Catecismo
Bíblia · ed. Ave Maria
Código de Direito Canónico
Cân.
Documento

§ 688–699

688

A Igreja, comunhão viva na fé dos Apóstolos que ela transmite, é o lugar do nosso conhecimento do Espírito Santo:

— Nas Escrituras, que Ele inspirou:

— na Tradição, de que os Padres da Igreja são testemunhas sempre actuais;

— no Magistério da Igreja, que Ele assiste;

— na liturgia sacramental, através das suas palavras e dos seus símbolos, em que o Espírito Santo nos põe em comunhão com Cristo;

— na oração, em que Ele intercede por nós;

— nos carismas e ministérios, pelos quais a Igreja é edificada;

— nos sinais de vida apostólica e missionária;

— no testemunho dos santos, nos quais Ele manifesta a sua santidade e continua a obra da salvação.

I. A missão conjunta do Filho e do Espírito
689

Aquele que o Pai enviou aos nossos corações, o Espírito do seu Filho7, é realmente Deus. Consubstancial ao Pai e ao Filho, é d'Eles inseparável, tanto na vida íntima da Trindade como no seu dom de amor pelo mundo. Mas ao adorar a Santíssima Trindade, vivificante, consubstancial e indivisível, a fé da Igreja professa também a distinção das Pessoas. Quando o Pai envia o seu Verbo, envia sempre o seu Espírito: missão conjunta na qual o Filho e o Espírito Santo são distintos mas inseparáveis. Sem dúvida, é Cristo quem aparece, Ele que é a Imagem visível de Deus invisível; mas é o Espírito Santo quem O revela.

Ver também§ 245§ 254§ 485

  1. 7Cf. .
690

Jesus é Cristo, «ungido», porque o Espírito é d'Ele a Unção; e tudo quanto acontece a partir da Encarnação, decorre desta plenitude8. Finalmente, quando Cristo é glorificado9, pode, por sua vez, enviar de junto do Pai, o Espírito, aos que crêem n'Ele: comunica-lhes a sua glória10, quer dizer, o Espírito Santo que O glorifica11. A missão conjunta desenvolver-se-á, a partir desse momento, nos filhos adoptados pelo Pai no Corpo do seu Filho: a missão do Espírito de adopção consistirá em uni-los a Cristo e fazê-los viver n' Ele:

«A unção sugere... que não há nenhuma distância entre o Filho e o Espírito. Com efeito, do mesmo modo que entre a superfície do corpo e a unção do óleo, nem a razão nem os sentidos encontram qualquer entremeio, assim é imediato o contacto do Filho com o Espírito, de tal modo que aquele que vai tomar contacto com o Filho pela fé, tem que contactar primeiro com o óleo. Com efeito, não há pane alguma que esteja despida do Espírito Santo. É por isso que a confissão do Senhorio do Filho se faz no Espírito Santo para aqueles que a recebem, pois o Espírito vem, de todos os lados, ao encontro daqueles que se aproximam pela fé»12.

Ver também§ 436§ 788§ 448

  1. 8Cf. .
  2. 9Cf. .
  3. 10Cf. .
  4. 11Cf. .
  5. 12São Gregório de Nissa, Adversus Macedonianos de Spiritu Sancto, 16: Gregorii Nysseni
II. O nome, as designações e os símbolos do Espírito Santo
O NOME PRÓPRIO DO ESPÍRITO SANTO
691

«Espírito Santo», tal á o nome próprio d'Aquele que adoramos e glorificamos com o Pai e o Filho. A Igreja recebeu este nome do Senhor e professa-o no Baptismo dos seus novos filhos13.

O termo «Espírito» traduz o termo hebraico « Ruah» que, na sua primeira acepção, significa sopro, ar, vento. Jesus utiliza precisamente a imagem sensível do vento para sugerir a Nicodemos a novidade transcendente d'Aquele que é pessoalmente o Sopro de Deus, o Espírito divino14. Por outro lado, Espírito e Santo são atributos divinos comuns às três Pessoas divinas. Mas, juntando os dois termos, a Escritura, a Liturgia e a linguagem teológica designam a Pessoa inefável do Espírito Santo, sem equívoco possível com os outros empregos dos termos «espírito» e «santo».

  1. 13Cf. .
  2. 14Cf. .
AS DESIGNAÇÕES DO ESPÍRITO SANTO
692

Jesus, ao anunciar e prometer a vinda do Espírito Santo, chama-Lhe o «Paráclito», que, à letra, quer dizer: «aquele que é chamado para junto», ad vocatus (; 15, 26; 16, 7). «Paráclito» traduz-se habitualmente por «Consolador», sendo Jesus o primeiro consolador15. O próprio Senhor chama ao Espírito Santo «o Espírito da verdade»16.

Ver também§ 1433

  1. 15Cf. (paráklêton).
  2. 16Cf. Jo 16. 13.
693

Além do seu nome próprio, que é o mais empregado nos Actos dos Apóstolos e nas epístolas, encontramos em S. Paulo as designações: Espírito da promessa (; ), Espírito de adopção (: ), Espírito de Cristo (), Espírito do Senhor (). Espírito de Deus (; 15, 19; ; 7, 40), e em S. Pedro, Espírito de glória ().

OS SÍMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO
694

A água. O simbolismo da água é significativo da acção do Espírito Santo no Baptismo, pois que, após a invocação do Espírito Santo, ela torna-se o sinal sacramental eficaz do novo nascimento. Do mesmo modo que a gestação do nosso primeiro nascimento se operou na água, assim a água baptismal significa realmente que o nosso nascimento para a vida divina nos é dado no Espírito Santo. Mas, «baptizados num só Espírito», «a todos nos foi dado beber de um único Espírito» (): portanto, o Espírito é também pessoalmente a Agua viva que brota de Cristo crucificado17 como da sua fonte, e jorra em nós para a vida eterna18.

Ver também§ 1218§ 2652

  1. 17Cf. ; .
  2. 18Cf. ; 7, 38: : ; : . ; 22, 17.
695

A unção. O simbolismo da unção com óleo é também significativo do Espírito Santo, a ponto de se tomar o seu sinónimo19. Na iniciação cristã, ela é o sinal sacramental da Confirmação, que justamente nas Igrejas Orientais se chama «Crismação». Mas, para lhe apreender toda a força, temos de voltar à primeira unção realizada pelo Espírito Santo: a de Jesus. Cristo («Messias» em hebraico) significa «ungido» pelo Espírito de Deus. Houve «ungidos» do Senhor na antiga Aliança20, sobretudo o rei David21. Mas Jesus é o ungido de Deus de maneira única: a humanidade que o Filho assume é totalmente «ungida pelo Espírito Santo». Jesus é constituído «Cristo» pelo Espírito Santo22. A Virgem Maria concebe Cristo do Espírito Santo, que pelo anjo O anuncia como Cristo aquando do seu nascimento23 e leva Simeão a ir ao templo ver o Cristo do Senhor24. É Ele que enche Cristo25 e cujo poder emana de Cristo nos seus actos de cura e salvamento26. Finalmente, é Ele que ressuscita Jesus de entre os mortos27. Então, plenamente constituído «Cristo» na sua humanidade vencedora da morte28, Jesus difunde em profusão o Espírito Santo, até que «os santos» constituam, na sua união à humanidade do Filho de Deus, o «homem adulto à medida completa da plenitude de Cristo» (), «o Cristo total», para empregar a expressão de Santo Agostinho29.

Ver também§ 1293§ 436§ 1504§ 794

  1. 19Cf. ; .
  2. 20Cf. .
  3. 21Cf. .
  4. 22Cf. ; .
  5. 23Cf. .
  6. 24.
  7. 25Cf. .
  8. 26Cf. ; 8, 46.
  9. 27Cf. ; 8, 11.
  10. 28Cf. .
  11. 29Santo Agostinho, Sermão 341, 1, 1: PL 39, 1493: Ibid. 9, 11: PL 39. 1499.
696

O fogo. Enquanto a água significava o nascimento e a fecundidade da vida dada no Espírito Santo, o fogo simboliza a energia transformadora dos actos do Espírito Santo. O profeta Elias, que «apareceu como um fogo e cuja palavra queimava como um facho ardente» (), pela sua oração faz descer o fogo do céu sobre o sacrifício do monte Carmelo30, figura do fogo do Espírito Santo, que transforma aquilo em que toca. João Baptista, que «irá à frente do Senhor com o espírito e a força de Elias» (), anuncia Cristo como Aquele que «há-de baptizar no Espírito Santo e no fogo» (), aquele Espírito do qual Jesus dirá: «Eu vim lançar fogo sobre a terra e só quero que ele se tenha ateado!» (). É sob a forma de línguas, «uma espécie de línguas de fogo», que o Espírito Santo repousa sobre os discípulos na manhã de Pentecostes e os enche de Si31. A tradição espiritual reterá este simbolismo do fogo como um dos mais expressivos da acção do Espírito Santo32. «Não apagueis o Espírito!» ().

Ver também§ 1127§ 2586§ 718

  1. 30Cf. .
  2. 31Cf. .
  3. 32Cf. São João da Cruz, Llama de amor viva: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 13 (Burgos 1931) p. 1-102; 103-213. [ID., Chama vida de amor: Obras Completas (Paço de Arcos, Edições Carmelo 1986) p. 829-957)].
697

A nuvem e a luz. Estes dois símbolos são inseparáveis nas manifestações do Espírito Santo. Desde as teofanias do Antigo Testamento, a nuvem, umas vezes escura, outras luminosa, revela o Deus vivo e salvador, velando a transcendência da sua glória: a Moisés no monte Sinai33, na tenda da reunião34 e durante a marcha pelo deserto35; a Salomão, aquando da dedicação do templo36. Ora estas figuras são realizadas por Cristo no Espírito Santo. É Ele que desce sobre a Virgem Maria e a cobre «com a sua sombra», para que conceba e dê à luz Jesus37. No monte da transfiguração, é Ele que «sobrevém na nuvem que cobriu da sua sombra» Jesus, Moisés e Elias, Pedro, Tiago e João, nuvem da qual se fez ouvir uma voz que dizia: "Este é o meu Filho, o meu Eleito, escutai-O!"» (). E, enfim, a mesma nuvem que «esconde Jesus aos olhos» dos discípulos no dia da Ascensão38 e que O revelará como Filho do Homem na sua glória, no dia da sua vinda39.

Ver também§ 484§ 554§ 659

  1. 33Cf. .
  2. 34Cf. .
  3. 35Cf. ; .
  4. 36Cf. .
  5. 37Cf. .
  6. 38Cf. .
  7. 39Cf. .
698

O selo é um símbolo próximo do da unção. Com efeito, foi a Cristo que «Deus marcou com o seu selo» () e é n'Ele que o Pai nos marca também com o seu selo»40. Porque indica o efeito indelével da unção do Espírito Santo nos sacramentos do Baptismo, da Confirmação e da Ordem, a imagem do selo («sphragis») foi utilizada em certas tradições teológicas para exprimir o «carácter» indelével, impresso por estes três sacramentos, que não podem ser repetidos.

Ver também§ 1295–1296§ 1121

  1. 40Cf. ; ; 4, 30.
699

A mão. É pela imposição das mãos que Jesus cura os doentes41 e abençoa as crianças42. O mesmo farão os Apóstolos, em seu nome43. Ainda mais: é pela imposição das mãos dos Apóstolos que o Espírito Santo é dado44. A Epístola aos Hebreus coloca a imposição das mãos no número dos «artigos fundamentais» do seu ensino45. Este sinal da efusão omnipotente do Espírito Santo, guarda-o a Igreja nas suas epicleses sacramentais.

Ver também§ 292§ 1288§ 1300§ 1573§ 1668

  1. 41Cf. ; 8, 23.
  2. 42Cf. Mc 10. 16.
  3. 43Cf. ; ; 14, 3.
  4. 44Cf. ; 13, 3; 19, 6.
  5. 45Cf. .
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Catecismo — texto oficial · © Libreria Editrice Vaticana · vatican.va

Sagrada Escritura — Bíblia Sagrada, edição Ave Maria

Concílios e documentos papais · Santa Sé · vatican.va

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