Catecismo
Bíblia · ed. Ave Maria
Código de Direito Canónico
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§ 543–546, 774–776, 853, 1036, 1344, 1889, 2656, 2825–2827

O ANÚNCIO DO REINO DE DEUS
543

Todos os homens são chamados a entrar no Reino. Anunciado primeiro aos filhos de Israel271, este Reino messiânico é destinado a acolher os homens de todas as nações272. Para ter acesso a ele, é preciso acolher a Palavra de Jesus:

«A Palavra do Senhor compara-se à semente lançada ao campo: aqueles que a ouvem com fé e entram a fazer parte do pequeno rebanho de Cristo, já receberam o Reino; depois, por força própria, a semente germina e cresce até ao tempo da messe»273.

Ver também§ 764

  1. 271Cf. .
  2. 272Cf. ; 28, 19.
  3. 273II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 5: AAS 57 (1965) 7.
544

O Reino é dos pobres e pequenos, quer dizer, dos que o acolheram com um coração humilde. Jesus foi enviado para «trazer a Boa-Nova aos pobres» ()274. Declara-os bem-aventurados, porque «é deles o Reino dos céus» (). Foi aos «pequenos» que o Pai se dignou revelar o que continua oculto aos sábios e inteligentes275. Jesus partilha a vida dos pobres, desde o presépio até à cruz: sabe o que é sofrer a fome276, a sede277 e a indigência278. Mais ainda: identifica-se com os pobres de toda a espécie, e faz do amor activo para com eles a condição da entrada no seu Reino279.

Ver também§ 709§ 2443§ 2546

  1. 274Cf. .
  2. 275Cf. .
  3. 276Cf. : .
  4. 277Cf. : 19, 28.
  5. 278Cf. .
  6. 279Cf. .
545

Jesus convida os pecadores para a mesa do Reino: «Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores» ()280. Convida-os à conversão sem a qual não se pode entrar no Reino, mas por palavras e actos, mostra-lhes a misericórdia sem limites do Seu Pai para com eles e a imensa «alegria que haverá no céu, por um só pecador que se arrependa» (). A prova suprema deste amor será o sacrifício da sua própria vida, «pela remissão dos pecados» ().

Ver também§ 1443§ 588§ 1846§ 1439

  1. 280Cf. .
546

Jesus chama para entrar no Reino, por meio de parábolas, traço característico do seu ensino282. Por meio delas, convida para o banquete do Reino283, mas exige também uma opção radical: para adquirir o Reino é preciso dar tudo284. As palavras não bastam, exigem-se actos285. As parábolas são, para o homem, uma espécie de espelho: como é que ele recebe a Palavra? Como chão duro, ou como terra boa?286 Que faz ele dos talentos recebidos?287 Jesus e a presença do Reino neste mundo estão secretamente no coração das parábolas. É preciso entrar no Reino, quer dizer, tornar-se discípulo de Cristo, para «conhecer os mistérios do Reino dos céus» (). Para os que ficam «fora» (), tudo permanece enigmático288.

Ver também§ 2613§ 542

  1. 282Cf. .
  2. 283Cf. .
  3. 284Cf. .
  4. 285Cf. .
  5. 286Cf. .
  6. 287Cf. .
  7. 288Cf. .

Continua em § 774–776

A IGREJA – SACRAMENTO UNIVERSAL DA SALVAÇÃO
774

A palavra grega mysterion foi traduzida em latim por dois termos: mysterium e sacramentum. Na segunda interpretação, o termo sacramentum exprime prevalentemente o sinal visível da realidade oculta da salvação, indicada pelo termo mysterium. Neste sentido, o próprio Cristo é o mistério da salvação: «Nem há outro mistério senão Cristo200. A obra salvífica da sua humanidade santa e santificadora é o sacramento da salvação, que se manifesta e actua nos sacramentos da Igreja (que as Igrejas do Oriente chamam também «os santos mistérios»). Os sete sacramentos são os sinais e os instrumentos pelos quais o Espírito Santo derrama a graça de Cristo, que é a Cabeça, na Igreja que é o seu Corpo. A Igreja possui, pois, e comunica a graça invisível que significa: e é neste sentido analógico que é chamada «sacramento».

Ver também§ 1075§ 515§ 2014§ 1116

  1. 200Santo Agostinho, Epistula 187, 11, 34: CSEL 57, 113 (PL 33, 845).
775

«A Igreja em Cristo é como que o sacramento ou sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano»201. Ser sacramento da união íntima do homem com Deus, eis a primeira finalidade da Igreja. E porque a comunhão dos homens entre si radica na união com Deus, a Igreja é, também, o sacramento da unidade do género humano. Nela, esta unidade já começou, pois reúne homens «de toda a nação, raça, povo e língua» (). A Igreja é, ao mesmo tempo, «sinal e instrumento» da plena realização desta unidade, que ainda há-de vir.

Ver também§ 360

  1. 201II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 1 : AAS 57 (1965) 5.
776

Como sacramento, a Igreja é instrumento de Cristo. «É assumida por Ele como instrumento da redenção universal»202, «o sacramento universal da salvação»203, pelo qual o mesmo Cristo «manifesta e simultaneamente actualiza o mistério do amor de Deus pelos homens»204. É o «projecto visível do amor de Deus para com a humanidade»205, segundo o qual Deus quer «que todo o género humano forme um só povo de Deus, se una num só Corpo de Cristo e se edifique num só templo do Espírito Santo»206.

Ver também§ 1088

  1. 202II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 9: AAS 57 (1965) 13.
  2. 203II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 48: AAS 57 (1965) 53.
  3. 204II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 45: AAS 58 (1966) 1066.
  4. 205Paulo VI, Allocutio ad Sacri Collegii Cardinalium Patres (22 de Junho de 1973): AAS 65 (1973) 391.
  5. 206II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 7: AAS 58 (1966) 956: cf. Id, Const. dogm. Lumen Gentium, 17: AAS 57 (1965) 20-21.

Continua em § 853–853

853

Porém, no seu peregrinar, a Igreja também faz a experiência da «distância que separa a mensagem de que é portadora, da fraqueza humana daqueles a quem este Evangelho é confiado»352. Só avançando pelo caminho «da penitência e da renovação»353 e entrando «pela porta estreita da Cruz»354 é que o povo de Deus pode expandir o Reino de Cristo355. Com efeito, «assim como foi na pobreza e na perseguição que Cristo realizou a redenção, assim também a Igreja é chamada a seguir pelo mesmo caminho, para comunicar aos homens os frutos da salvação»356.

Ver também§ 1428§ 2443

  1. 352II Concílio do Vaticano, Const.past. Gaudium et spes, 43: AAS 58 (1966) 1064.
  2. 353II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 8: AAS 57 (1965) 12: cf. Ibid, 15: AAS 57 (1965) 20.
  3. 354II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 1 AAS 58 (1966) 947.
  4. 355Cf. João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 12-20: AAS 83 (1991) 260-268.
  5. 356II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 8: AAS 57 (1965) 12.

Continua em § 1036–1036

1036

As afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja a respeito do Inferno são um apelo ao sentido de responsabilidade com que o homem deve usar da sua liberdade, tendo em vista o destino eterno. Constituem, ao mesmo tempo, um apelo urgente à conversão: «Entrai pela porta estreita, pois larga é a porta e espaçoso o caminho que levam à perdição e muitos são os que seguem por eles. Que estreita é a porta e apertado o caminho que levam à vida e como são poucos aqueles que os encontram!» ():

«Como não sabemos o dia nem a hora, é preciso que, segundo a recomendação do Senhor, vigiemos continuamente, a fim de que, no termo da nossa vida terrena, que é só uma, mereçamos entrar com Ele para o banquete de núpcias e ser contados entre os benditos, e não sejamos lançados, como servos maus e preguiçosos, no fogo eterno, nas trevas exteriores, onde "haverá choro e ranger de dentes"»633.

Ver também§ 1734§ 1428

  1. 633II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 48: AAS 57 (1965) 54.

Continua em § 1344–1344

1344

Assim, de celebração em celebração, anunciando o mistério pascal de Jesus «até que Ele venha» (), o Povo de Deus em peregrinação «avança pela porta estreita da cruz»174 para o banquete celeste, em que todos os eleitos se sentarão à mesa do Reino.

Ver também§ 1404

  1. 174II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 1: AAS 58 (1966) 947.

Continua em § 1889–1889

1889

Sem a ajuda da graça, os homens não seriam capazes de «descobrir o caminho, muitas vezes estreito, entre a cobardia que cede ao mal e a violência que, julgando combatê-lo, o agrava»13. É o caminho da caridade, ou seja, do amor de Deus e do próximo. A caridade constitui o maior mandamento social. Ela respeita o outro e os seus direitos, exige a prática da justiça, de que só ela nos torna capazes e inspira-nos uma vida de entrega: «Quem procurar preservar a vida, há-de perdê-la; quem a perder, há-de salvá-la» ().

Ver também§ 1825

  1. 13João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 25 AAS 83 (1991) 823.

Continua em § 2656–2656

AS VIRTUDES TEOLOGAIS
2656

Entra-se na oração como se entra na liturgia: pela porta estreita da fé. Através dos sinais da sua presença, é a face do Senhor que nós buscamos e desejamos, é a sua Palavra que nós queremos escutar e guardar.

Continua em § 2825–2827

2825

Jesus, «apesar de ser Filho, aprendeu, por aquilo que sofreu, o que é obedecer» (). Com quanto mais razão nós, criaturas e pecadores, que n'Ele nos tornamos filhos de adopção! Nós pedimos ao nosso Pai que una a nossa vontade à do seu Filho, para que se cumpra a vontade d'Ele, o seu plano de salvação para a vida do mundo. Somos radicalmente impotentes para tal, mas unidos a Jesus e com o poder do seu Espírito Santo, podemos entregar-Lhe a nossa vontade e decidir escolher o que o seu Filho sempre escolheu: fazer o que é do agrado do Pai89:

«Aderindo a Cristo, podemos tornar-nos um só espírito com Ele e assim cumprir a sua vontade; desse modo, ela será feita na terra como no céu»90. «Considerai como Jesus Cristo nos ensina a ser humildes, fazendo-nos ver que a nossa virtude não depende só do nosso trabalho, mas da graça de Deus. Aqui, Ele ordena a todo o fiel que ora a fazê-lo de modo universal, por toda a terra. Porque não diz "seja feita a vossa vontade" em mim ou em vós, mas "em toda a terra": para que dela seja banido o erro e nela reine a verdade, o vício seja destruído e a virtude refloresça, e para que a terra deixe de ser diferente do céu»91.

Ver também§ 615

  1. 89Cf. .
  2. 90Orígenes, De oratione, 26, 3: GCS 3, 361 (PG 11, 501).
  3. 91São João Crisóstomo, In Matthaeum homilia l9, 5: PG 57, 280.
2826

É pela oração que podemos discernir qual é a vontade de Deus92 e obter perseverança para a cumprir93. Jesus ensina-nos que se entra no Reino dos céus, não por palavras, mas «fazendo a vontade do meu Pai que está nos céus» ().

  1. 92Cf. ; .
  2. 93Cf. .
2827

«Se alguém honrar a Deus e cumprir a sua vontade, Ele o atende» ()94. Tal é o poder da oração da Igreja feita em nome do seu Senhor, sobretudo na Eucaristia; ela é comunhão de intercessão com a santíssima Mãe de Deus95 e com todos os santos que foram «agradáveis» ao Senhor por não terem querido senão a sua vontade:

«Podemos ainda, sem trair a verdade, traduzir estas palavras: "seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu" por estoutras: na Igreja como em nosso Senhor Jesus Cristo; na esposa que Lhe foi desposada, como no esposo que cumpriu a vontade do Pai»96.

Ver também§ 2611§ 796

  1. 94Cf. .
  2. 95Cf. .
  3. 96Santo Agostinho, De sermone Domini in monte, 2, 6, 24: CCL 35, 113 (PL34, 1279).
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