Catecismo

§ 851–857

851

O motivo da missão. É ao amor de Deus por todos os homens que, desde sempre, a Igreja vai buscar a obrigação e o vigor do seu ardor missionário: «Porque o amor de Cristo nos impele...» (2 Cor 5, 14)348. Com efeito, «Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tm 2, 4). Deus quer a salvação de todos, mediante o conhecimento da verdade. A salvação está na verdade. Os que obedecem à moção do Espírito da verdade estão já no caminho da salvação. Mas a Igreja, à qual a mesma verdade foi confiada, deve ir ao encontro dos que a procuram para lha levar. É por acreditar no desígnio universal da salvação que a Igreja deve ser missionária.

Ver também§ 221§ 429§ 74§ 217§ 2104§ 890

  1. 348Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Apostolicam actuositatem, 6: AAS 58 (1966) 842-843; João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 11: AAS 83 (1991) 259-260.
852

Os caminhos da missão. «O protagonista de toda a missão eclesial é o Espírito Santo»349. É Ele que conduz a Igreja pelos caminhos da missão. E esta «continua e prolonga, no decorrer da história, a missão do próprio Cristo, que foi enviado para anunciar a Boa-Nova aos pobres. É, portanto, pelo mesmo caminho seguido por Cristo que, sob o impulso do Espírito Santo, a Igreja deve seguir, ou seja, pelo caminho da pobreza, da obediência, do serviço e da imolação de si mesma até à morte – morte da qual Ele saiu vitorioso pela ressurreição»350. É assim que «o sangue dos mártires se torna semente de cristãos»351.

Ver também§ 2044§ 2473

  1. 349João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 21: AAS 83 (1991) 268.
  2. 350II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 5: AAS 58 (1966) 952.
  3. 351Tertuliano, Apologeticum 50, 13: CCL 1, 171 (PL 1, 603).
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Porém, no seu peregrinar, a Igreja também faz a experiência da «distância que separa a mensagem de que é portadora, da fraqueza humana daqueles a quem este Evangelho é confiado»352. Só avançando pelo caminho «da penitência e da renovação»353 e entrando «pela porta estreita da Cruz»354 é que o povo de Deus pode expandir o Reino de Cristo355. Com efeito, «assim como foi na pobreza e na perseguição que Cristo realizou a redenção, assim também a Igreja é chamada a seguir pelo mesmo caminho, para comunicar aos homens os frutos da salvação»356.

Ver também§ 1428§ 2443

  1. 352II Concílio do Vaticano, Const.past. Gaudium et spes, 43: AAS 58 (1966) 1064.
  2. 353II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 8: AAS 57 (1965) 12: cf. Ibid, 15: AAS 57 (1965) 20.
  3. 354II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 1 AAS 58 (1966) 947.
  4. 355Cf. João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 12-20: AAS 83 (1991) 260-268.
  5. 356II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 8: AAS 57 (1965) 12.
854

Pela sua própria missão, «a Igreja faz a caminhada de toda a humanidade e partilha a sorte terrena do mundo. Ela é como que o fermento e, por assim dizer, a alma da sociedade humana, chamada a ser renovada em Cristo e transformada em família de Deus»357. O esforço missionário exige, portanto, paciência. Começa pelo anúncio do Evangelho aos povos e grupos que ainda não acreditam em Cristo358; prossegue no estabelecimento de comunidades cristãs, que sejam «sinais da presença de Deus no mundo»359 e na fundação de Igrejas locais360; compromete-se num processo de inculturação, para incarnar o Evangelho nas culturas dos povos361; e também não deixará de conhecer alguns fracassos. «Pelo que diz respeito aos homens, aos grupos humanos e aos povos, a Igreja só a pouco e pouco os atinge e penetra, assim os assumindo na plenitude católica»362.

Ver também§ 2105§ 1204

  1. 357II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et Spes, 40: AAS 58 (1966) 1058.
  2. 358Cf. João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 42-47: AAS 83 (1991) 289-295.
  3. 359Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 15: AAS 58 (1966) 964.
  4. 360Cf. João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 48-49: AAS 83 (1991) 295-297.
  5. 361Cf. João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 52-54: AAS 83 (1991) 299-302.
  6. 362II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 6: AAS 58 (1966) 953.
855

A missão da Igreja requer um esforço em ordem à unidade dos cristãos363. «De facto, as divisões entre cristãos impedem a Igreja de realizar a plenitude da catolicidade que lhe é própria, naqueles seus filhos que, sem dúvida, lhe pertencem pelo Baptismo, mas que se encontram separados da plenitude da comunhão com ela. Mais ainda: para a própria Igreja, torna-se mais difícil exprimir, sob todos os seus aspectos, a plenitude da catolicidade na própria realidade da sua vida»364.

Ver também§ 821

  1. 363Cf. João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 50: AAS 83 (1991) 297-298.
  2. 364II Concílio do Vaticano, Decr. Unitatis redintegratio, 4: AAS 57 (1965) 96.
856

A tarefa missionária implica um diálogo respeitoso com aqueles que ainda não aceitam o Evangelho365. Os crentes podem tirar proveito para si mesmos deste diálogo, aprendendo a conhecer melhor «tudo quanto de verdade e graça se encontrava já entre os povos, como que por uma secreta presença de Deus»366. Se anunciam a Boa-Nova aos que a ignoram, é para consolidar, completar e elevar a verdade e o bem que Deus espalhou entre os homens e os povos, e para os purificar do erro e do mal, «para glória de Deus, confusão do demónio e felicidade do homem»367.

Ver também§ 839§ 843

  1. 365Cf. João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 55: AAS 83 (1991) 302-304.
  2. 366II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 9: AAS 58 (1966) 958.
  3. 367II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 9: AAS 58 (1966) 958.
IV. A Igreja é apostólica
857

A Igreja é apostólica, porque está fundada sobre os Apóstolos. E isso em três sentidos:

– foi e continua a ser construída sobre o «alicerce dos Apóstolos» (Ef 2, 20368), testemunhas escolhidas e enviadas em missão pelo próprio Cristo369;

– guarda e transmite, com a ajuda do Espírito Santo que nela habita, a doutrina370, o bom depósito, as sãs palavras recebidas dos Apóstolos371;

-continua a ser ensinada, santificada e dirigida pelos Apóstolos até ao regresso de Cristo, graças àqueles que lhes sucedem no ofício pastoral: o colégio dos bispos, «assistido pelos presbíteros, em união com o sucessor de Pedro, pastor supremo da Igreja»:

«Pastor eterno, não abandonais o vosso rebanho, mas sempre o guardais e protegeis por meio dos santos Apóstolos, para que seja conduzido através dos tempos, pelos mesmos chefes que pusestes à sua frente como representantes do vosso Filho, Jesus Cristo»373.

Ver também§ 75§ 171§ 880§ 1575

  1. 368Cf. Ap 21, 14.
  2. 369Cf. Mt 28, 16-20; Act 1, 8; 1 Cor 9, 1; 15, 7-8: Gl 1, 1: etc.
  3. 370Cf. Act 2, 42.
  4. 371Cf. 2 Tm 1, 13-14.
  5. 373Prefácio dos Apóstolos Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 426 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992. p. 493].
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Catecismo — texto oficial · © Libreria Editrice Vaticana · vatican.va

Sagrada Escritura — Bíblia Sagrada, edição Ave Maria

Padres da Igreja, Doutores e Suma Teológica · newadvent.org

S. Josemaría Escrivá · escriva.org

Concílios e documentos papais · Santa Sé · vatican.va

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