Catecismo
Bíblia · ed. Ave Maria
Código de Direito Canónico
Cân.
Documento

§ 694–704

OS SÍMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO
694

A água. O simbolismo da água é significativo da acção do Espírito Santo no Baptismo, pois que, após a invocação do Espírito Santo, ela torna-se o sinal sacramental eficaz do novo nascimento. Do mesmo modo que a gestação do nosso primeiro nascimento se operou na água, assim a água baptismal significa realmente que o nosso nascimento para a vida divina nos é dado no Espírito Santo. Mas, «baptizados num só Espírito», «a todos nos foi dado beber de um único Espírito» (): portanto, o Espírito é também pessoalmente a Agua viva que brota de Cristo crucificado17 como da sua fonte, e jorra em nós para a vida eterna18.

Ver também§ 1218§ 2652

  1. 17Cf. ; .
  2. 18Cf. ; 7, 38: : ; : . ; 22, 17.
695

A unção. O simbolismo da unção com óleo é também significativo do Espírito Santo, a ponto de se tomar o seu sinónimo19. Na iniciação cristã, ela é o sinal sacramental da Confirmação, que justamente nas Igrejas Orientais se chama «Crismação». Mas, para lhe apreender toda a força, temos de voltar à primeira unção realizada pelo Espírito Santo: a de Jesus. Cristo («Messias» em hebraico) significa «ungido» pelo Espírito de Deus. Houve «ungidos» do Senhor na antiga Aliança20, sobretudo o rei David21. Mas Jesus é o ungido de Deus de maneira única: a humanidade que o Filho assume é totalmente «ungida pelo Espírito Santo». Jesus é constituído «Cristo» pelo Espírito Santo22. A Virgem Maria concebe Cristo do Espírito Santo, que pelo anjo O anuncia como Cristo aquando do seu nascimento23 e leva Simeão a ir ao templo ver o Cristo do Senhor24. É Ele que enche Cristo25 e cujo poder emana de Cristo nos seus actos de cura e salvamento26. Finalmente, é Ele que ressuscita Jesus de entre os mortos27. Então, plenamente constituído «Cristo» na sua humanidade vencedora da morte28, Jesus difunde em profusão o Espírito Santo, até que «os santos» constituam, na sua união à humanidade do Filho de Deus, o «homem adulto à medida completa da plenitude de Cristo» (), «o Cristo total», para empregar a expressão de Santo Agostinho29.

Ver também§ 1293§ 436§ 1504§ 794

  1. 19Cf. ; .
  2. 20Cf. .
  3. 21Cf. .
  4. 22Cf. ; .
  5. 23Cf. .
  6. 24.
  7. 25Cf. .
  8. 26Cf. ; 8, 46.
  9. 27Cf. ; 8, 11.
  10. 28Cf. .
  11. 29Santo Agostinho, Sermão 341, 1, 1: PL 39, 1493: Ibid. 9, 11: PL 39. 1499.
696

O fogo. Enquanto a água significava o nascimento e a fecundidade da vida dada no Espírito Santo, o fogo simboliza a energia transformadora dos actos do Espírito Santo. O profeta Elias, que «apareceu como um fogo e cuja palavra queimava como um facho ardente» (), pela sua oração faz descer o fogo do céu sobre o sacrifício do monte Carmelo30, figura do fogo do Espírito Santo, que transforma aquilo em que toca. João Baptista, que «irá à frente do Senhor com o espírito e a força de Elias» (), anuncia Cristo como Aquele que «há-de baptizar no Espírito Santo e no fogo» (), aquele Espírito do qual Jesus dirá: «Eu vim lançar fogo sobre a terra e só quero que ele se tenha ateado!» (). É sob a forma de línguas, «uma espécie de línguas de fogo», que o Espírito Santo repousa sobre os discípulos na manhã de Pentecostes e os enche de Si31. A tradição espiritual reterá este simbolismo do fogo como um dos mais expressivos da acção do Espírito Santo32. «Não apagueis o Espírito!» ().

Ver também§ 1127§ 2586§ 718

  1. 30Cf. .
  2. 31Cf. .
  3. 32Cf. São João da Cruz, Llama de amor viva: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 13 (Burgos 1931) p. 1-102; 103-213. [ID., Chama vida de amor: Obras Completas (Paço de Arcos, Edições Carmelo 1986) p. 829-957)].
697

A nuvem e a luz. Estes dois símbolos são inseparáveis nas manifestações do Espírito Santo. Desde as teofanias do Antigo Testamento, a nuvem, umas vezes escura, outras luminosa, revela o Deus vivo e salvador, velando a transcendência da sua glória: a Moisés no monte Sinai33, na tenda da reunião34 e durante a marcha pelo deserto35; a Salomão, aquando da dedicação do templo36. Ora estas figuras são realizadas por Cristo no Espírito Santo. É Ele que desce sobre a Virgem Maria e a cobre «com a sua sombra», para que conceba e dê à luz Jesus37. No monte da transfiguração, é Ele que «sobrevém na nuvem que cobriu da sua sombra» Jesus, Moisés e Elias, Pedro, Tiago e João, nuvem da qual se fez ouvir uma voz que dizia: "Este é o meu Filho, o meu Eleito, escutai-O!"» (). E, enfim, a mesma nuvem que «esconde Jesus aos olhos» dos discípulos no dia da Ascensão38 e que O revelará como Filho do Homem na sua glória, no dia da sua vinda39.

Ver também§ 484§ 554§ 659

  1. 33Cf. .
  2. 34Cf. .
  3. 35Cf. ; .
  4. 36Cf. .
  5. 37Cf. .
  6. 38Cf. .
  7. 39Cf. .
698

O selo é um símbolo próximo do da unção. Com efeito, foi a Cristo que «Deus marcou com o seu selo» () e é n'Ele que o Pai nos marca também com o seu selo»40. Porque indica o efeito indelével da unção do Espírito Santo nos sacramentos do Baptismo, da Confirmação e da Ordem, a imagem do selo («sphragis») foi utilizada em certas tradições teológicas para exprimir o «carácter» indelével, impresso por estes três sacramentos, que não podem ser repetidos.

Ver também§ 1295–1296§ 1121

  1. 40Cf. ; ; 4, 30.
699

A mão. É pela imposição das mãos que Jesus cura os doentes41 e abençoa as crianças42. O mesmo farão os Apóstolos, em seu nome43. Ainda mais: é pela imposição das mãos dos Apóstolos que o Espírito Santo é dado44. A Epístola aos Hebreus coloca a imposição das mãos no número dos «artigos fundamentais» do seu ensino45. Este sinal da efusão omnipotente do Espírito Santo, guarda-o a Igreja nas suas epicleses sacramentais.

Ver também§ 292§ 1288§ 1300§ 1573§ 1668

  1. 41Cf. ; 8, 23.
  2. 42Cf. Mc 10. 16.
  3. 43Cf. ; ; 14, 3.
  4. 44Cf. ; 13, 3; 19, 6.
  5. 45Cf. .
700

O dedo. «É pelo dedo de Deus que Jesus expulsa os demónios»46. Se a Lei de Deus foi escrita em tábuas de pedra «pelo dedo de Deus» (), a «carta de Cristo», entregue ao cuidado dos Apóstolos, «é escrita com o Espírito de Deus vivo: não em placas de pedra, mas em placas que são corações de carne» (). O hino «Veni Creator Spiritus» invoca o Espírito Santo como «digitus paternae dexterae» — «Dedo da mão direita do Pai»47.

Ver também§ 2056

  1. 46Cf. .
  2. 47Cf. Domingo de Pentecostes, Hino das I e II Vésperas: Liturgia Horarum, editio typica, v. 2 (Typis Polyglottis Vaticanis 1974), p. 795 e 812. [Liturgia das Horas. vol. II p. 850 e 861. edição da Gráfica de Coimbra, 1999].
701

A pomba. No final do dilúvio (cujo simbolismo tem a ver com o Baptismo), a pomba solta por Noé regressa com um ramo verde de oliveira no bico, sinal de que a terra é outra vez habitável /48). Quando Cristo sobe das águas do seu baptismo, o Espírito Santo, sob a forma duma pomba, desce e paira sobre Ele49. O Espírito desce e repousa no coração purificado dos baptizados. Em certas igrejas, a sagrada Reserva eucarística é conservada num relicário metálico em forma de pomba (o columbarium) suspenso sobre o altar. O símbolo da pomba para significar o Espírito Santo é tradicional na iconografia cristã.

Ver também§ 1219§ 535

  1. 49Cf. e par.
III. O Espírito e a Palavra de Deus, no tempo das promessas
702

Desde o princípio até à «plenitude do tempo»50, a missão conjunta do Verbo e do Espírito do Pai permanece oculta, mas está actuante. O Espírito de Deus prepara o tempo do Messias: e um e outro, ainda não plenamente revelados, já são prometidos com o fim de serem esperados e acolhidos quando da sua manifestação. É por isso que, quando a Igreja lê o Antigo Testamento51 perscruta nele52 o que o Espírito, «que falou pelos profetas»53, nos quer dizer acerca de Cristo.

Por «profetas», a fé da Igreja entende aqui todos aqueles que o Espírito Santo inspirou no anúncio vivo e na redacção dos Livros santos, tanto do Antigo como do Novo Testamento. A tradição judaica distingue a Lei (os cinco primeiros livros ou Pentateuco), os Profetas (os livros ditos históricos e proféticos) e os Escritos (sobretudo sapienciais, em particular os Salmos)54.

Ver também§ 122§ 107§ 243

  1. 50Cf.
  2. 51Cf. .
  3. 52Cf. .
  4. 53Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150.
  5. 54Cf. .
NA CRIAÇÃO
703

A Palavra de Deus e o seu Espírito estão na origem do ser e da vida de todas as criaturas55.

É próprio do Espírito Santo reinar, santificar e animar a criação, porque Ele é Deus consubstancial ao Pai e ao Filho [...]. Pertence-Lhe o poder sobre a vida, porque, sendo Deus, guarda a criação no Pai pelo Filho56.

Ver também§ 292§ 291

  1. 55Cf. ; 104. 30; ; 2, 7; ; .
  2. 56Liturgia bizantina, Ofício das Horas. Matinas dos Domingos do segundo modo, Antífonas 1 e 2: Paraklêtikês (Romae 1885), p. 107.
704

«Quanto ao homem, foi com as suas próprias mãos (quer dizer, com o Filho e o Espírito Santo) que Deus o moldou [...] e sobre a carne moldada desenhou a sua própria forma, de modo que, mesmo o que havia de ser visível, tivesse a forma divina»57 .

Ver também§ 356

  1. 57Santo Ireneu de Lião, Demonstratio praedicationis apostolicae. 11: SC 62, 48-49.
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Catecismo — texto oficial · © Libreria Editrice Vaticana · vatican.va

Sagrada Escritura — Bíblia Sagrada, edição Ave Maria

Concílios e documentos papais · Santa Sé · vatican.va

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