Jesus Cristo, cabeça da Igreja, precede-nos no Reino glorioso do Pai, para que nós, membros do seu corpo, vivamos na esperança de estarmos um dia eternamente com Ele.
§ 666–670
Jesus Cristo, tendo entrado, uma vez por todas, no santuário dos céus, intercede incessantemente por nós, como mediador que nos garante permanentemente a efusão do Espírito Santo.
«Cristo morreu e voltou à vida para ser Senhor dos mortos e dos vivos» (Rm 14, 9). A ascensão de Cristo aos céus significa a sua participação, na sua humanidade, no poder e autoridade do próprio Deus. Jesus Cristo é Senhor: Ele possui todo o poder nos céus e na Terra. Está «acima de todo o principado, poder, virtude e soberania», porque o Pai «tudo submeteu a seus pés»(Ef 1, 20-22). Cristo é o Senhor do cosmos605 e da história, N'Ele, a história do homem, e até a criação inteira, encon­tram a sua «recapitulação»606, o seu acabamento transcendente.
Como Senhor, Cristo é também a cabeça da Igreja, que é o seu corpo607. Elevado ao céu e glorificado, tendo assim cumprido plenamente a sua missão, continua na terra por meio da Igreja. A redenção é a fonte da autoridade que Cristo, em virtude do Espírito Santo, exerce sobre a Igreja608. «O Reino de Cristo já está misteriosamente presente na Igreja»609, «gérmen e princípio deste mesmo Reino na Terra»610.
- 607Cf. Ef 1, 22.
- 608Cf. Ef 4, 11-13.
- 609Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 3: AAS 57 (1965) 6.
- 610Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 5: AAS 57 (1965) 8.
Depois da ascensão, o desígnio de Deus entrou na sua consumação. Estamos já na «última hora» (1 Jo 2, 18)611. «Já chegou pois, a nós, a plenitude dos tempos, a renovação do mundo já está irrevogavelmente adquirida e, de certo modo, encontra-se já realmente antecipada neste tempo: com efeito, ainda aqui na Terra, a Igreja está aureolada de uma verdadeira, embora imperfeita, santidade»612. O Reino de Cristo manifesta já a sua presença pelos sinais miraculosos613 que acompanham o seu anúncio pela Igreja614.
- 611Cf. 1 Pe 4, 7.
- 612Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 48: AAS 57 (1965) 53.
- 613Cf. Mc 16, 17-18.
- 614Cf. Mc 16, 20.