O cálice da Nova Aliança, que Jesus antecipou na Ceia, oferecendo-Se a Si mesmo477, é aceite seguidamente por Jesus das mãos do Pai, na agonia no Getsémani478, fazendo-Se «obediente até á morte» (Fl 2, 8)479. Na sua oração, Jesus diz: «Meu Pai, se é possível, que se afaste de Mim este cálice [...]» (Mt 26, 39). Exprime desse modo o horror que a morte representa para a sua natureza humana. Com efeito, esta, como a nossa, está destinada à vida eterna. Mas, diferentemente da nossa, é perfeitamente isenta do pecado480 que causa a morte481. E, sobretudo, é assumida pela pessoa divina do «Príncipe da Vida»482, do «Vivente»483. Aceitando, com a sua vontade humana, que se faça a vontade do Pai484 aceita a sua morte enquanto redentora, para «suportar os nossos pecados no seu corpo, no madeiro da cruz» (1 Pe 2, 24).
§ 612–614
A AGONIA NO GETSÉMANI
612
A MORTE DE CRISTO É O SACRIFÍCIO ÚNICO E DEFINITIVO
613
A morte de Cristo é, ao mesmo tempo, o sacrifício pascal que realiza a redenção definitiva dos homens485 por meio do «Cordeiro que tira o pecado do mundo»486, e o sacrifício da Nova Aliança487que restabelece a comunhão entre o homem e Deus488, reconciliando-o com Ele pelo «sangue derramado pela multidão, para a remissão dos pecados»489.
614
Este sacrifício de Cristo é único, leva à perfeição e ultrapassa todos os sacrifícios490. Antes de mais, é um dom do próprio Deus Pai: é o Pai que entrega o seu Filho para nos reconciliar consigo491. Ao mesmo tempo, é oblação do Filho de Deus feito homem, que livremente e por amor492 oferece a sua vida493 ao Pai pelo Espírito Santo494 para reparar a nossa desobediência.