Catecismo
Bíblia · ed. Ave Maria
Código de Direito Canónico
Cân.
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Catecismo
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§ 59, 145–146, 554–556, 568, 645, 999–1001, 2570–2571

DEUS ELEGE ABRAÃO
59

Para reunir a humanidade dispersa, Deus escolhe Abrão, chamando-o para «deixar a sua terra, a sua família e a casa de seu pai» (), para o fazer Abraão, quer dizer, «pai de um grande número de nações» (): «Em ti serão abençoadas todas as nações da Terra» ()18.

Ver também§ 145§ 2570

  1. 18Cf. .

Continua em § 145–146

ABRAÃO – «O PAI DE TODOS OS CRENTES»
145

A Epístola aos Hebreus, no grande elogio que faz da fé dos antepassados, insiste particularmente na fé de Abraão: «Pela fé, Abraão obedeceu ao chamamento de Deus, e partiu para uma terra que viria a receber como herança: partiu, sem saber para onde ia» ()4. Pela fé, viveu como estrangeiro e peregrino na terra prometida5. Pela fé, Sara recebeu a graça de conceber o filho da promessa. Pela fé, finalmente, Abraão ofereceu em sacrifício o seu filho único6.

Ver também§ 59§ 2570§ 489

  1. 4Cf. .
  2. 5Cf. .
  3. 6Cf. .
146

Abraão realiza assim a definição da fé dada pela Epístola aos Hebreus: «A fé constitui a garantia dos bens que se esperam, e a prova de que existem as coisas que não se vêem» (). «Abraão acreditou em Deus, e isto foi-lhe atribuído como justiça» ()7. «Fortalecido» por esta fé (), Abraão tornou-se «o pai de todos os crentes» ()8.

Ver também§ 1819

  1. 7Cf. .
  2. 8Cf. .

Continua em § 554–556

UM ANTEGOZO DO REINO: A TRANSFIGURAÇÃO
554

A partir do dia em que Pedro confessou que Jesus era o Cristo, Filho do Deus vivo, o Mestre «começou a explicar aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e lá sofrer [...], que tinha de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia» (). Pedro rejeita este anúncio e os outros também não o entendem312. É neste contexto que se situa o episódio misterioso da transfiguração de Jesus313, no cimo duma alta montanha, perante três testemunhas por Ele escolhidas: Pedro, Tiago e João. O rosto e as vestes de Jesus tornaram-se fulgurantes de luz, Moisés e Elias aparecem, «e falam da sua morte, que ia consumar-se em Jerusalém» (). Uma nuvem envolve-os e uma voz do céu diz: «Este é o meu Filho predilecto: escutai-O» ().

Ver também§ 697§ 2600§ 440

  1. 312Cf. ; .
  2. 313Cf. e par.: .
555

Por um momento, Jesus mostra a sua glória divina, confirmando assim a confissão de Pedro. Mostra também que, para «entrar na sua glória» (), tem de passar pela cruz em Jerusalém. Moisés e Elias tinham visto a glória de Deus sobre a montanha; a Lei e os Profetas tinham anunciado os sofrimentos do Messias314. A paixão de Jesus é da vontade do Pai: o Filho age como Servo de Deus315. A nuvem indica a presença do Espírito Santo: «Tota Trinitas apparuit: Pater in voce; Filius in homine; Spiritus in nube clara – Apareceu toda a Trindade: o Pai na voz; o Filho na humanidade; o Espírito Santo na nuvem luminosa»316:

«Transfiguraste-Te sobre a montanha e, na medida em que disso eram capazes, os teus discípulos contemplaram a tua glória, ó Cristo Deus; para que, quando Te vissem crucificado, compreendessem que a tua paixão era voluntária, e anunciassem ao mundo que Tu és verdadeiramente a irradiação do Pai»317.

Ver também§ 2576§ 2583§ 257

  1. 314Cf. Lc 24. 27.
  2. 315Cf. .
  3. 316São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3. q. 45, a. 4, ad 2: Ed. Leon. 11, 433.
  4. 317Liturgia bizantina, Kontakion na Festa da Transfiguração: «Mênaîa toû bólou eniautoû», v. 6 (Romae 1901) p. 341.
556

No limiar da vida pública, o baptismo; no limiar da Páscoa, a transfiguração. Pelo baptismo de Jesus «declaratum fuit mysterium primae regenerationis – foi declarado o mistério da (nossa) primeira regeneração» – o nosso Baptismo; e a transfiguração «est sacramentum secundae regenerationis – é o sacramento da (nossa) segunda regeneração» – a nossa própria ressurreição318. Desde agora, nós participamos na ressurreição do Senhor pelo Espírito Santo que actua nos sacramentos do Corpo de Cristo. A transfiguração dá-nos um antegozo da vinda gloriosa de Cristo, «que transfigurará o nosso corpo miserável para o conformar com o seu corpo glorioso» (). Mas lembra-nos também que temos de passar por muitas tribulações para entrar no Reino de Deus» ():

«Era isso que Pedro ainda não tinha compreendido, quando manifestava o desejo de ficar com Cristo no cimo da montanha319. – Isso, Ele to reservou, Pedro, para depois da morte. Mas agora, Ele próprio te diz: Desce para sofrer na Terra, para servir na Terra, para ser desprezado e crucificado na Terra. A Vida desce para se fazer matar: o Pão desce para passar fome; o Caminho desce para se cansar de andar; a Fonte desce para ter sede; – e tu recusas-te a sofrer?»320.

Ver também§ 1003

  1. 318Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3, q. 45. a. 4, ad 2: Ed. Leon. 11, 433.
  2. 319Cf. Lc 9. 33.
  3. 320Santo Agostinho, Sermão 78. 6: PL 38, 492-493.

Continua em § 568–568

568

A transfiguração de Cristo tem por fim fortalecer a fé dos Apóstolos em vista da paixão: a subida à «alta montanha» prepara a subida ao Calvário. Cristo, cabeça da Igreja, manifesta o que o seu Corpo contém e irradia nos sacramentos: «a esperança da Glória» ()334.

  1. 334Cf. São Leão Magno, Sermão 51, 3: CCL 138A, 298-299 (PL 54. 310).

Continua em § 645–645

O ESTADO DA HUMANIDADE RESSUSCITADA DE CRISTO
645

Jesus Ressuscitado estabeleceu com os seus discípulos relações directas, através do contacto físico564 e da participação na refeição565. Desse modo, convida-os a reconhecer que não é um espírito566, e sobretudo a verificar que o corpo ressuscitado, com o qual se lhes apresenta, é o mesmo que foi torturado e crucificado, pois traz ainda os vestígios da paixão567. No entanto, este corpo autêntico e real possui, ao mesmo tempo, as propriedades novas dum corpo glorioso: não está situado no espaço e no tempo, mas pode, livremente, tornar-se presente onde e quando quer568, porque a sua humanidade já não pode ser retida sobre a terra e já pertence exclusivamente ao domínio divino do Pai569. Também por este motivo, Jesus Ressuscitado é soberanamente livre de aparecer como quer: sob a aparência dum jardineiro570 ou «com um aspecto diferente» () daquele que era familiar aos discípulos; e isso, precisamente, para lhes despertar a fé571.

Ver também§ 999

  1. 564Cf. ; .
  2. 565Cf. : .
  3. 566Cf. .
  4. 567Cf. : .
  5. 568Cf. ; ; ; 21, 4.
  6. 569Cf. .
  7. 570Cf. .
  8. 571Cf. ; 21, 4.7.

Continua em § 999–1001

999

Como? Cristo ressuscitou com o seu próprio corpo: «Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo» (); mas não regressou a uma vida terrena. De igual modo, n'Ele «todos ressuscitarão com o seu próprio corpo, com o corpo que agora têm»575, mas esse corpo será «transformado em corpo glorioso»576 em «corpo espiritual» ():

«Alguém poderia perguntar: "Como ressuscitam os mortos? Com que espécie de corpo voltam eles?" Insensato! O que tu semeias não volta à vida sem morrer. E o que semeias não é o corpo que há-de vir, é um simples grão [...]. O que é semeado sujeito à corrupção ressuscita incorruptível; [...] os mortos ressuscitarão incorruptíveis [...]. É, de facto, necessário que este ser corruptível se revista de incorruptibilidade, que este ser mortal se revista de imortalidade» ().

Ver também§ 640§ 645

  1. 575IV Concílio de Trento, c. 1. De fide catholica: DS 801.
  2. 576Cf. .
1000

Este «como» ultrapassa a nossa imaginação e o nosso entendimento; só na fé se torna acessível. Mas a nossa participação na Eucaristia dá-nos já um antegozo da transfiguração do nosso corpo, operada por Cristo:

«Assim como, depois de ter recebido a invocação de Deus, o pão que vem da terra deixa de ser pão ordinário e é Eucaristia, constituída por duas coisas, uma terrena, outra celeste, do mesmo modo os nossos corpos, que participam na Eucaristia, já não são corruptíveis, pois têm a esperança da ressurreição»577.

Ver também§ 647§ 1405

  1. 577Santo Ireneu de Lião, Adversus Haereses 4, 18, 5: SC 100, 610-612 (PG 7, 1028-1029).
1001

Quando? Definitivamente o no último dia» (; 11, 24), «no fim do mundo»578. Com efeito, a ressurreição dos mortos está intimamente associada à Parusia de Cristo:

«Ao sinal dado, à voz do arcanjo e ao som da trombeta divina, o próprio Senhor descerá do céu e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro» ().

Ver também§ 1038§ 673

  1. 578II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 48: AAS 57 (1965) 54.

Continua em § 2570–2571

A PROMESSA E A ORAÇÃO DA FÉ
2570

Quando Deus o chama, Abraão parte «como o Senhor lhe tinha mandado» (). O seu coração está completamente «submetido à Palavra»: ele obedece. A escuta do coração que se decide em conformidade com Deus é essencial à oração; as palavras têm um valor relativo. Mas a oração de Abraão exprime-se, antes de mais, em actos: homem de silêncio, constrói, em cada etapa, um altar ao Senhor. Só mais tarde é que aparece a sua primeira oração por palavras: uma queixa velada que lembra a Deus as suas promessas que não parecem cumprir-se10. Assim nos aparece, desde o princípio, um dos aspectos do drama da oração: a prova da fé na fidelidade de Deus.

Ver também§ 145

  1. 10Cf. .
2571

Tendo acreditado em Deus11 caminhando na sua presença e em aliança com Ele12, o patriarca está pronto para acolher na sua tenda o Hóspede misterioso: é a admirável hospitalidade de Mambré, prelúdio da Anunciação do verdadeiro Filho da promessa13. Desde então, tendo-lhe Deus confiado o seu desígnio, o coração de Abraão fica em sintonia com a compaixão do seu Senhor pelos homens e ousa interceder por eles com uma confiança audaciosa14.

Ver também§ 494§ 2635

  1. 11Cf. .
  2. 12Cf. .
  3. 13Cf. ; .
  4. 14Cf. .
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Concílios e documentos papais · Santa Sé · vatican.va

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