O Reino é dos pobres e pequenos, quer dizer, dos que o acolheram com um coração humilde. Jesus foi enviado para «trazer a Boa-Nova aos pobres» (Lc 4, 18)274. Declara-os bem-aventurados, porque «é deles o Reino dos céus» (Mt 5, 3). Foi aos «pequenos» que o Pai se dignou revelar o que continua oculto aos sábios e inteligentes275. Jesus partilha a vida dos pobres, desde o presépio até à cruz: sabe o que é sofrer a fome276, a sede277 e a indigência278. Mais ainda: identifica-se com os pobres de toda a espécie, e faz do amor activo para com eles a condição da entrada no seu Reino279.
§ 544–548
Jesus convida os pecadores para a mesa do Reino: «Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores» (Mc 2, 17)280. Convida-os à conversão sem a qual não se pode entrar no Reino, mas por palavras e actos, mostra-lhes a misericórdia sem limites do Seu Pai para com eles e a imensa «alegria que haverá no céu, por um só pecador que se arrependa» (Lc 15, 7). A prova suprema deste amor será o sacrifício da sua própria vida, «pela remissão dos pecados» (Mt 26, 28).
Ver também§ 1443§ 588§ 1846§ 1439
- 280Cf. 1 Tm 1, 15.
Jesus chama para entrar no Reino, por meio de parábolas, traço característico do seu ensino282. Por meio delas, convida para o banquete do Reino283, mas exige também uma opção radical: para adquirir o Reino é preciso dar tudo284. As palavras não bastam, exigem-se actos285. As parábolas são, para o homem, uma espécie de espelho: como é que ele recebe a Palavra? Como chão duro, ou como terra boa?286 Que faz ele dos talentos recebidos?287 Jesus e a presença do Reino neste mundo estão secretamente no coração das parábolas. É preciso entrar no Reino, quer dizer, tornar-se discípulo de Cristo, para «conhecer os mistérios do Reino dos céus» (Mt 13, 11). Para os que ficam «fora» (Mc 4, 11), tudo permanece enigmático288.
Jesus acompanha as suas palavras com numerosos «milagres, prodígios e sinais» (Act 2,22), os quais manifestam que o Reino está presente n'Ele. Comprovam que Ele é o Messias anunciado289.
- 289Cf. Lc 7. 18-23.
Os sinais realizados por Jesus testemunham que o Pai O enviou290. Convidam a crer n'Ele291. Aos que se Lhe dirigem com fé, concede-lhes o que pedem292. Assim, os milagres fortificam a fé n'Aquele que faz as obras do seu Pai: testemunham que Ele é o Filho de Deus293. Mas também podem ser «ocasião de queda»294. Eles não pretendem satisfazer a curiosidade nem desejos mágicos. Apesar de os seus milagres serem tão evidentes, Jesus é rejeitado por alguns295; chega mesmo a ser acusado de agir pelo poder dos demónios296.