Catecismo
Bíblia · ed. Ave Maria
Código de Direito Canónico
Cân.
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Sessão 22 de 50

Santa Mãe de Deus

Episódio 22 de 50 · cinco minutos em vídeo, com as perguntas do Compêndio que segue e os parágrafos do Catecismo a que remetem.

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Pe. Thomaz Fernandez · Paróquia de Queluz · perguntas 94 a 96 do Compêndio

PARÁGRAFO 2
«... CONCEBIDO PELO PODER DO ESPÍRITO SANTO, NASCIDO DA VIRGEM MARIA»
I. Concebido pelo poder do Espírito Santo...
484

A Anunciação a Maria inaugura a «plenitude dos tempos» (), isto é, o cumprimento das promessas e dos preparativos. Maria é convidada a conceber Aquele em quem habitará «corporalmente toda a plenitude da Divindade» (). A resposta divina ao seu «como será isto, se Eu não conheço homem?» () é dada pelo poder do Espírito: «O Espírito Santo virá sobre ti» ().

Ver também§ 461§ 721

485

A missão do Espírito Santo está sempre unida e ordenada à do Filho123. O Espírito Santo, que é «o Senhor que dá a Vida», é enviado para santificar o seio da Virgem Maria e para a fecundar pelo poder divino, fazendo-a conceber o Filho eterno do Pai, numa humanidade originada da sua.

Ver também§ 689§ 723

  1. 123Cf. .
486

Tendo sido concebido como homem no seio da Virgem Maria, o Filho único do Pai é «Cristo», isto é, ungido pelo Espírito Santo124, desde o princípio da sua existência humana, embora a sua manifestação só se venha a fazer progressivamente: aos pastores125, aos magos 126), a João Baptista127, aos discípulos128. Toda a vida de Jesus Cristo manifestará, portanto, «como Deus O ungiu com o Espírito Santo e o poder» ().

II. ...nascido da Virgem Maria

Ver também§ 437

  1. 124Cf. ; .
  2. 125Cf. .
  3. 127Cf. .
  4. 128Cf. .
487

O que a fé católica crê, a respeito de Maria, funda-se no que crê a respeito de Cristo. Mas o que a mesma fé ensina sobre Maria esclarece, por sua vez, a sua fé em Cristo.

Ver também§ 963

A PREDESTINAÇÃO DE MARIA
488

«Deus enviou o seu Filho» (GI 4, 4). Mas, para Lhe «formar um corpo»129, quis a livre cooperação duma criatura. Para isso, desde toda a eternidade, Deus escolheu, para ser a Mãe do seu Filho, uma filha de Israel, uma jovem judia de Nazaré, na Galileia, «virgem que era noiva de um homem da casa de David, chamado José. O nome da virgem era Maria» ():

«O Pai das misericórdias quis que a aceitação, por parte da que Ele predestinara para Mãe, precedesse a Encarnação, para que, assim como uma mulher contribuiu para a morte, também outra mulher contribuísse para a vida130.

  1. 129Cf. .
  2. 130Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 56: AAS 57 (1965) 60; cf. ibid., 61: AAS 57 (1965) 63.
489

Ao longo da Antiga Aliança, a missão de Maria foi preparada pela missão de santas mulheres. Logo no princípio, temos Eva; apesar da sua desobediência, ela recebe a promessa duma descendência que sairá vitoriosa do Maligno131 e de vir a ser a mãe de todos os vivos132. Em virtude desta promessa, Sara concebe um filho, apesar da sua idade avançada133. Contra toda a esperança humana, Deus escolheu o que era tido por incapaz e fraco134 para mostrar a sua fidelidade à promessa feita: Ana, a mãe de Samuel135, Débora, Rute, Judite e Ester e muitas outras mulheres. Maria «é a primeira entre os humildes e pobres do Senhor, que confiadamente esperam e recebem a salvação de Deus. Com ela, enfim, excelsa filha de Sião, passada a longa espera da promessa, cumprem-se os tempos e inaugura-se a nova economia da salvação»136.

Ver também§ 722§ 410§ 145§ 64

  1. 131Cf. .
  2. 132Cf. .
  3. 133Cf. ; 21, 1-2.
  4. 134Cf. .
  5. 135Cf. 1 Sm 1.
  6. 136Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 55: AAS 57 (1965) 59-60.
A IMACULADA CONCEIÇÃO
490

Para vir a ser Mãe do Salvador, Maria «foi adornada por Deus com dons dignos de uma tão grande missão»137. O anjo Gabriel, no momento da Anunciação, saúda-a como «cheia de graça»138. Efectivamente, para poder dar o assentimento livre da sua fé ao anúncio da sua vocação, era necessário que Ela fosse totalmente movida pela graça de Deus.

Ver também§ 2676§ 2853§ 2001

  1. 137Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 56: AAS 57 (1965) 60.
  2. 138Cf. .
491

Ao longo dos séculos, a Igreja tomou consciência de que Maria, «cumulada de graça» por Deus139, tinha sido redimida desde a sua conceição. É o que confessa o dogma da Imaculada Conceição, proclamado em 1854 pelo Papa Pio IX:

«Por uma graça e favor singular de Deus omnipotente e em previsão dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do género humano, a bem-aventurada Virgem Maria foi preservada intacta de toda a mancha do pecado original no primeiro instante da sua conceição»140.

Ver também§ 411

  1. 139Cf. .
  2. 140Pio IX, Bulla Ineffabilis Deus DS 2803.
492

Este esplendor de uma «santidade de todo singular», com que foi «enriquecida desde o primeiro instante da sua conceição»141, vem-lhe totalmente de Cristo: foi «remida dum modo mais sublime, em atenção aos méritos de seu Filho»142. Mais que toda e qualquer outra pessoa criada, o Pai a «encheu de toda a espécie de bênçãos espirituais, nos céus, em Cristo» (). «N'Ele a escolheu antes da criação do mundo, para ser, na caridade, santa e irrepreensível na sua presença» ().

Ver também§ 2011§ 1077

  1. 141Cf. Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium,, 56: AAS 57 (1965) 60.
  2. 142Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 53: AAS 57 (1965) 58.
493

Os Padres da tradição oriental chamam ã Mãe de Deus «a toda santa» («Panaghia»), celebram-na como «imune de toda a mancha de pecado, visto que o próprio Espírito Santo a modelou e dela fez uma nova criatura»143. Pela graça de Deus, Maria manteve-se pura de todo o pecado pessoal ao longo de toda a vida.

  1. 143Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 56: AAS 57 (1965) 60.
«FAÇA-SE EM MIM SEGUNDO A TUA PALAVRA...»
494

Ao anúncio de que dará à luz «o Filho do Altíssimo», sem conhecer homem, pela virtude do Espírito Santo144, Maria respondeu pela «obediência da fé»145, certa de que «a Deus nada é impossível»: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (). Assim, dando o seu consentimento à palavra de Deus, Maria tornou-se Mãe de Jesus. E aceitando de todo o coração, sem que nenhum pecado a retivesse, a vontade divina da salvação, entregou-se totalmente à pessoa e à obra do seu Filho para servir, na dependência d'Ele e com Ele, pela graça de Deus, o mistério da redenção146.

«Como diz Santo Ireneu, "obedecendo, Ela tornou-se causa de salvação, para si e para todo o género humano"147. Eis porque não poucos Padres afirmam, tal como ele, nas suas pregações, que "o nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria; e aquilo que a virgem Eva atou, com a sua incredulidade, desatou-o a Virgem Maria com a sua fé"148; e, por comparação com Eva, chamam Maria a "Mãe dos vivos" e afirmam muitas vezes: "a morte veio por Eva, a vida veio por Maria"»149.

Ver também§ 2617§ 148§ 968§ 726

  1. 144Cf. .
  2. 145Cf. .
  3. 146Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 56: AAS 57 (1965) 60-61.
  4. 147Santo Irineu de Lião, Adversus haereses, 3, 22, 4: SC 211, 440 (PG 7, 959).
  5. 148Cf. Santo Irineu de Lião, Adversus haereses, 3, 22, 4: SC 211, 442-444 (PG 7, 959-960).
  6. 149Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 56: AAS 57 (1965) 60-61.
A MATERNIDADE DIVINA DE MARIA
495

Chamada nos evangelhos «a Mãe de Jesus» (; 19, 25)150, Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito Santo e desde antes do nascimento do seu Filho, como «a Mãe do meu Senhor» (). Com efeito, Aquele que Ela concebeu como homem por obra do Espírito Santo, e que Se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne, não é outro senão o Filho eterno do Pai, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é, verdadeiramente, Mãe de Deus («Theotokos»)151.

Ver também§ 466§ 2677

  1. 150Cf. .
  2. 151Cf. Concílio de Éfeso, Epistula II Cyrilli Alexandrini ad Nestorium: DS 251.

Perguntas para si

Três perguntas do Compêndio sobre o que acabou de ler. Tente responder antes de abrir.

«Concebido por obra do Espírito Santo...»: o que significa esta expressão?

Significa que a Virgem Maria concebeu o Filho eterno no seu seio, por obra do Espírito Santo e sem a colaboração de homem: «O Espírito Santo descerá sobre ti» (Lc 1, 35), disse-lhe o Anjo na Anunciação.

Compêndio, n.º 94
«…Nascido da Virgem Maria»: porque é que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus?

Maria é verdadeiramente Mãe de Deus porque é a mãe de Jesus (Jo 2,1; 19,25). Com efeito, Aquele que foi concebido por obra do Espírito Santo e que se tornou verdadeiramente Filho de Maria é o Filho eterno de Deus Pai. É Ele mesmo Deus.

Compêndio, n.º 95
O que significa «Imaculada Conceição»?

Deus escolheu gratuitamente Maria desde toda a eternidade para que fosse a Mãe de seu Filho: para cumprir tal missão, foi concebida imaculada. Isto significa que, pela graça de Deus e em previsão dos méritos de Jesus Cristo, Maria foi preservada do pecado original desde a sua concepção.

Compêndio, n.º 96
Por exemplo

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Fontes e créditos

Catecismo — texto oficial · © Libreria Editrice Vaticana · vatican.va

Sagrada Escritura — Bíblia Sagrada, edição Ave Maria

Concílios e documentos papais · Santa Sé · vatican.va

Remissões marginais («Ver também») — os números que a edição típica do Catecismo põe à margem de cada parágrafo, a apontar para outros parágrafos sobre o mesmo tema. O vatican.va não os publica; vêm da transcrição da paróquia de St. Charles Borromeo (só números, sem texto).

Curso de doutrina católica em 10 sessões — aulas do Pe. Miguel Cabral · Oratório de São Josemaria
Vídeo e áudio pertencem ao Oratório; aqui só se liga a cada aula e se juntam as perguntas do Compêndio e os parágrafos do Catecismo.

Índice analítico e índice litúrgico · catecismo.net
Do catecismo.net vêm só os índices: que parágrafos correspondem a cada termo e a cada dia litúrgico. O texto é sempre o do vatican.va.

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