Catecismo
Bíblia · ed. Ave Maria
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§ 634–641

634

«A Boa-Nova foi igualmente anunciada aos mortos...» (). A descida à mansão dos mortos é o cumprimento, até à plenitude, do anúncio evangélico da salvação. É a última fase da missão messiânica de Jesus, fase condensada no tempo, mas imensamente vasta no seu significado real de extensão da obra redentora a todos os homens de todos os tempos e de todos os lugares, porque todos aqueles que se salvaram se tornaram participantes da redenção.

Ver também§ 605

635

Cristo, portanto, desceu aos abismos da morte539, para que «os mortos ouvissem a voz do Filho do Homem e os que a ouvissem, vivessem» (). Jesus, «o Príncipe da Vida»540, «pela sua morte, reduziu à impotência aquele que tem o poder da morte, isto é, o Diabo, e libertou quantos, por meio da morte, se encontravam sujeitos à servidão durante a vida inteira» (). Desde agora, Cristo ressuscitado «detém as chaves da morte e do Hades» () e «ao nome de Jesus todos se ajoelhem, no céu, na terra e nos abismos» ().

«Um grande silêncio reina hoje sobre a terra; um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o rei dorme. A terra estremeceu e ficou silenciosa, porque Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos [...]. Vai à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Quer visitar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte. Vai libertar Adão do cativeiro da morte. Ele que é ao mesmo tempo seu Deus e seu filho [...] "Eu sou o teu Deus, que por ti me fiz teu filho [...] Desperta tu que dormes, porque Eu não te criei para que permaneças cativo no reino dos mortos: levanta-te de entre os mortos; Eu sou a vida dos mortos"»541.

  1. 539Cf ; ; .
  2. 540Cf. .
  3. 541Antiga homilia para Sábado Santo: PG 43. 440.452.461 [Sábado Santo, 2ª Leitura do Ofício de Leituras: Liturgia das Horas, s. 2 (Gráfica de Coimbra 1983) p. 454-4551.
Resumindo:
636

Na expressão «Jesus desceu à mansão dos mortos», o Símbolo confessa que Jesus morreu realmente, e que, por ter morrido por nós, venceu a morte e o Diabo «que tem o poder da morte» ().

637

Cristo morto, na sua alma unida à pessoa divina, desceu à morada dos mortos. E abriu aos justos, que O tinham precedido, as portas do céu.

PARÁGRAFO 2
AO TERCEIRO DIA, RESSUSCITOU DOS MORTOS
638

«Nós vos anunciamos a Boa-Nova de que a promessa feita aos nossos pais, a cumpriu Deus para nós, seus filhos, ao ressuscitar Jesus» (). A ressurreição de Jesus é a verdade culminante da nossa fé em Cristo, acreditada e vivida como verdade central pela primeira comunidade cristã, transmitida como fundamental pela Tradição, estabelecida pelos documentos do Novo Testamento, pregada como parte essencial do mistério pascal, ao mesmo tempo que a cruz:

«Cristo ressuscitou dos mortos.

Pela Sua morte venceu a morte,

e aos mortos deu a vida»542.

Ver também§ 90§ 651§ 991

  1. 542Liturgia bizantina, Tropário no dia de Páscoa: «Pentêkostárion» (Romae 1884) p.6.
I. Acontecimento histórico e transcendente
639

O mistério da ressurreição de Cristo é um acontecimento real, com manifestações historicamente verificadas, como atesta o Novo Testamento. Já São Paulo, por volta do ano 56, pôde escrever aos Coríntios: «Transmiti-vos, em primeiro lugar, o mesmo que havia recebido: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras: a seguir, apareceu a Pedro, depois aos Doze» (). O Apóstolo fala aqui da tradição viva da ressurreição, de que tinha tomado conhecimento após a sua conversão, às portas de Damasco543.

  1. 543Cf. .
O TÚMULO VAZIO
640

«Por que motivo procurais entre os mortos Aquele que está vivo? Não está aqui, ressuscitou» (). No quadro dos acontecimentos da Páscoa, o primeiro elemento que se nos oferece é o sepulcro vazio. Isso não é, em si, uma prova directa. A ausência do corpo de Cristo do sepulcro poderia explicar-se doutro modo544. Apesar disso, o sepulcro vazio constitui, para todos, um sinal essencial. A descoberta do facto pelos discípulos foi o primeiro passo para o reconhecimento do facto da ressurreição. Foi, primeiro, o caso das santas mulheres545, depois o de Pedro546. «O discípulo que Jesus amava» () afirma que, ao entrar no sepulcro vazio e ao descobrir «os lençóis no chão» (), «viu e acreditou»547; o que supõe que ele terá verificado, pelo estado em que ficou o sepulcro vazio "', que a ausência do corpo de Jesus não podia ter sido obra humana e que Jesus não tinha simplesmente regressado a uma vida terrena, como fora o caso de Lázaro549.

Ver também§ 999

  1. 544Cf. Jo 20, l3; .
  2. 545Cf. .
  3. 546Cf. .
  4. 547Cf. .
  5. 549Cf. .
AS APARIÇÕES DO RESSUSCITADO
641

Maria Madalena e as santas mulheres, que vinham para acabar de embalsamar o corpo de Jesus550, sepultado à pressa por causa do início do «Sábado», no fim da tarde de Sexta-feira Santa551, foram as primeiras pessoas a encontra-se com o Ressuscitado552. Assim, as mulheres foram as primeiras mensageiras da ressurreição de Cristo para os próprios Apóstolos553. Em seguida, foi a eles que Jesus apareceu: primeiro a Pedro, depois aos Doze554. Pedro, incumbido de consolidar a fé dos seus irmãos555, vê, portanto, o Ressuscitado antes deles e é com base no seu testemunho que a comunidade exclama: «Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão» ().

Ver também§ 553§ 448

  1. 550Cf. Mc 16, l ; .
  2. 551Cf. .
  3. 552Cf. ; .
  4. 553Cf. .
  5. 554Cf. .
  6. 555Cf. .
Por exemplo

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Catecismo — texto oficial · © Libreria Editrice Vaticana · vatican.va

Sagrada Escritura — Bíblia Sagrada, edição Ave Maria

Concílios e documentos papais · Santa Sé · vatican.va

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Do Evangelho ao Catecismo — vídeos do iVangelho, um projecto da Paróquia de Monte Abraão · CC BY-NC 4.0
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