Catecismo

§ 717–730

IV. O Espírito de Cristo na plenitude do tempo
JOÃO, PRECURSOR, PROFETA E BAPTISTA
717

«Apareceu um homem, enviado por Deus, que tinha o nome de João» (Jo 1, 6). João é «cheio do Espírito Santo já desde o seio materno» (Lc 1, 15)81, pelo próprio Cristo que a Virgem acabava de conceber por obra e graça do Espírito Santo. A « visitação» de Maria a Isabel tornou-se, assim, «visita de Deus ao seu povo»82.

Ver também§ 523

  1. 81Cf. Lc 1, 41.
  2. 82Cf. Lc 1, 68.
718

João é «Elias que devia vir»83. O fogo do Espírito habita nele e fá-lo «correr à frente» (como «precursor») do Senhor que chega. Em João o Precursor, o Espírito Santo acaba de «preparar para o Senhor um povo bem disposto» (Lc 1, 17).

Ver também§ 696

  1. 83Cf. Mt 17, 10-13.
719

João é «mais do que um profeta»84. Nele, o Espírito Santo consuma o «falar pelos profetas». João termina o ciclo dos profetas inaugurado por Elias85. Anuncia como iminente a consolação de Israel; é ele a «voz» do Consolador que vai chegar86. Tal como fará o Espírito da verdade, «ele vem como testemunha, para dar testemunho da Luz» (Jo 1, 7)87. A respeito de João, o Espírito cumpre assim as «indagações dos profetas» e o «desejo» dos anjos88: «Aquele sobre Quem vires o Espírito Santo descer e permanecer, é Ele que baptiza no Espírito Santo. Ora, eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus [...] Eis o Cordeiro de Deus!» (Jo 1, 33-36).

Ver também§ 2684§ 536

  1. 84Cf. Lc 7, 26.
  2. 85Cf. Mt 11, 13-14.
  3. 86Cf. Jo 1, 23; Is 40. 1-3.
  4. 87Cf. Jo 15, 26; 5, 33.
  5. 88Cf. 1 Pe 1, 10-12.
720

Finalmente, com João Baptista, o Espírito Santo inaugura, em prefiguração, aquilo que vai realizar com e em Cristo: restituir ao homem «a semelhança» divina. O baptismo de João era para o arrependimento: o Baptismo na água e no Espírito será um novo nascimento89.

Ver também§ 535

  1. 89Cf. Jo 3, 5.
«ALEGRA-TE, Ó CHEIA DE GRAÇA»
721

Maria, a santíssima Mãe de Deus, sempre virgem, é a obra-prima da missão do Filho e do Espírito na plenitude do tempo. Pela primeira vez no desígnio da salvação e porque o seu Espírito a preparou, o Pai encontra a morada na qual o seu Filho e o seu Espírito podem habitar entre os homens. É neste sentido que a Tradição da Igreja muitas vezes lê, em relação a Maria, os mais belos textos sobre a Sabedoria90: Maria é cantada e apresentada na Liturgia como «o Trono da Sabedoria». Nela começam a manifestar-se as «maravilhas de Deus», que o Espírito vai realizar em Cristo e na Igreja:

Ver também§ 484

  1. 90Cf. Pr 8, 1 – 9, 6; Ecl 24.
722

O Espírito Santo preparou Maria pela sua graça. Convinha que fosse «cheia de graça» a Mãe d'Aquele em Quem «habita corporalmente a plenitude da divindade» (Cl 2, 9). Ela foi, por pura graça, concebida sem pecado, como a mais humilde das criaturas, a mais capaz de acolher o dom inefável do Omnipotente. É a justo título que o anjo Gabriel a saúda como «Filha de Sião»: «Ave» (= «Alegra-te»)91. É a acção de graças de todo o povo de Deus, e portanto da Igreja, que ela faz subir até ao Pai, no Espírito Santo, com o seu cântico92 , quando já portadora, em si, do Filho eterno.

Ver também§ 489§ 2676

  1. 91Cf. Sf 3, 14; Zc 2, 14.
  2. 92Cf. Lc 1, 46-55.
723

Em Maria, o Espírito Santo realiza o desígnio benevolente do Pai. É pelo Espírito Santo que a Virgem concebe e dá à luz o Filho de Deus. A sua virgindade torna-se fecundidade única, pelo poder do Espírito e da fé93.

Ver também§ 485§ 506

  1. 93Cf. Lc 1, 26-38; Rm 4, 18-21; Gl 4, 26-28.
724

Em Maria, o Espírito Santo manifesta o Filho do Pai feito Filho da Virgem. Ela é a sarça ardente da teofania definitiva: cheia do Espírito Santo, mostra o Verbo na humildade da sua carne; e é aos pobres94 e às primícias das nações95 que Ela O dá a conhecer.

Ver também§ 963

  1. 94Cf. Lc 2, 15-19.
  2. 95Cf. Mt 2, 11.
725

Finalmente, por Maria, o Espírito começa a pôr em comunhão com Cristo os homens que são «objecto do amor benevolente de Deus»96; e os humildes são sempre os primeiros a recebé-Lo: os pastores, os magos, Simeão e Ana, os esposos de Caná e os primeiros discípulos.

Ver também§ 208§ 2619

  1. 96Cf. Lc 2, 14.
726

No termo desta missão do Espírito, Maria torna-se a «Mulher», a nova Eva «mãe dos vivos», Mãe do «Cristo total»97. É como tal que Ela está presente com os Doze, «num só coração, assíduos na oração» (Act 1, 14), no alvorecer dos «últimos tempos», que o Espírito vai inaugurar na manhã do Pentecostes, com a manifestação da Igreja.

Ver também§ 494§ 2618

  1. 97Cf. Jo 19, 25-27.
JESUS CRISTO
727

Toda a missão do Filho e do Espírito Santo, na plenitude do tempo, está contida no facto de o Filho ser o ungido do Espírito do Pai, desde a sua Encarnação: Jesus é o Cristo, o Messias.

Todo o segundo capítulo do Símbolo da Fé deve ser lido a esta luz. Toda a obra de Cristo é missão conjunta do Filho e do Espírito Santo. Aqui mencionaremos somente o que se refere à promessa do Espírito Santo feita por Jesus, e à sua doação pelo Senhor glorificado.

Ver também§ 438§ 695§ 536

728

Jesus não revela plenamente o Espírito Santo enquanto Ele próprio não for glorificado pela sua morte e ressurreição. No entanto, sugere-O pouco a pouco, mesmo no seu ensino às multidões, quando revela que a sua carne será alimento para a vida do mundo98. Insinua-O também a Nicodemos99 , à samaritana100 e aos que tomam parte na festa dos Tabernáculos101. Aos seus discípulos, fala d'Ele abertamente a propósito da oração102 e do testemunho que devem dar103.

Ver também§ 2615

  1. 98Cf. Jo 6, 27.51.62-63.
  2. 99Cf. Jo 3, 5-8.
  3. 100Cf. Jo 4, 10.14.23-24.
  4. 101Cf. Jo 7, 37-39.
  5. 102Cf. Lc . 11, 13.
  6. 103Cf. Mt 10, 19-20.
729

Só quando chega a Hora em que vai ser glorificado, é que Jesus promete a vinda do Espírito Santo, pois a sua morte e ressurreição serão o cumprimento da promessa feita aos antepassados104. O Espírito da verdade, o outro Paráclito, será dado pelo Pai a pedido de Jesus; será enviado pelo Pai em nome de Jesus; Jesus O enviará de junto do Pai, porque do Pai procede. O Espírito Santo virá, nós O conheceremos, Ele ficará connosco para sempre, habitará connosco; há-de ensinar-nos tudo, há-de lembrar-nos tudo o que Cristo nos disse e dará testemunho d'Ele; conduzir-nos-á à verdade total e glorificará a Cristo. Quanto ao mundo, confundi-lo-á em matéria de pecado, de justiça e de julgamento.

Ver também§ 388§ 1433

  1. 104Cf. Jo 14, 16-17.26; 15. 26; 16, 7-15; 17, 26.
730

Chega, por fim, a «Hora de Jesus»105 : Jesus entrega o seu espírito nas mãos do Pai106 , no momento em que pela sua morte vence a morte, de tal modo que, «ressuscitado dos mortos pela glória do Pai» (Rm 6, 4), logo dá o Espírito Santo «soprando» sobre os discípulos107. A partir dessa «Hora», a missão de Cristo e do Espírito torna-se a missão da Igreja: «Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós» (Jo 20, 21)108.

Ver também§ 850

  1. 105Cf. Jo 13, 1; 17, 1.
  2. 106Cf. Lc 23. 46; Jo 19, 30.
  3. 107Cf. Jo 20, 22.
  4. 108Cf. Mt 28, 19; Lc 24, 47-48; Act 1, 8.
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Catecismo — texto oficial · © Libreria Editrice Vaticana · vatican.va

Sagrada Escritura — Bíblia Sagrada, edição Ave Maria

Padres da Igreja, Doutores e Suma Teológica · newadvent.org

S. Josemaría Escrivá · escriva.org

Concílios e documentos papais · Santa Sé · vatican.va

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