Catecismo
Bíblia · ed. Ave Maria
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§ 492, 693, 698, 706, 737–741, 849–856, 1107, 1122, 1296, 1506–1509, 1533

492

Este esplendor de uma «santidade de todo singular», com que foi «enriquecida desde o primeiro instante da sua conceição»141, vem-lhe totalmente de Cristo: foi «remida dum modo mais sublime, em atenção aos méritos de seu Filho»142. Mais que toda e qualquer outra pessoa criada, o Pai a «encheu de toda a espécie de bênçãos espirituais, nos céus, em Cristo» (). «N'Ele a escolheu antes da criação do mundo, para ser, na caridade, santa e irrepreensível na sua presença» ().

Ver também§ 2011§ 1077

  1. 141Cf. Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium,, 56: AAS 57 (1965) 60.
  2. 142Cf. II Concílio Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 53: AAS 57 (1965) 58.

Continua em § 693–693

693

Além do seu nome próprio, que é o mais empregado nos Actos dos Apóstolos e nas epístolas, encontramos em S. Paulo as designações: Espírito da promessa (; ), Espírito de adopção (: ), Espírito de Cristo (), Espírito do Senhor (). Espírito de Deus (; 15, 19; ; 7, 40), e em S. Pedro, Espírito de glória ().

Continua em § 698–698

698

O selo é um símbolo próximo do da unção. Com efeito, foi a Cristo que «Deus marcou com o seu selo» () e é n'Ele que o Pai nos marca também com o seu selo»40. Porque indica o efeito indelével da unção do Espírito Santo nos sacramentos do Baptismo, da Confirmação e da Ordem, a imagem do selo («sphragis») foi utilizada em certas tradições teológicas para exprimir o «carácter» indelével, impresso por estes três sacramentos, que não podem ser repetidos.

Ver também§ 1295–1296§ 1121

  1. 40Cf. ; ; 4, 30.

Continua em § 706–706

706

Contra toda a esperança humana, Deus promete a Abraão uma descendência, como fruto da fé e do poder do Espírito Santo60. Nessa descendência serão abençoadas todas as nações da terra61. Essa descendência será o Cristo62 no qual a efusão do Espírito Santo fará «a unidade dos filhos de Deus dispersos»63. Comprometendo-Se por juramento64, Deus obriga-Se, desde logo, ao dom do seu Filho muito-amado65 e ao dom do «Espírito Santo prometido, que constitui o título de garantia da nossa herança para a redenção do povo que Deus adquiriu para Si mesmo»66.

Ver também§ 60

  1. 60Cf. ; ; ; .
  2. 61Cf. .
  3. 62Cf. .
  4. 63Cf. .
  5. 64Cf. .
  6. 65Cf. ; ; .
  7. 66Cf. ; .

Continua em § 737–741

O ESPÍRITO SANTO E A IGREJA
737

A missão de Cristo e do Espírito Santo completa-se na Igreja, corpo de Cristo e templo do Espírito Santo. Esta missão conjunta associa, doravante, os fiéis de Cristo à sua comunhão com o Pai no Espírito Santo: o Espírito prepara os homens e adianta-se-lhes com a sua graça para os atrair a Cristo. Manifesta-lhes o Senhor ressuscitado, lembra-lhes a sua Palavra e abre-lhes o espírito à inteligência da sua morte e da sua ressurreição. Torna-lhes presente o mistério de Cristo, principalmente na Eucaristia, com o fim de os reconciliar, de os pôr em comunhão com Deus, para os fazer dar «muito fruto»116.

Ver também§ 787–798§ 1093–1109

  1. 116Cf. .
738

Assim, a missão da Igreja não se acrescenta à de Cristo e do Espírito Santo, mas é o sacramento dela: por todo o seu ser e em todos os seus membros, é enviada para anunciar e testemunhar, actualizar e derramar o mistério da comunhão da Santíssima Trindade (será este o objecto do próximo artigo):

«Nós todos, que recebemos o único e mesmo Espírito, quer dizer, o Espírito Santo, fundimo-nos entre nós e com Deus. Porque, embora sejamos numerosos separadamente, e Cristo faça com que o Espírito do Pai e seu habite em cada um de nós, este Espírito único e indivisível reconduz pessoalmente à unidade os que são distintos entre si [...] e faz com que todos apareçam n'Ele como sendo um só. E assim como o poder da santa humanidade de Cristo faz com que todos aqueles em quem ela se encontra formem um só corpo, penso que, do mesmo modo, o Espírito de Deus, que habita em todos, único e indivisível, os leva todos à unidade espiritual»117.

Ver também§ 850§ 777

  1. 117São Cirilo de Alexandria, Commentarius in Iohannem 11, 11: PG 74. 561.
739

Uma vez que o Espírito Santo é a unção de Cristo, é Cristo, a Cabeça do corpo, quem O derrama nos seus membros para os alimentar, os curar, os organizar nas suas mútuas funções, os vivificar, os enviar a dar testemunho, os associar à sua oferta ao Pai e à sua intercessão pelo mundo inteiro. É pelos sacramentos da Igreja que Cristo comunica aos membros do seu corpo o seu Espírito Santo e santificador (será este o objecto da segunda parte do Catecismo).

Ver também§ 1076

740

Estas «maravilhas de Deus», oferecidas aos crentes nos sacramentos da Igreja, dão os seus frutos na vida nova em Cristo, segundo o Espírito (será este o objecto da terceira parte do Catecismo).

741

«Também o Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis» (). O Espírito Santo, artífice das obras de Deus, é o Mestre da oração (será este o objecto da quarta parte do Catecismo).

Continua em § 849–856

A MISSÃO – UMA EXIGÊNCIA DA CATOLICIDADE DA IGREJA
849

O mandato missionário. «Enviada por Deus às nações, para ser o sacramento universal da salvação, a Igreja, em virtude das exigências íntimas da sua própria catolicidade e em obediência ao mandamento do seu fundador, procura incansavelmente anunciar o Evangelho a todos os homens»345. «Ide, pois, fazei discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo quanto vos mandei. E eis que Eu estou convosco todos os dias, até ao fim do mundo» ().

Ver também§ 738§ 767

  1. 345II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 1: AAS 58 (1966) 947.
850

A origem e o fim da missão. O mandato missionário do Senhor tem a sua fonte primeira no amor eterno da Santíssima Trindade: «Por sua natureza, a Igreja peregrina é missionária, visto ter a sua origem, segundo o desígnio de Deus Pai, na missão do Filho e do Espírito Santo»346. E o fim último da missão consiste em fazer todos os homens participantes na comunhão existente entre o Pai e o Filho, no Espírito de amor347.

Ver também§ 257§ 730

  1. 346II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 2: AAS 58 (1966) 948.
  2. 347Cf. João Paulo II. Enc. Redemptoris missio, 23: AAS 83 (1991) 269-270.
851

O motivo da missão. É ao amor de Deus por todos os homens que, desde sempre, a Igreja vai buscar a obrigação e o vigor do seu ardor missionário: «Porque o amor de Cristo nos impele...» ()348. Com efeito, «Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade» (). Deus quer a salvação de todos, mediante o conhecimento da verdade. A salvação está na verdade. Os que obedecem à moção do Espírito da verdade estão já no caminho da salvação. Mas a Igreja, à qual a mesma verdade foi confiada, deve ir ao encontro dos que a procuram para lha levar. É por acreditar no desígnio universal da salvação que a Igreja deve ser missionária.

Ver também§ 221§ 429§ 74§ 217§ 2104§ 890

  1. 348Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Apostolicam actuositatem, 6: AAS 58 (1966) 842-843; João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 11: AAS 83 (1991) 259-260.
852

Os caminhos da missão. «O protagonista de toda a missão eclesial é o Espírito Santo»349. É Ele que conduz a Igreja pelos caminhos da missão. E esta «continua e prolonga, no decorrer da história, a missão do próprio Cristo, que foi enviado para anunciar a Boa-Nova aos pobres. É, portanto, pelo mesmo caminho seguido por Cristo que, sob o impulso do Espírito Santo, a Igreja deve seguir, ou seja, pelo caminho da pobreza, da obediência, do serviço e da imolação de si mesma até à morte – morte da qual Ele saiu vitorioso pela ressurreição»350. É assim que «o sangue dos mártires se torna semente de cristãos»351.

Ver também§ 2044§ 2473

  1. 349João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 21: AAS 83 (1991) 268.
  2. 350II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 5: AAS 58 (1966) 952.
  3. 351Tertuliano, Apologeticum 50, 13: CCL 1, 171 (PL 1, 603).
853

Porém, no seu peregrinar, a Igreja também faz a experiência da «distância que separa a mensagem de que é portadora, da fraqueza humana daqueles a quem este Evangelho é confiado»352. Só avançando pelo caminho «da penitência e da renovação»353 e entrando «pela porta estreita da Cruz»354 é que o povo de Deus pode expandir o Reino de Cristo355. Com efeito, «assim como foi na pobreza e na perseguição que Cristo realizou a redenção, assim também a Igreja é chamada a seguir pelo mesmo caminho, para comunicar aos homens os frutos da salvação»356.

Ver também§ 1428§ 2443

  1. 352II Concílio do Vaticano, Const.past. Gaudium et spes, 43: AAS 58 (1966) 1064.
  2. 353II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 8: AAS 57 (1965) 12: cf. Ibid, 15: AAS 57 (1965) 20.
  3. 354II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 1 AAS 58 (1966) 947.
  4. 355Cf. João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 12-20: AAS 83 (1991) 260-268.
  5. 356II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 8: AAS 57 (1965) 12.
854

Pela sua própria missão, «a Igreja faz a caminhada de toda a humanidade e partilha a sorte terrena do mundo. Ela é como que o fermento e, por assim dizer, a alma da sociedade humana, chamada a ser renovada em Cristo e transformada em família de Deus»357. O esforço missionário exige, portanto, paciência. Começa pelo anúncio do Evangelho aos povos e grupos que ainda não acreditam em Cristo358; prossegue no estabelecimento de comunidades cristãs, que sejam «sinais da presença de Deus no mundo»359 e na fundação de Igrejas locais360; compromete-se num processo de inculturação, para incarnar o Evangelho nas culturas dos povos361; e também não deixará de conhecer alguns fracassos. «Pelo que diz respeito aos homens, aos grupos humanos e aos povos, a Igreja só a pouco e pouco os atinge e penetra, assim os assumindo na plenitude católica»362.

Ver também§ 2105§ 1204

  1. 357II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et Spes, 40: AAS 58 (1966) 1058.
  2. 358Cf. João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 42-47: AAS 83 (1991) 289-295.
  3. 359Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 15: AAS 58 (1966) 964.
  4. 360Cf. João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 48-49: AAS 83 (1991) 295-297.
  5. 361Cf. João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 52-54: AAS 83 (1991) 299-302.
  6. 362II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 6: AAS 58 (1966) 953.
855

A missão da Igreja requer um esforço em ordem à unidade dos cristãos363. «De facto, as divisões entre cristãos impedem a Igreja de realizar a plenitude da catolicidade que lhe é própria, naqueles seus filhos que, sem dúvida, lhe pertencem pelo Baptismo, mas que se encontram separados da plenitude da comunhão com ela. Mais ainda: para a própria Igreja, torna-se mais difícil exprimir, sob todos os seus aspectos, a plenitude da catolicidade na própria realidade da sua vida»364.

Ver também§ 821

  1. 363Cf. João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 50: AAS 83 (1991) 297-298.
  2. 364II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 4: AAS 57 (1965) 96.
856

A tarefa missionária implica um diálogo respeitoso com aqueles que ainda não aceitam o Evangelho365. Os crentes podem tirar proveito para si mesmos deste diálogo, aprendendo a conhecer melhor «tudo quanto de verdade e graça se encontrava já entre os povos, como que por uma secreta presença de Deus»366. Se anunciam a Boa-Nova aos que a ignoram, é para consolidar, completar e elevar a verdade e o bem que Deus espalhou entre os homens e os povos, e para os purificar do erro e do mal, «para glória de Deus, confusão do demónio e felicidade do homem»367.

Ver também§ 839§ 843

  1. 365Cf. João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 55: AAS 83 (1991) 302-304.
  2. 366II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 9: AAS 58 (1966) 958.
  3. 367II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 9: AAS 58 (1966) 958.

Continua em § 1107–1107

1107

O poder transformante do Espírito Santo na liturgia apressa a vinda do Reino e a consumação do mistério da salvação. Na expectativa e na esperança. Ele faz-nos realmente antecipar a comunhão plena da Santíssima Trindade. Enviado pelo Pai, que atende a epiclese da Igreja, o Espírito dá a vida aos que O acolhem e constitui para eles, desde já, as «arras» da sua herança21.

Ver também§ 2816

  1. 21Cf. ; .

Continua em § 1122–1122

III. Os sacramentos da fé
1122

Cristo enviou os Apóstolos para que, «em seu nome, pregassem a todas as nações a conversão para o perdão dos pecados» (). «Fazei discípulos de todas as nações, baptizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo» (). A missão de baptizar, portanto a missão sacramental, está implicada na missão de evangelizar; porque o sacramento é preparado pela Palavra de Deus e pela fé, que é assentimento à dita Palavra:

«O povo de Deus é reunido, antes de mais, pela Palavra de Deus vivo [...]. A pregação da Palavra é necessária para o próprio ministério dos sacramentos, enquanto são sacramentos da fé, que nasce e se alimenta da Palavra»38.

Ver também§ 849§ 1236

  1. 38II Concílio do Vaticano, Decr. Presbyterorum ordinis, 4: AAS 58 (1966) 995-996.

Continua em § 1296–1296

1296

O próprio Cristo se declara marcado com o selo do Pai117. O cristão também está marcado com um selo: «Foi Deus que nos concedeu a unção, nos marcou também com o seu selo e depôs as arras do Espírito em nossos corações» ()118. Este selo do Espírito Santo marca a pertença total a Cristo, a entrega para sempre ao seu serviço, mas também a promessa da protecção divina na grande prova escatológica119.

Ver também§ 1121

  1. 117Cf. .
  2. 118Cf. ; 4, 30.
  3. 119Cf. ; 9. 4; .

Continua em § 1506–1509

«CURAI OS ENFERMOS...»
1506

Cristo convida os discípulos a seguirem-no, tomando a sua cruz113. Seguindo-O, eles adquirem uma nova visão da doença e dos doentes. Jesus associa-os à sua vida pobre e servidora. Fá-los participar no seu ministério de compaixão e de cura: E eles «partiram e pregaram que era preciso cada um arrepender-se. Expulsavam muitos demónios, ungiam com óleo numerosos doentes, e curavam-nos» ().

Ver também§ 859

  1. 113Cf. .
1507

O Senhor ressuscitado renova esta missão («em Meu nome... hão-de impor as mãos aos doentes, e estes ficarão curados»: 7-18) e confirma-a por meio dos sinais que a Igreja realiza invocando o seu nome114. Estes sinais manifestam de modo especial, que Jesus é verdadeiramente «Deus que salva»115.

Ver também§ 430

  1. 114Cf. : 14, 3.
  2. 115Cf. : .
1508

O Espírito Santo confere a alguns o carisma especial de poderem curar116 para manifestar a força da graça do Ressuscitado. Todavia, nem as orações mais fervorosas obtêm sempre a cura de todas as doenças. Assim, São Paulo deve aprender do Senhor que «a minha graça te basta: pois na fraqueza é que a minha força actua plenamente» (), e que os sofrimentos a suportar podem ter como sentido que «eu complete na minha carne o que falta à paixão de Cristo, em benefício do seu corpo, que é a Igreja» ().

Ver também§ 798§ 618

  1. 116Cf. .
1509

«Curai os enfermos!» (). A Igreja recebeu este encargo do Senhor e procura cumpri-lo, tanto pelos cuidados que dispensa aos doentes, como pela oração de intercessão com que os acompanha. Ela "crê na presença vivificante de Cristo, médico das almas e dos corpos, presença que age particularmente através dos sacramentos e de modo muito especial da Eucaristia, pão que dá a vida eterna117 e cuja ligação com a saúde corporal é insinuada por São Paulo118.

Ver também§ 1405

  1. 117Cf. .
  2. 118Cf. .

Continua em § 1533–1533

CAPÍTULO TERCEIRO
OS SACRAMENTOS AO SERVIÇO DA COMUNHÃO
1533

O Baptismo, a Confirmação e a Eucaristia são os sacramentos da iniciação cristã. São o fundamento da vocação comum de todos os discípulos de Cristo – vocação à santidade e à missão de evangelizar o mundo. E conferem as graças necessárias para a vida segundo o Espírito, nesta existência de peregrinos em marcha para a Pátria.

Ver também§ 1212

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