Os caminhos da missão. «O protagonista de toda a missão eclesial é o Espírito Santo»349. É Ele que conduz a Igreja pelos caminhos da missão. E esta «continua e prolonga, no decorrer da história, a missão do próprio Cristo, que foi enviado para anunciar a Boa-Nova aos pobres. É, portanto, pelo mesmo caminho seguido por Cristo que, sob o impulso do Espírito Santo, a Igreja deve seguir, ou seja, pelo caminho da pobreza, da obediência, do serviço e da imolação de si mesma até à morte – morte da qual Ele saiu vitorioso pela ressurreição»350. É assim que «o sangue dos mártires se torna semente de cristãos»351.
§ 852–854
Porém, no seu peregrinar, a Igreja também faz a experiência da «distância que separa a mensagem de que é portadora, da fraqueza humana daqueles a quem este Evangelho é confiado»352. Só avançando pelo caminho «da penitência e da renovação»353 e entrando «pela porta estreita da Cruz»354 é que o povo de Deus pode expandir o Reino de Cristo355. Com efeito, «assim como foi na pobreza e na perseguição que Cristo realizou a redenção, assim também a Igreja é chamada a seguir pelo mesmo caminho, para comunicar aos homens os frutos da salvação»356.
- 352II Concílio do Vaticano, Const.past. Gaudium et spes, 43: AAS 58 (1966) 1064.
- 353II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 8: AAS 57 (1965) 12: cf. Ibid, 15: AAS 57 (1965) 20.
- 354II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 1 AAS 58 (1966) 947.
- 355Cf. João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 12-20: AAS 83 (1991) 260-268.
- 356II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 8: AAS 57 (1965) 12.
Pela sua própria missão, «a Igreja faz a caminhada de toda a humanidade e partilha a sorte terrena do mundo. Ela é como que o fermento e, por assim dizer, a alma da sociedade humana, chamada a ser renovada em Cristo e transformada em família de Deus»357. O esforço missionário exige, portanto, paciência. Começa pelo anúncio do Evangelho aos povos e grupos que ainda não acreditam em Cristo358; prossegue no estabelecimento de comunidades cristãs, que sejam «sinais da presença de Deus no mundo»359 e na fundação de Igrejas locais360; compromete-se num processo de inculturação, para incarnar o Evangelho nas culturas dos povos361; e também não deixará de conhecer alguns fracassos. «Pelo que diz respeito aos homens, aos grupos humanos e aos povos, a Igreja só a pouco e pouco os atinge e penetra, assim os assumindo na plenitude católica»362.
- 357II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et Spes, 40: AAS 58 (1966) 1058.
- 358Cf. João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 42-47: AAS 83 (1991) 289-295.
- 359Cf. II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 15: AAS 58 (1966) 964.
- 360Cf. João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 48-49: AAS 83 (1991) 295-297.
- 361Cf. João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 52-54: AAS 83 (1991) 299-302.
- 362II Concílio do Vaticano, Decr. Ad gentes, 6: AAS 58 (1966) 953.