O cálice da Nova Aliança, que Jesus antecipou na Ceia, oferecendo-Se a Si mesmo477, é aceite seguidamente por Jesus das mãos do Pai, na agonia no Getsémani478, fazendo-Se «obediente até á morte» ()479. Na sua oração, Jesus diz: «Meu Pai, se é possível, que se afaste de Mim este cálice [...]» (). Exprime desse modo o horror que a morte representa para a sua natureza humana. Com efeito, esta, como a nossa, está destinada à vida eterna. Mas, diferentemente da nossa, é perfeitamente isenta do pecado480 que causa a morte481. E, sobretudo, é assumida pela pessoa divina do «Príncipe da Vida»482, do «Vivente»483. Aceitando, com a sua vontade humana, que se faça a vontade do Pai484 aceita a sua morte enquanto redentora, para «suportar os nossos pecados no seu corpo, no madeiro da cruz» ().
§ 612–615
A morte de Cristo é, ao mesmo tempo, o sacrifício pascal que realiza a redenção definitiva dos homens485 por meio do «Cordeiro que tira o pecado do mundo»486, e o sacrifício da Nova Aliança487que restabelece a comunhão entre o homem e Deus488, reconciliando-o com Ele pelo «sangue derramado pela multidão, para a remissão dos pecados»489.
Este sacrifício de Cristo é único, leva à perfeição e ultrapassa todos os sacrifícios490. Antes de mais, é um dom do próprio Deus Pai: é o Pai que entrega o seu Filho para nos reconciliar consigo491. Ao mesmo tempo, é oblação do Filho de Deus feito homem, que livremente e por amor492 oferece a sua vida493 ao Pai pelo Espírito Santo494 para reparar a nossa desobediência.
«Como pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, pela obediência de um só, muitos se tornarão justos» (). Pela sua obediência até à morte, Jesus realizou a acção substitutiva do Servo sofredor, que oferece a sua vida como sacrifício de expiação, ao carregar com o pecado das multidões, que justifica carregando Ele próprio com as suas faltas495. Jesus reparou as nossas faltas e satisfez ao Pai pelos nossos pecados496.