«A Igreja é também muitas vezes chamada construção de Deus142. O próprio Senhor se comparou à pedra que os construtores rejeitaram e que se tornou pedra angular ( par.: ; ; ). Sobre esse fundamento é a Igreja construída pelos Apóstolos143, e dele recebe firmeza e coesão. Esta construção recebe vários nomes: casa de Deus144, na qual habita a sua família; habitação de Deus no Espírito145; tabernáculo de Deus com os homens146; e, sobretudo, templo santo, o qual, representado pelos santuários de pedra e louvado pelos santos Padres, é com razão comparado, na Liturgia, à cidade santa, a nova Jerusalém. Nela, com efeito, somos edificados cá na terra como pedras vivas147. Esta cidade, S. João contemplou-a "descendo do céu, da presença de Deus, na renovação do mundo, como esposa adornada para ir ao encontro do esposo" ()»148.
§ 756–759
«A Igreja é também chamada "Jerusalém do Alto" e "nossa mãe" ()149; é também descrita como a Esposa imaculada do Cordeiro sem mancha150, a qual Cristo "amou, pela qual Se entregou para a santificar" (), que uniu a Si por um vínculo indissolúvel, e à qual, sem cessar, "alimenta e presta cuidados" ()»151.
- 149Cf. .
- 150Cf. ; 21, 2. 9; 22, 17.
- 151II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 6: AAS 57 (1965) 9.
Para perscrutar o mistério da Igreja, é conveniente meditar primeiro sobre a sua origem no desígnio da Santíssima Trindade e sobre a sua progressiva realização na história.
Ver também§ 257
«O eterno Pai, que pelo libérrimo e insondável desígnio da sua sabedoria e bondade, criou o universo, decidiu elevar os homens participação da vida divina», para a qual a todos convida em seu Filho: «E, aos que crêem em Cristo, decidiu convocá-los na santa Igreja». Esta «família de Deus» constituiu-se e realizou-se gradualmente ao longo das etapas da história humana, segundo as disposições do Pai: de facto, a Igreja «prefigurada já desde o princípio do mundo e admiravelmente preparada na história do povo de Israel e na antiga Aliança, foi constituída no fim dos tempos, e manifestada pela efusão do Espírito Santo, e será gloriosamente consumada no fim dos séculos»152.
- 152II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 2: AAS 57 (1965) 5-6.