Catecismo

§ 608–615

«O CORDEIRO QUE TIRA O PECADO DO MUNDO»
608

Depois de ter aceitado dar-Lhe o baptismo como aos pecadores464, João Baptista viu e mostrou em Jesus o «Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo»465. Manifestou deste modo que Jesus é, ao mesmo tempo, o Servo sofredor, que Se deixa levar ao matadouro sem abrir a boca466, carregando os pecados das multidões467, e o cordeiro pascal, símbolo da redenção de Israel na primeira Páscoa468, Toda a vida de Cristo manifesta a sua missão: «servir e dar a vida como resgate pela multidão»469.

Ver também§ 523§ 517

  1. 464Cf. Lc 3, 21; Mt 3, 14-15.
  2. 465Cf. Jo 1, 29.36.
  3. 466Cf. Is 53, 7: Jr 11,19.
  4. 467Cf. Is 53, 12.
  5. 468Cf. Ex 12, 3-14; Jo 19, 36; 1 Cor 5, 7.
  6. 469Cf. Mc 10, 45.
JESUS PARTILHA LIVREMENTE O AMOR REDENTOR DO PAI
609

Ao partilhar, no seu coração humano, o amor do Pai para com os homens, Jesus «amou-os até ao fim» (Jo 13, 1), «pois não há maior amor do que dar a vida por aqueles que se ama» (Jo 15, 13). Assim, no sofrimento e na morte, a sua humanidade tornou-se instrumento livre e perfeito do seu amor divino, que quer a salvação dos homens470. Com efeito, Ele aceitou livremente a sua paixão e morte por amor do Pai e dos homens a quem o Pai quer salvar: «Ninguém Me tira a vida. Sou Eu que a dou espontaneamente» (Jo 10, 18). Daí, a liberdade soberana do Filho de Deus, quando Ele próprio vai ao encontro da morte471.

Ver também§ 478§ 515§ 272§ 539

  1. 470Cf. Heb 2, 10.17-18; 4, 15; 5, 7-9.
  2. 471Cf. Jo 18, 4-6; Mt 26, 53.
NA CEIA, JESUS ANTECIPOU A OBLAÇÃO LIVRE DA SUA VIDA
610

Jesus exprimiu de modo supremo a oblação livre de Si mesmo na refeição que tornou com os doze Apóstolos472, na «noite em que foi entregue» (1 Cor 11, 23). Na véspera da sua paixão, quando ainda era livre, Jesus fez desta última Ceia com os Apóstolos o memorial da sua oblação voluntária ao Pai473 para a salvação dos homens: «Isto é o meu Corpo, que vai ser entregue por vós» (Lc 22, 19). «Isto é o meu "Sangue da Aliança", que vai ser derramado por uma multidão, para remissão dos pecados» (Mt 26, 28).

Ver também§ 766§ 1337

  1. 472Cf. Mt 26, 20.
  2. 473Cf. 1 Cor 5, 7.
611

A Eucaristia, que neste momento instituiu, será o «memorial»474 do seu sacrifício. Jesus incluiu os Apóstolos na sua própria oferenda e pediu-lhes que a perpetuassem475. Desse modo, instituiu os Apóstolos como sacerdotes da Nova Aliança: «Eu consagro-me por eles, para que também eles sejam consagrados na verdade» (Jo 17, 19)476.

Ver também§ 1364§ 1341§ 1566

  1. 474Cf. 1 Cor 11, 25.
  2. 475Cf. Lc 22, 19.
  3. 476Cf. Concílio de Trento, Sess. 22ª, Doctrina de sanctissimo Missae Sacriftcio, canon 2: DS 1752: Sess. 23ª, Doctrina de sacramento Ordinis, c. 1: DS 1764.
A AGONIA NO GETSÉMANI
612

O cálice da Nova Aliança, que Jesus antecipou na Ceia, oferecendo-Se a Si mesmo477, é aceite seguidamente por Jesus das mãos do Pai, na agonia no Getsémani478, fazendo-Se «obediente até á morte» (Fl 2, 8)479. Na sua oração, Jesus diz: «Meu Pai, se é possível, que se afaste de Mim este cálice [...]» (Mt 26, 39). Exprime desse modo o horror que a morte representa para a sua natureza humana. Com efeito, esta, como a nossa, está destinada à vida eterna. Mas, diferentemente da nossa, é perfeitamente isenta do pecado480 que causa a morte481. E, sobretudo, é assumida pela pessoa divina do «Príncipe da Vida»482, do «Vivente»483. Aceitando, com a sua vontade humana, que se faça a vontade do Pai484 aceita a sua morte enquanto redentora, para «suportar os nossos pecados no seu corpo, no madeiro da cruz» (1 Pe 2, 24).

Ver também§ 532§ 2600§ 1009

  1. 477Cf. Lc 22, 20.
  2. 478Cf. Mt 26, 42.
  3. 479Cf. Heb 5, 7-8.
  4. 480Cf. Heb 4, 15.
  5. 481Cf. Rm 5, 12.
  6. 482Cf. Act 3, 15.
  7. 483Cf. Ap 1, 18; Jo 1, 4; 5, 26.
  8. 484Cf. Mt 26, 42.
A MORTE DE CRISTO É O SACRIFÍCIO ÚNICO E DEFINITIVO
613

A morte de Cristo é, ao mesmo tempo, o sacrifício pascal que realiza a redenção definitiva dos homens485 por meio do «Cordeiro que tira o pecado do mundo»486, e o sacrifício da Nova Aliança487que restabelece a comunhão entre o homem e Deus488, reconciliando-o com Ele pelo «sangue derramado pela multidão, para a remissão dos pecados»489.

Ver também§ 1366§ 2009

  1. 485Cf. 1 Cor 5, 7; Jo 8, 34-36.
  2. 486Cf. Jo 1, 29: 1 Pe 1, 19.
  3. 487Cf. 1 Cor 11, 25.
  4. 488Cf. Ex 24, 8.
  5. 489Cf. Mt 26, 28; Lv 16, 15-16.
614

Este sacrifício de Cristo é único, leva à perfeição e ultrapassa todos os sacrifícios490. Antes de mais, é um dom do próprio Deus Pai: é o Pai que entrega o seu Filho para nos reconciliar consigo491. Ao mesmo tempo, é oblação do Filho de Deus feito homem, que livremente e por amor492 oferece a sua vida493 ao Pai pelo Espírito Santo494 para reparar a nossa desobediência.

Ver também§ 529§ 1330§ 2100

  1. 490Cf. Heb 10, 10.
  2. 491Cf. 1 Jo 4, 10.
  3. 492Cf. Jo 15, 13.
  4. 493Cf. Jo 10, 17-18.
  5. 494Cf. Heb 9, 14.
JESUS SUBSTITUI A NOSSA DESOBEDIÊNCIA PELA SUA OBEDIÊNCIA
615

«Como pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, pela obediência de um só, muitos se tornarão justos» (Rm 5, 19). Pela sua obediência até à morte, Jesus realizou a acção substitutiva do Servo sofredor, que oferece a sua vida como sacrifício de expiação, ao carregar com o pecado das multidões, que justifica carregando Ele próprio com as suas faltas495. Jesus reparou as nossas faltas e satisfez ao Pai pelos nossos pecados496.

Ver também§ 1850§ 433§ 411

  1. 495Cf. Is 53, 10-12.
  2. 496Cf. Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decretum de iustificatione, c. 7: DS 1529.
Por exemplo

Pesquisa em todo o texto do Catecismo · escreva várias palavras para refinar.

navegar abriresc fechar
Bíblia · ed. Ave Maria
Bíblia Sagrada · edição Ave Maria
Código de Direito Canónico
Cân.
Catecismo
§
Definições

Tema

Tamanho de letra

Marcadores

Contactos

Erros, sugestões ou dúvidas: catecismopt@gmail.com

Fontes e créditos

Catecismo — texto oficial · © Libreria Editrice Vaticana · vatican.va

Sagrada Escritura — Bíblia Sagrada, edição Ave Maria

Padres da Igreja, Doutores e Suma Teológica · newadvent.org

S. Josemaría Escrivá · escriva.org

Concílios e documentos papais · Santa Sé · vatican.va

Remissões marginais («Ver também») — os números que a edição típica do Catecismo põe à margem de cada parágrafo, a apontar para outros parágrafos sobre o mesmo tema. O vatican.va não os publica; vêm da transcrição da paróquia de St. Charles Borromeo (só números, sem texto).

Curso de doutrina católica em 10 sessões — aulas do Pe. Miguel Cabral · Oratório de São Josemaria
Vídeo e áudio pertencem ao Oratório; aqui só se liga a cada aula e se juntam as perguntas do Compêndio e os parágrafos do Catecismo.

Índice analítico e índice litúrgico · catecismo.net
Do catecismo.net vêm só os índices: que parágrafos correspondem a cada termo e a cada dia litúrgico. O texto é sempre o do vatican.va.

Política de privacidade
Sem contas, sem cookies, sem rastreio. O que guardas fica no teu dispositivo.

Outros projectos

O texto do Catecismo, a Sagrada Escritura e as citações são os oficiais, copiados da fonte e conferidos um a um. Nada é inventado. Em alguns parágrafos há uma ajuda «Em palavras simples»: é uma explicação nossa, sempre assinalada como tal, por baixo do texto oficial.

Não recolhemos nada sobre ti. Não há conta, nem registo, nem cookies, nem estatísticas, nem publicidade. Os marcadores e as notas ficam guardados só neste aparelho. A única ligação externa é o pedido das leituras do dia a um serviço público de liturgia; como qualquer sítio na internet, esse serviço vê o teu endereço IP. Se falhar, o cartão simplesmente não aparece.

Projecto sem fins lucrativos, de uso educacional.