Catecismo

§ 763–770

A IGREJA – INSTITUÍDA POR JESUS CRISTO
763

Pertence ao Filho realizar, na plenitude dos tempos, o plano de salvação do seu Pai; tal é o motivo da sua «missão»163. «O Senhor Jesus deu início à sua Igreja, pregando a boa-nova do advento do Reino de Deus prometido desde há séculos nas Escrituras»164. Para cumprir a vontade do Pai, Cristo inaugurou na terra o Reino dos céus. A Igreja «é o Reino de Cristo já presente em mistério»165.

Ver também§ 541

  1. 163Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 3: AAS 57 (1965) 6; ID., Decr. Ad gentes, 3: AAS 58 (1966) 949.
  2. 164II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 5: AAS 57 (1965) 7.
  3. 165II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 3: AAS 57 (1965) 6.
764

«Este Reino manifesta-se aos homens na palavra, nas obras e na presença de Cristo»166, Acolher a palavra de Jesus é «acolher o próprio Reino»167. O germe e começo do Reino é o «pequeno rebanho» (Lc 12, 32) daqueles que Jesus veio congregar ao seu redor e dos quais Ele próprio é o Pastor168. Eles constituem a verdadeira família de Jesus169. Aqueles que assim juntou em redor de si, ensinou uma nova «maneira de agir», mas também uma oração própria170.

Ver também§ 543§ 1691§ 2558

  1. 166II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 5: AAS 57 (1965) 7.
  2. 167II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 5: AAS 57 (1965) 7.
  3. 168Cf. Mt 10, 16; 26, 31; Jo 10, 1-21.
  4. 169Cf. Mt 12, 49.
  5. 170Cf. Mt 5-6.
765

O Senhor Jesus dotou a sua comunidade duma estrutura que perma­necerá até ao pleno acabamento do Reino. Temos, antes de mais, a escolha dos Doze, com Pedro como chefe171. Representando as doze tribos de Israel172, são as pedras do alicerce da nova Jerusalém173. Os Doze174 e os outros discípulos175 participam da missão de Cristo, do seu poder, mas também da sua sorte176. Com todos estes actos, Cristo prepara e constrói a sua Igreja.

Ver também§ 610§ 551

  1. 171Cf. Mc 3, 14-15.
  2. 172Cf. Mt 19, 28: Lc 22, 30.
  3. 173Cf. Ap 21, 12-14.
  4. 174Cf. Mc 6. 7.
  5. 175Cf. Lc 10, 1-2.
  6. 176Cf. Mt 10, 25; Jo 15, 20.
766

Mas a Igreja nasceu principalmente do dom total de Cristo pela nossa salvação, antecipado na instituição da Eucaristia e realizado na cruz. «Tal começo e crescimento da Igreja exprimem-nos o sangue e a água que manaram do lado aberto de Jesus crucificado»177. Porque «foi do lado de Cristo adormecido na cruz que nasceu o sacramento admirável de toda a Igreja»178. Assim como Eva foi formada do costado de Adão adormecido, assim a Igreja nasceu do coração trespassado de Cristo, morto na cruz179.

Ver também§ 813§ 860§ 1340§ 617§ 478

  1. 177II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 3: AAS 57 (1965) 6.
  2. 178II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 5: AAS 56 (1964) 99.
  3. 179Cf. Santo Ambrósio, Expositio evangelii secundum Lucam, 2, 85-89: CCL 14, 69-72 (PL 15, 1666-1668).
A IGREJA – MANIFESTADA PELO ESPÍRITO SANTO
767

«Consumada a obra que o Pai confiou ao Filho para cumprir na terra, no dia de Pentecostes foi enviado o Espírito Santo para que santificasse continuamente a Igreja»180. Foi então que «a Igreja foi publicamente manifestada diante duma grande multidão» e «teve o seu início a difusão do Evangelho entre os gentios, por meio da pregação»181. Porque é «convocação» de todos os homens à salvação, a Igreja é, por sua própria natureza, missionária, enviada por Cristo a todas as nações, para de todas fazer discípulos182.

Ver também§ 731§ 849

  1. 180II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 4: AAS 57 (1965) 6.
  2. 181II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 4: AAS 58 (1966) 950.
  3. 182Cf. Mt 28, 19-20: II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 2: AAS 58 (1966) 948; Ibid., 5-6: AAS 58 (1966) 951-955.
768

Para que a Igreja possa realizar a sua missão, o Espírito Santo «enriquece-a e guia-a com diversos dons hierárquicos e carismáticos»183. Pelo que a Igreja, enriquecida com os dons do seu fundador e guardando fielmente os seus preceitos de caridade, de humildade e de abnegação, recebe a missão de anunciar e instaurar o Reino de Cristo e de Deus em todos os povos, e constitui o germe e o princípio deste mesmo Reino na terra»184.

Ver também§ 541

  1. 183II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 4: AAS 57 (1965) 7.
  2. 184II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 5: AAS 57 (1965) 8.
A IGREJA – CONSUMADA NA GLÓRIA
769

«A Igreja [...] só na glória celeste alcançará a sua realização acabada»185, aquando do regresso glorioso de Cristo. Até esse dia, «a Igreja avança na sua peregrinação por entre as perseguições do mundo e das consolações de Deus»186. Vivendo na terra, ela tem consciência de viver no exílio, longe do Senhor187 e suspira pelo advento do Reino em plenitude, pela hora em que «espera e deseja juntar-se ao seu Rei na glória»188. A consumação da Igreja – e através dela, do mundo – na glória, não se fará sem grandes provações. Só então é que «todos os justos, desde Adão, "desde o justo Abel até ao último eleito", se encontrarão reunidos na Igreja universal junto do Pai»189.

Ver também§ 671§ 2818§ 675§ 1045

  1. 185II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 48: AAS 57 (1965) 53.
  2. 186Santo Agostinho, De Civitate Dei 18, 51 CSEL 40/2. 534 (PL 41. 614): cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 8: AAS 57 (1965) 12.
  3. 187Cf. 2 Cor 5, 6; II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 6: AAS 57 (1965) 9.
  4. 188Cf. II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 5: AAS 57 (1965) 8.
  5. 189II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 2: AAS 57 (1965) 6.
III. O mistério da Igreja
770

A Igreja está na história, mas, ao mesmo tempo, transcende-a. Só «com os olhos da fé»190 é que se pode ver na sua realidade visível, ao mesmo tempo, uma realidade espiritual, portadora de vida divina.

Ver também§ 812

  1. 190CatRom. 1. 10. 20. p. 117.
Por exemplo

Pesquisa em todo o texto do Catecismo · escreva várias palavras para refinar.

navegar abriresc fechar
Bíblia · ed. Ave Maria
Bíblia Sagrada · edição Ave Maria
Código de Direito Canónico
Cân.
Catecismo
§
Definições

Tema

Tamanho de letra

Marcadores

Contactos

Erros, sugestões ou dúvidas: catecismopt@gmail.com

Fontes e créditos

Catecismo — texto oficial · © Libreria Editrice Vaticana · vatican.va

Sagrada Escritura — Bíblia Sagrada, edição Ave Maria

Padres da Igreja, Doutores e Suma Teológica · newadvent.org

S. Josemaría Escrivá · escriva.org

Concílios e documentos papais · Santa Sé · vatican.va

Remissões marginais («Ver também») — os números que a edição típica do Catecismo põe à margem de cada parágrafo, a apontar para outros parágrafos sobre o mesmo tema. O vatican.va não os publica; vêm da transcrição da paróquia de St. Charles Borromeo (só números, sem texto).

Curso de doutrina católica em 10 sessões — aulas do Pe. Miguel Cabral · Oratório de São Josemaria
Vídeo e áudio pertencem ao Oratório; aqui só se liga a cada aula e se juntam as perguntas do Compêndio e os parágrafos do Catecismo.

Índice analítico e índice litúrgico · catecismo.net
Do catecismo.net vêm só os índices: que parágrafos correspondem a cada termo e a cada dia litúrgico. O texto é sempre o do vatican.va.

Política de privacidade
Sem contas, sem cookies, sem rastreio. O que guardas fica no teu dispositivo.

Outros projectos

O texto do Catecismo, a Sagrada Escritura e as citações são os oficiais, copiados da fonte e conferidos um a um. Nada é inventado. Em alguns parágrafos há uma ajuda «Em palavras simples»: é uma explicação nossa, sempre assinalada como tal, por baixo do texto oficial.

Não recolhemos nada sobre ti. Não há conta, nem registo, nem cookies, nem estatísticas, nem publicidade. Os marcadores e as notas ficam guardados só neste aparelho. A única ligação externa é o pedido das leituras do dia a um serviço público de liturgia; como qualquer sítio na internet, esse serviço vê o teu endereço IP. Se falhar, o cartão simplesmente não aparece.

Projecto sem fins lucrativos, de uso educacional.