Catecismo
Bíblia · ed. Ave Maria
Código de Direito Canónico
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Catecismo
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§ 102, 426–429, 519, 601, 642–644, 662, 857, 995–996, 1137, 1346–1347, 2763

102

Através de todas as palavras da Sagrada Escritura. Deus não diz mais que uma só Palavra, o seu Verbo único, em quem totalmente Se diz69:

«Lembrai-vos de que o discurso de Deus que se desenvolve em todas as Escrituras é um só e um só é o Verbo que Se faz ouvir na boca de todos os escritores sagrados, o qual, sendo no princípio Deus junto de Deus, não tem necessidade de sílabas, pois não está sujeito ao tempo»70.

Ver também§ 65§ 2763§ 426–429

  1. 69Cf. .
  2. 70Santo Agostinho, Enarratio in Psalmum 103, 4, 1: CCL 40, 1521 (PL 37, 1378).

Continua em § 426–429

NO CORAÇÃO DA CATEQUESE: CRISTO
426

«No coração da catequese, encontramos essencialmente uma Pessoa: Jesus de Nazaré, Filho único do Pai [...], que sofreu e morreu por nós e que agora, ressuscitado, vive connosco para sempre [...]. Catequizar [...] é revelar, na Pessoa de Cristo, todo o desígnio eterno de Deus [...]. É procurar compreender o significado dos gestos e das palavras de Cristo e dos sinais por Ele realizados»7. O fim da catequese é «pôr em comunhão com Jesus Cristo: somente Ele pode levar ao amor do Pai, no Espírito, e fazer-nos participar na vida da Santíssima Trindade»8.

Ver também§ 1698§ 513§ 260

  1. 7João Paulo II. Ex. Ap. Catechesi tradendae, 5: AAS 71 (1979). 1280-1281.
  2. 8João Paulo II. Ex. Ap. Catechesi tradendae, 5: AAS 71 (1979). 1281.
427

«Na catequese, é Cristo, Verbo Encarnado e Filho de Deus, que é ensinado; tudo o mais é-o em referência a Ele. E só Cristo ensina. Todo e qualquer outro o faz apenas na medida em que é seu porta-voz, consentindo em que Cristo ensine pela sua boca [...]. Todo o catequista deveria poder aplicar a si próprio a misteriosa palavra de Jesus: "A minha doutrina não é minha, mas d'Aquele que Me enviou" ()»9.

Ver também§ 2145§ 876

  1. 9João Paulo II. Ex. Ap. Catechesi tradendae, 6: AAS 71 (1979). 1281-1282.
428

Aquele que é chamado a «ensinar Cristo» deve, portanto, antes de mais nada, procurar «esse lucro sobreeminente que é o conhecimento de Jesus Cristo». Tem de «aceitar perder tudo [...] para ganhar Cristo e encontrar-se n'Ele» e «conhecê-Lo, a Ele, na força da sua ressurreição e na comunhão com os seus sofrimentos, conformar-se com Ele na morte, na esperança de chegar a ressuscitar dos mortos» ().

429

Deste conhecimento amoroso de Cristo brota o desejo de O anunciar, de «evangelizar» e levar os outros ao «sim» da fé em Jesus Cristo. Mas, ao mesmo tempo, faz-se sentir a necessidade de conhecer sempre melhor esta fé. Com esse objectivo, seguindo a ordem do Símbolo da fé, primeiro serão apresentados os principais títulos de Jesus: Cristo, Filho de Deus, Senhor (Artigo 2). O Símbolo confessa, em seguida, os principais mistérios da vida de Cristo: da sua Encarnação (Artigo 3), da sua Páscoa (Artigos 4 e 5) e, por fim, da sua Glorificação (Artigos 6 e 7).

Ver também§ 851

Continua em § 519–519

A NOSSA COMUNHÃO NOS MISTÉRIOS DE JESUS
519

Toda a riqueza de Cristo «se destina a todos os homens e constitui o bem de cada um»201. Cristo não viveu para Si mesmo, mas para nós, desde a Encarnação «por nós homens e para nossa salvação»202 até á sua morte «por causa dos nossos pecados» () e à sua ressurreição «para nossa justificação» (). Ainda agora, Ele é «o nosso advogado junto do Pai» (), «sempre vivo para interceder por nós» (). Com tudo o que viveu e sofreu por nós, uma vez por todas, Ele está para sempre presente «em nosso favor, na presença de Deus» ().

Ver também§ 793§ 602§ 1085

  1. 201João Paulo II, Enc. Redemptor hominis, 11: AAS 71 (1979) 278.
  2. 202Cf. Símbolo Niceno-Contantinopolitano: DS 150.

Continua em § 601–601

«MORTO PELOS NOSSOS PECADOS, SEGUNDO AS ESCRITURAS»
601

Este plano divino de salvação, pela entrega à morte do «Servo, o Justo»444, tinha sido de antemão anunciado na Escritura como um mistério de redenção universal, quer dizer, de resgate que liberta os homens da escravidão do pecado445 São Paulo professa, numa confissão de fé que diz ter «recebido»446, que «Cristo morreu pelos nossos pecados segundo as Escrituras» ()447. A morte redentora de Jesus deu cumprimento sobretudo à profecia do Servo sofredor448. O próprio Jesus apresentou o sentido da sua vida e da sua morte à luz do Servo sofredor449. Após a sua ressurreição, deu esta interpretação das Escrituras aos discípulos de Emaús450 e depois aos próprios Apóstolos451.

Ver também§ 652§ 713

  1. 444Cf. : .
  2. 445Cf. ; Jo 8. 34-3
  3. 446Cf. .
  4. 447Cf. também ; 7, 52; 13, 29; 26, 22-23.
  5. 448Cf. Is 53. 7-8; .
  6. 449Cf. .
  7. 450Cf. .
  8. 451Cf. .

Continua em § 642–644

642

Tudo quanto aconteceu nestes dias pascais empenha cada um dos Apóstolos – e muito particularmente Pedro – na construção da era nova, que começa na manhã do dia de Páscoa. Como testemunhas do Ressuscitado, eles são as pedras do alicerce da sua Igreja. A fé da primeira comunidade dos crentes está fundada no testemunho de homens concretos, conhecidos dos cristãos e, a maior parte, vivendo ainda entre eles. Estas «testemunhas da ressurreição de Cristo»556 são, em primeiro lugar, Pedro e os Doze. Mas há outros: Paulo fala claramente de mais de quinhentas pessoas às quais Jesus apareceu em conjunto, além de Tiago e de todos os Apóstolos557.

Ver também§ 659§ 881§ 860

  1. 556Cf. .
  2. 557Cf. .
643

Perante estes testemunhos, é impossível interpretar a ressurreição de Cristo fora da ordem física e não a reconhecer como um facto histórico. Resulta, dos factos, que a fé dos discípulos foi submetida à prova radical da paixão e morte de cruz do seu Mestre, por este de antemão anunciada558. O abalo provocado pela paixão foi tão forte que os discípulos (pelo menos alguns) não acreditaram imediatamente na notícia da ressurreição. Longe de nos apresentar uma comunidade tomada de exaltação mística, os evangelhos apresentam-nos os discípulos abatidos (de «rosto sombrio»: ) e apavorados559. Foi por isso que não acreditaram nas santas mulheres, regressadas da sua visita ao túmulo, e «as suas narrativas pareceram-lhe um desvario» ()560. Quando Jesus apareceu aos onze, na tarde do dia de Páscoa, «censurou-lhes a falta de fé e a teimosia em não quererem acreditar naqueles que O tinham visto ressuscitado» ().

  1. 558Cf. .
  2. 559Cf. .
  3. 560Cf. .
644

Mesmo confrontados com a realidade de Jesus Ressuscitado, os discípulos ainda duvidam561 de tal modo isso lhes parecia impossível: julgavam ver um fantasma562. «Por causa da alegria, estavam ainda sem querer acreditar e cheios de assombro» (). Tomé experimentará a mesma provação da dúvida563, e quando da última aparição na Galileia, referida por Mateus, «alguns ainda duvidavam» ().É por isso que a hipótese, segundo a qual a ressurreição teria sido um «produto» da fé (ou da credulidade) dos Apóstolos, é inconsistente. Pelo contrário, a sua fé na ressurreição nasceu — sob a acção da graça divina da experiência directa da realidade de Jesus Ressuscitado.

  1. 561Cf. .
  2. 562Cf. .
  3. 563Cf. .

Continua em § 662–662

662

«E Eu, uma vez elevado da terra, atrairei todos a Mim» (). A elevação na cruz significa e anuncia a elevação da ascensão aos céus. É o princípio dela, Jesus Cristo, o único sacerdote da nova e eterna Aliança, «não entrou num santuário feito por homens [...]. Entrou no próprio céu, a fim de agora se apresentar diante de Deus em nosso favor» (). Nos céus, Cristo exerce permanentemente o seu sacerdócio, «sempre vivo para interceder a favor daqueles que, por seu intermédio, se aproximam de Deus» (). Como «sumo sacerdote dos bens futuros» (), Ele é o centro e o actor principal da liturgia que honra o Pai que está nos céus600.

Ver também§ 1545§ 1137

  1. 600Cf. .

Continua em § 857–857

IV. A Igreja é apostólica
857

A Igreja é apostólica, porque está fundada sobre os Apóstolos. E isso em três sentidos:

– foi e continua a ser construída sobre o «alicerce dos Apóstolos» (368), testemunhas escolhidas e enviadas em missão pelo próprio Cristo369;

– guarda e transmite, com a ajuda do Espírito Santo que nela habita, a doutrina370, o bom depósito, as sãs palavras recebidas dos Apóstolos371;

-continua a ser ensinada, santificada e dirigida pelos Apóstolos até ao regresso de Cristo, graças àqueles que lhes sucedem no ofício pastoral: o colégio dos bispos, «assistido pelos presbíteros, em união com o sucessor de Pedro, pastor supremo da Igreja»:

«Pastor eterno, não abandonais o vosso rebanho, mas sempre o guardais e protegeis por meio dos santos Apóstolos, para que seja conduzido através dos tempos, pelos mesmos chefes que pusestes à sua frente como representantes do vosso Filho, Jesus Cristo»373.

Ver também§ 75§ 171§ 880§ 1575

  1. 368Cf. .
  2. 369Cf. ; ; ; 15, 7-8: : etc.
  3. 370Cf. .
  4. 371Cf. .
  5. 373Prefácio dos Apóstolos Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 426 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992. p. 493].

Continua em § 995–996

995

Ser testemunha de Cristo é ser «testemunha da sua ressurreição» ()571, é «ter comido e bebido com Ele depois da sua ressurreição dos mortos» (). A esperança cristã na ressurreição é toda marcada pelos encontros com Cristo ressuscitado. Nós ressuscitaremos como Ele, com Ele e por Ele.

Ver também§ 860§ 655

  1. 571Cf. .
996

Desde o princípio, a fé cristã na ressurreição deparou com incompreensões e oposições572. «Não há ponto em que a fé cristã encontre mais contradição do que o da ressurreição da carne»573. É bastante comum a aceitação de que, depois da morte, a vida da pessoa humana continua de modo espiritual. Mas como acreditar que este corpo, tão manifestamente mortal, possa ressuscitar para a vida eterna?

Ver também§ 643

  1. 572Cf. : .
  2. 573Santo Agostinho, Enarratio Psalmum 88, 2. 5: CCL 39, 1237 (PL 37, 1134).

Continua em § 1137–1137

OS CELEBRANTES DA LITURGIA CELESTE
1137

O Apocalipse de São João, lido na liturgia da Igreja, revela-nos, primeiramente, um trono preparado no céu, e Alguém sentado no trono1, «o Senhor Deus» ()2. Depois, o Cordeiro «imolado e de pé» ()3: Cristo crucificado e ressuscitado, o único Sumo-Sacerdote do verdadeiro santuário4, o mesmo «que oferece e é oferecido, que dá e é dado»5. Enfim, «o rio da Vida [...] que corre do trono de Deus e do Cordeiro» (), um dos mais belos símbolos do Espírito Santo6.

Ver também§ 662

  1. 1Cf. .
  2. 2Cf. Ec 1, 26-28.
  3. 3Cf. .
  4. 4Cf. ; 10, 19-21: etc.
  5. 5Liturgia Bizantina. Anáfora de São João Crisóstomo: F. E. Brigtman, Liturgies Eastern and Western (Oxford 1896) p. 378 (PG 63, 913).
  6. 6Cf. ; .

Continua em § 1346–1347

1346

A liturgia eucarística processa-se em conformidade com uma estrutura fundamental, que se tem conservado através dos séculos até aos nossos dias. Desdobra-se em dois grandes momentos, que formam basicamente uma unidade:

– a reunião, a liturgia da Palavra, com as leituras, a homilia e a oração universal;

– a liturgia eucarística, com a apresentação do pão e do vinho, a acção de graças consecratória e a comunhão.

Liturgia da Palavra e liturgia eucarística constituem juntas "um só e mesmo acto de culto"177. Com efeito, a mesa posta para nós na Eucaristia é, ao mesmo tempo, a da Palavra de Deus e a do corpo do Senhor178.

Ver também§ 103

  1. 177II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 56: AAS 56 (1964) 115.
  2. 178Cf. III Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 21: AAS 58 (1966) 827.
1347

Não é esse também o dinamismo da refeição pascal de Jesus Ressuscitado com os seus discípulos? Enquanto caminhavam, Ele explicava-lhes as Escrituras; depois, pondo-Se à mesa com eles, «tomou o pão, proferiu a bênção, partiu-o e deu-lho»179.

  1. 179Cf. .

Continua em § 2763–2763

2763

Todas as Escrituras (a Lei, os Profetas e os Salmos) se cumpriram em Cristo10. O Evangelho é esta «boa-nova». O seu primeiro anúncio está resumido por São Mateus no sermão da montanha11. Ora a oração do Pai-nosso está no centro deste anúncio. E é neste contexto que se elucida cada uma das petições da oração legada pelo Senhor:

«A oração dominical é a mais perfeita das orações [...]. Nela, não só pedimos tudo quanto podemos rectamente desejar, mas também segundo a ordem em que convém desejá-lo. De modo que esta oração, não só nos ensina a pedir, mas também plasma todos os nossos afectos»12.

Ver também§ 102§ 2541

  1. 10Cf. .
  2. 11Cf. Mt 5-7.
  3. 12São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 2-2, q. 83, a. 9, c: Ed. Leon. 9, 201.
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