e que os homens266 desejam atribuir-Lhe. Foi por isso que Cristo venceu o Tentador, por nós: «Nós não temos um sumo-sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas; temos um, que possui a experiência de todas as provações, tal como nós, com excepção do pecado» (). Todos os anos, pelos quarenta dias da Grande Quaresma, a Igreja une-se ao mistério de Jesus no deserto.

Ver também§ 2119§ 519§ 2849§ 1438

  1. 266Cf. .

Continua em § 602–618

«POR NÓS, DEUS FÊ-LO PECADO»
602

Consequentemente, Pedro pôde formular assim a fé apostólica no plano divino da salvação: «fostes resgatados da vã maneira de viver herdada dos vossos pais, pelo sangue precioso de Cristo, como de um cordeiro sem defeito nem mancha, predestinado antes da criação do mundo e manifestado nos últimos tempos por nossa causa» (). Os pecados dos homens, que se seguiram ao pecado original, foram castigados com a morte452. Enviando o seu próprio Filho na condição de escravo453, que era a de uma humanidade decaída e votada à morte por causa do pecado454, «a Cristo, que não conhecera o pecado, Deus fê-lo pecado por amor de nós, para que, em Cristo, nos tornássemos justos aos olhos de Deus» ().

Ver também§ 400§ 519

  1. 452Cf. : .
  2. 453Cf. .
  3. 454Cf. .
603

Jesus não conheceu a reprovação como se tivesse pecado pessoalmente455. Mas, no amor redentor que constantemente O unia ao Pai456, assumiu-nos no afastamento do nosso pecado em relação a Deus a ponto de, na cruz, poder dizer em nosso nome: «Meu Deus, meu Deus, por que Me abandonaste?» ()457. Tendo-O feito solidário connosco, pecadores, «Deus não poupou o seu próprio Filho, mas entregou-O para morrer por nós todos» (), para que fôssemos «reconciliados com Ele pela morte do seu Filho» ().

Ver também§ 2572

  1. 455Cf. .
  2. 456Cf. .
  3. 457Cf. .
DEUS TOMA A INICIATIVA DO AMOR REDENTOR UNIVERSAL
604

Entregando o seu Filho pelos nossos pecados, Deus manifesta que o seu plano sobre nós é um desígnio de amor benevolente, independente de qualquer mérito da nossa parte: «Nisto consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus, foi Deus que nos amou a nós e enviou o seu Filho como vítima de propiciação pelos nossos pecados» ()458. «Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores» ().

Ver também§ 211§ 2009§ 1825

  1. 458Cf. .
605

Este amor é sem exclusão. Jesus lembrou-o ao terminar a parábola da ovelha perdida: «Assim, não é da vontade do meu Pai, que está nos céus, que se perca um só destes pequeninos» (). E afirma «dar a Sua vida em resgate pela multidão» (). Esta última expressão não é restritiva: simplesmente contrapõe o conjunto da humanidade à pessoa única do redentor, que Se entrega para a salvar459. No seguimento dos Apóstolos460, a Igreja ensina que Cristo morreu por todos os homens, sem excepção: «Não há, não houve, nem haverá nenhum homem pelo qual Cristo não tenha sofrido»461.

Ver também§ 402§ 634§ 2793

  1. 459Cf. .
  2. 460Cf. : .
  3. 461Concílio de Quiercy (ano 853). De libero arbitrio hominis et de praedestinatione, canon 4: DS 624.
III. Cristo ofereceu-Se a Si mesmo ao Pai pelos nossos pecados
TODA A VIDA DE CRISTO É OBLAÇÃO AO PAI
606

O Filho de Deus, «descido do céu, não para fazer a sua vontade mas a do seu Pai, que O enviou»462, «diz, ao entrar no mundo: [...] Eis-me aqui, [...] ó Deus, para fazer a tua vontade. [...] E em virtude dessa mesma vontade, é que nós fomos santificados, pela oferenda do corpo de Jesus Cristo, feita de uma vez para sempre» (). Desde o primeiro instante da sua Encarnação, o Filho faz seu o plano divino de salvação, no desempenho da sua missão redentora: «O meu alimento é fazer a vontade d'Aquele que Me enviou e realizar a sua obra» (). O sacrifício de Jesus «pelos pecados do mundo inteiro» () é a expressão da sua comunhão amorosa com o Pai: «O Pai ama-Me, porque Eu dou a minha vida» (). «O mundo tem de saber que amo o Pai e procedo como o Pai Me ordenou» ().

Ver também§ 517§ 536

  1. 462Cf. Jo 6. 38.
607

Este desejo de fazer seu o plano do amor de redenção do seu Pai, anima toda a vida de Jesus463. A sua paixão redentora é a razão de ser da Encarnação: «Pai, salva-Me desta hora! Mas por causa disto, é que Eu cheguei a esta hora» (). «O cálice que o Pai Me deu, não havia de bebê-lo?» (). E ainda na cruz, antes de «tudo estar consumado» (), diz: «Tenho sede» ().

Ver também§ 457

  1. 463Cf. ; 22, 15: .
«O CORDEIRO QUE TIRA O PECADO DO MUNDO»
608

Depois de ter aceitado dar-Lhe o baptismo como aos pecadores464, João Baptista viu e mostrou em Jesus o «Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo»465. Manifestou deste modo que Jesus é, ao mesmo tempo, o Servo sofredor, que Se deixa levar ao matadouro sem abrir a boca466, carregando os pecados das multidões467, e o cordeiro pascal, símbolo da redenção de Israel na primeira Páscoa468, Toda a vida de Cristo manifesta a sua missão: «servir e dar a vida como resgate pela multidão»469.

Ver também§ 523§ 517

  1. 464Cf. ; .
  2. 465Cf. .
  3. 466Cf. : .
  4. 467Cf. .
  5. 468Cf. ; ; .
  6. 469Cf. .
JESUS PARTILHA LIVREMENTE O AMOR REDENTOR DO PAI
609

Ao partilhar, no seu coração humano, o amor do Pai para com os homens, Jesus «amou-os até ao fim» (), «pois não há maior amor do que dar a vida por aqueles que se ama» (). Assim, no sofrimento e na morte, a sua humanidade tornou-se instrumento livre e perfeito do seu amor divino, que quer a salvação dos homens470. Com efeito, Ele aceitou livremente a sua paixão e morte por amor do Pai e dos homens a quem o Pai quer salvar: «Ninguém Me tira a vida. Sou Eu que a dou espontaneamente» (). Daí, a liberdade soberana do Filho de Deus, quando Ele próprio vai ao encontro da morte471.

Ver também§ 478§ 515§ 272§ 539

  1. 470Cf. ; 4, 15; 5, 7-9.
  2. 471Cf. ; .
NA CEIA, JESUS ANTECIPOU A OBLAÇÃO LIVRE DA SUA VIDA
610

Jesus exprimiu de modo supremo a oblação livre de Si mesmo na refeição que tornou com os doze Apóstolos472, na «noite em que foi entregue» (). Na véspera da sua paixão, quando ainda era livre, Jesus fez desta última Ceia com os Apóstolos o memorial da sua oblação voluntária ao Pai473 para a salvação dos homens: «Isto é o meu Corpo, que vai ser entregue por vós» (). «Isto é o meu "Sangue da Aliança", que vai ser derramado por uma multidão, para remissão dos pecados» ().

Ver também§ 766§ 1337

  1. 472Cf. .
  2. 473Cf. .
611

A Eucaristia, que neste momento instituiu, será o «memorial»474 do seu sacrifício. Jesus incluiu os Apóstolos na sua própria oferenda e pediu-lhes que a perpetuassem475. Desse modo, instituiu os Apóstolos como sacerdotes da Nova Aliança: «Eu consagro-me por eles, para que também eles sejam consagrados na verdade» ()476.

Ver também§ 1364§ 1341§ 1566

  1. 474Cf. .
  2. 475Cf. .
  3. 476Cf. Concílio de Trento, Sess. 22ª, Doctrina de sanctissimo Missae Sacriftcio, canon 2: DS 1752: Sess. 23ª, Doctrina de sacramento Ordinis, c. 1: DS 1764.
A AGONIA NO GETSÉMANI
612

O cálice da Nova Aliança, que Jesus antecipou na Ceia, oferecendo-Se a Si mesmo477, é aceite seguidamente por Jesus das mãos do Pai, na agonia no Getsémani478, fazendo-Se «obediente até á morte» ()479. Na sua oração, Jesus diz: «Meu Pai, se é possível, que se afaste de Mim este cálice [...]» (). Exprime desse modo o horror que a morte representa para a sua natureza humana. Com efeito, esta, como a nossa, está destinada à vida eterna. Mas, diferentemente da nossa, é perfeitamente isenta do pecado480 que causa a morte481. E, sobretudo, é assumida pela pessoa divina do «Príncipe da Vida»482, do «Vivente»483. Aceitando, com a sua vontade humana, que se faça a vontade do Pai484 aceita a sua morte enquanto redentora, para «suportar os nossos pecados no seu corpo, no madeiro da cruz» ().

Ver também§ 532§ 2600§ 1009

  1. 477Cf. .
  2. 478Cf. .
  3. 479Cf. .
  4. 480Cf. .
  5. 481Cf. .
  6. 482Cf. .
  7. 483Cf. ; ; 5, 26.
  8. 484Cf. .
A MORTE DE CRISTO É O SACRIFÍCIO ÚNICO E DEFINITIVO
613

A morte de Cristo é, ao mesmo tempo, o sacrifício pascal que realiza a redenção definitiva dos homens485 por meio do «Cordeiro que tira o pecado do mundo»486, e o sacrifício da Nova Aliança487que restabelece a comunhão entre o homem e Deus488, reconciliando-o com Ele pelo «sangue derramado pela multidão, para a remissão dos pecados»489.

Ver também§ 1366§ 2009

  1. 485Cf. ; .
  2. 486Cf. : .
  3. 487Cf. .
  4. 488Cf. .
  5. 489Cf. ; .
614

Este sacrifício de Cristo é único, leva à perfeição e ultrapassa todos os sacrifícios490. Antes de mais, é um dom do próprio Deus Pai: é o Pai que entrega o seu Filho para nos reconciliar consigo491. Ao mesmo tempo, é oblação do Filho de Deus feito homem, que livremente e por amor492 oferece a sua vida493 ao Pai pelo Espírito Santo494 para reparar a nossa desobediência.

Ver também§ 529§ 1330§ 2100

  1. 490Cf. .
  2. 491Cf. .
  3. 492Cf. .
  4. 493Cf. .
  5. 494Cf. .
JESUS SUBSTITUI A NOSSA DESOBEDIÊNCIA PELA SUA OBEDIÊNCIA
615

«Como pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, pela obediência de um só, muitos se tornarão justos» (). Pela sua obediência até à morte, Jesus realizou a acção substitutiva do Servo sofredor, que oferece a sua vida como sacrifício de expiação, ao carregar com o pecado das multidões, que justifica carregando Ele próprio com as suas faltas495. Jesus reparou as nossas faltas e satisfez ao Pai pelos nossos pecados496.

Ver também§ 1850§ 433§ 411

  1. 495Cf. .
  2. 496Cf. Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decretum de iustificatione, c. 7: DS 1529.
NA CRUZ, JESUS CONSUMA O SEU SACRIFÍCIO
616

É o «amor até ao fim»497 que confere ao sacrifício de Cristo o valor de redenção e reparação, de expiação e satisfação. Ele conheceu-nos e amou-nos a todos no oferecimento da sua vida498. «O amor de Cristo nos pressiona, ao pensarmos que um só morreu por todos e que todos, portanto, morreram» (). Nenhum homem, ainda que fosse o mais santo, estava em condições de tornar sobre si os pecados de todos os homens e de se oferecer em sacrifício por todos. A existência, em Cristo, da pessoa divina do Filho, que ultrapassa e ao mesmo tempo abrange todas as pessoas humanas e O constitui cabeça de toda a humanidade, é que torna possível o seu sacrifício redentor por todos.

Ver também§ 478§ 468§ 519

  1. 497Cf. .
  2. 498Cf. ; .
617

«Sua sanctissima passione in ligno crucis nobis justificationem meruit – Pela sua santíssima paixão no madeiro da cruz, Ele mereceu-nos a justificação» – ensina o Concílio de Trento499, sublinhando o carácter único do sacrifício de Cristo como fonte de salvação eterna500. E a Igreja venera a Cruz cantando: «O crux, ave, spes unica! – Avé, ó cruz, esperança única!»501.

Ver também§ 1992§ 1235

  1. 499Concílio de Trento, Sess. 6ª. Decretum de iustificatione, c. 1: DS 1529.
  2. 500Cf. .
  3. 501Aditamento litúrgico ao Hino «Vexilla Regis»: Liturgia Horarum, editio typica. N. 2 (Typis Polyglottis Vaticanis 1974) p. 313: v. 4, p. 1129 [a versão litúrgica em português difere um pouco: «Cruz do Senhor, és única esperança!»: Liturgia das Horas. v. 2 (Gráfica de Coimbra 1983) p. 366; v. 4. p. 1267].
A NOSSA PARTICIPAÇÃO NO SACRIFÍCIO DE CRISTO
618

A cruz é o único sacrifício de Cristo, mediador único entre Deus e os homens502. Mas porque, na sua pessoa divina encarnada. «Ele Se uniu, de certo modo, a cada homem»503, «a todos dá a possibilidade de se associarem a este mistério pascal, por um modo só de Deus conhecido»504. Convida os discípulos a tomarem a sua cruz e a segui-Lo505 porque sofreu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigamos os seus passos506. De facto, quer associar ao seu sacrifício redentor aqueles mesmos que são os primeiros beneficiários507. Isto realiza-se, em sumo grau, em sua Mãe, associada, mais intimamente do que ninguém, ao mistério do seu sofrimento redentor508:

Há uma só escada verdadeira fora do paraíso; fora da cruz, não há outra escada por onde se suba ao céu»509.

Ver também§ 1368§ 1460§ 307§ 2100§ 964

  1. 502Cf. .
  2. 503II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042.
  3. 504Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1043.
  4. 505Cf. .
  5. 506Cf. .
  6. 507Cf. ; ; .
  7. 508Cf. .
  8. 509Santa Rosa de Lima: P. Hansen. Vita mirabilis [...] venerabilis sororis Rosae de sancta Maria Limensis (Romae 1664), p. 137.

Continua em § 1137–1137

OS CELEBRANTES DA LITURGIA CELESTE
1137

O Apocalipse de São João, lido na liturgia da Igreja, revela-nos, primeiramente, um trono preparado no céu, e Alguém sentado no trono1, «o Senhor Deus» ()2. Depois, o Cordeiro «imolado e de pé» ()3: Cristo crucificado e ressuscitado, o único Sumo-Sacerdote do verdadeiro santuário4, o mesmo «que oferece e é oferecido, que dá e é dado»5. Enfim, «o rio da Vida [...] que corre do trono de Deus e do Cordeiro» (), um dos mais belos símbolos do Espírito Santo6.

Ver também§ 662

  1. 1Cf. .
  2. 2Cf. Ec 1, 26-28.
  3. 3Cf. .
  4. 4Cf. ; 10, 19-21: etc.
  5. 5Liturgia Bizantina. Anáfora de São João Crisóstomo: F. E. Brigtman, Liturgies Eastern and Western (Oxford 1896) p. 378 (PG 63, 913).
  6. 6Cf. ; .

Continua em § 1992–1992

1992

A justificação foi-nos merecida pela paixão de Cristo, que na cruz Se ofereceu como hóstia viva, santa e agradável a Deus, e cujo sangue se tornou instrumento de propiciação pelos pecados de todos os homens. A justificação é concedida pelo Baptismo, sacramento da fé. Conforma-nos com a justiça de Deus que nos torna interiormente justos pelo poder da sua misericórdia. E tem por fim a glória de Deus e de Cristo, e o dom da vida eterna46:

«Mas agora, foi sem a Lei que se manifestou a justiça de Deus, atestada pela Lei e pelos Profetas: a justiça que vem para todos os crentes, mediante a fé em Jesus Cristo. É que não há diferença alguma: todos pecaram e estão privados da glória de Deus. Sem o merecerem, são justificados pela sua graça, em virtude da redenção realizada em Cristo Jesus. Deus ofereceu-o para, nele, pelo seu sangue, se realizar a expiação que actua mediante a fé: foi assim que Ele mostrou a sua justiça, ao perdoar os pecados cometidos outrora, no tempo da divina paciência. Deus mostra assim a sua justiça no tempo presente, porque Ele é justo e justifica quem tem fé em Jesus» ().

Ver também§ 617§ 1266§ 294

  1. 46Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decretum de iustificatione, c. 7: DS 1529.

Continua em § 2606–2606

2606

Todas as desolações da humanidade de todos os tempos, escrava do pecado e da morte, todas as súplicas e intercessões da história da salvação estão reunidas neste brado do Verbo encarnado. E eis que o Pai as acolhe e as atende, para além de toda a esperança, ao ressuscitar o seu Filho. Assim se cumpre e se consuma o drama da oração na economia da criação e da salvação. Dele nos dá o Saltério a chave em Cristo. É no «hoje» da ressurreição que o Pai diz: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei. Pede-Me, e Te darei as nações por herança e os confins da terra para teu domínio!» ()58.

A Epístola aos Hebreus exprime em termos dramáticos como é que a oração de Jesus realiza a vitória da salvação: «Nos dias da sua vida mortal, Cristo dirigiu preces e súplicas, com um forte brado e com lágrimas, Aquele que O podia livrar da morte e, por causa da sua piedade, foi atendido. Apesar de ser Filho, aprendeu, de quanto sofreu, o que é obedecer. E quando atingiu a sua plenitude, tornou-Se, para todos aqueles que Lhe obedecem, causa de salvação eterna» ().

Ver também§ 403§ 653§ 2587

  1. 58Cf. .

Continua em § 2741–2741

2741

Jesus também ora por nós, em nosso lugar e em nosso favor. Todos os nossos pedidos foram reunidos, de uma vez por todas, no seu brado sobre a cruz e atendidos pelo Pai na sua ressurreição; e é por isso que Ele não cessa de interceder por nós junto do Pai29. Se a nossa oração estiver resolutamente unida à de Jesus na confiança e na audácia filial, obteremos tudo o que pedirmos em seu nome e muito mais do que isto ou aquilo: o próprio Espírito Santo que inclui todos os dons.

Ver também§ 2606§ 2614

  1. 29Cf. ; 7, 25; 9, 24.

Continua em § 2825–2825

2825

Jesus, «apesar de ser Filho, aprendeu, por aquilo que sofreu, o que é obedecer» (). Com quanto mais razão nós, criaturas e pecadores, que n'Ele nos tornamos filhos de adopção! Nós pedimos ao nosso Pai que una a nossa vontade à do seu Filho, para que se cumpra a vontade d'Ele, o seu plano de salvação para a vida do mundo. Somos radicalmente impotentes para tal, mas unidos a Jesus e com o poder do seu Espírito Santo, podemos entregar-Lhe a nossa vontade e decidir escolher o que o seu Filho sempre escolheu: fazer o que é do agrado do Pai89:

«Aderindo a Cristo, podemos tornar-nos um só espírito com Ele e assim cumprir a sua vontade; desse modo, ela será feita na terra como no céu»90. «Considerai como Jesus Cristo nos ensina a ser humildes, fazendo-nos ver que a nossa virtude não depende só do nosso trabalho, mas da graça de Deus. Aqui, Ele ordena a todo o fiel que ora a fazê-lo de modo universal, por toda a terra. Porque não diz "seja feita a vossa vontade" em mim ou em vós, mas "em toda a terra": para que dela seja banido o erro e nela reine a verdade, o vício seja destruído e a virtude refloresça, e para que a terra deixe de ser diferente do céu»91.

Ver também§ 615

  1. 89Cf. .
  2. 90Orígenes, De oratione, 26, 3: GCS 3, 361 (PG 11, 501).
  3. 91São João Crisóstomo, In Matthaeum homilia l9, 5: PG 57, 280.
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