Catecismo
Bíblia · ed. Ave Maria
Código de Direito Canónico
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Catecismo
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§ 238–242, 514–521, 989–990

II. A revelação de Deus como Trindade
O PAI REVELADO PELO FILHO
238

A invocação de Deus como «Pai» é conhecida em muitas religiões. A divindade é muitas vezes considerada como «pai dos deuses e dos homens». Em Israel, Deus é chamado Pai enquanto criador do mundo38. Mais ainda, Deus é Pai em razão da Aliança e do dom da Lei a Israel, seu «filho primogénito» (). Também é chamado Pai do rei de Israel39. E é muito especialmente «o Pai dos pobres», do órfão e da viúva, entregues à sua protecção amorosa40.

Ver também§ 2443

  1. 38Cf. Dt 32. 6: Ml 2. 10.
  2. 39Cf. .
  3. 40Cf. .
239

Ao designar Deus com o nome de «Pai», a linguagem da fé indica principalmente dois aspectos: que Deus é a origem primeira de tudo e a autoridade transcendente, e, ao mesmo tempo, que é bondade e solicitude amorosa para com todos os seus filhos. Esta ternura paternal de Deus também pode ser expressa pela imagem da maternidade41, que indica melhor a imanência de Deus, a intimidade entre Deus e a sua criatura A linguagem da fé vai, assim, alimentar-se na experiência humana dos progenitores, que são, de certo modo, os primeiros representantes de Deus para o homem. Mas esta experiência diz também que os progenitores humanos são falíveis e podem desfigurar a face da paternidade e da maternidade. Convém, então, lembrar que Deus transcende a distinção humana dos sexos. Não é homem nem mulher: é Deus. Transcende também a paternidade e a maternidade humanas42, sem deixar de ser de ambas a origem e a medida43: ninguém é pai como Deus.

Ver também§ 370§ 2779

  1. 41Cf. : .
  2. 42Cf. .
  3. 43Cf. : .
240

Jesus revelou que Deus é «Pai» num sentido inédito: não o é somente enquanto Criador: é Pai eternamente em relação ao seu Filho único, o qual, eternamente, só é Filho em relação ao Pai: «Ninguém conhece o Filho senão o Pai, nem ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar» ().

Ver também§ 2780§ 441–445

241

É por isso que os Apóstolos confessam que Jesus é «o Verbo [que] estava [no princípio] junto de Deus» e que é Deus (), «a imagem do Deus invisível» (), «o resplendor da sua glória e a imagem da sua substância» ().

242

Na esteira deles, seguindo a tradição apostólica, no primeiro concílio ecuménico de Niceia, em 325, a Igreja confessou que o Filho é «consubstancial» ao Pai44, quer dizer, um só Deus com Ele. O segundo concilio ecuménico, reunido em Constantinopla em 381, guardou esta expressão na sua formulação do Credo de Niceia e confessou «o Filho unigénito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos, luz da luz. Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai»45.

Ver também§ 465

  1. 44Símbolo de Nicéia: DS 125.
  2. 45Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150.

Continua em § 514–521

I. Toda a vida de Cristo é mistério
514

Muitas coisas que interessam à curiosidade humana, a respeito de Jesus, não figuram nos evangelhos. Quase nada se diz da sua vida em Nazaré e mesmo grande parte da sua vida pública não é relatada186. O que foi escrito nos evangelhos, foi-o «para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome» ().

  1. 186Cf. .
515

Os evangelhos foram escritos por homens que foram dos primeiros a receber a fé187 e que quiseram partilhá-la com outros. Tendo conhecido, pela fé, quem é Jesus, puderam ver e fazer ver os traços do seu mistério em toda a sua vida terrena. Desde os panos do nascimento188 até ao vinagre da paixão189 e ao sudário da ressurreição190, tudo, na vida de Jesus, é sinal do seu mistério. Através dos seus gestos, milagres e palavras, foi revelado que «n'Ele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade» (). A sua humanidade aparece, assim, como «sacramento», isto é, sinal e instrumento da sua divindade e da salvação que Ele veio trazer. O que havia de visível na sua vida terrena conduz ao mistério invisível da sua filiação divina e da sua missão redentora.

Ver também§ 126§ 609§ 774§ 477

  1. 187Cf. ;
  2. 188Cf. .
  3. 189Cf. .
  4. 190Cf .
OS TRAÇOS COMUNS DOS MISTÉRIOS DE JESUS
516

Toda a vida de Cristo é revelação do Pai: as suas palavras e actos, os seus silêncios e sofrimentos, a maneira de ser e de falar. Jesus pode dizer: «Quem Me vê, vê o Pai» (); e o Pai: «Este é o meu Filho predilecto: escutai-O» (). Tendo-Se nosso Senhor feito homem para cumprir a vontade do Pai191, os mais pequenos pormenores dos seus mistérios manifestam «o amor de Deus para connosco»192.

Ver também§ 65§ 2708

  1. 191Cf. .
  2. 192Cf. .
517

Toda a vida de Cristo é mistério de redenção. A redenção vem-nos, antes de mais, pelo sangue da cruz193. Mas este mistério está actuante em toda a vida de Cristo: já na sua Encarnação, pela qual, fazendo-Se pobre, nos enriquece com a sua pobreza194; na vida oculta que, pela sua obediência195, repara a nossa insubmissão; na palavra que purifica os seus ouvintes196: nas curas e expulsões dos demónios, pelas quais «toma sobre Si as nossas enfermidades e carrega com as nossas doenças» ()197; na ressurreição, pela qual nos justifica198.

Ver também§ 606§ 1115

  1. 193Cf. : Cl I. 13-14 (Vulgata); .
  2. 194Cf. .
  3. 195Cf. .
  4. 196Cf. .
  5. 197Cf. .
  6. 198Cf. .
518

Toda a vida de Cristo é mistério de recapitulação. Tudo o que Jesus fez, disse e sofreu tinha por fim restabelecer o homem decaído na sua vocação originária:

«Quando Ele encarnou e Se fez homem, recapitulou em Si a longa história dos homens e proporcionou-nos, em síntese, a salvação, de tal forma que aquilo que havíamos perdido em Adão – isto é, sermos imagem e semelhança de Deus – o recuperássemos em Cristo Jesus»199. «Aliás, foi por isso que Cristo passou por todas as idades da vida, restituindo assim a todos os homens a comunhão com Deus»200.

Ver também§ 668§ 2748

  1. 199Santo Ireneo de Lião, Adversus haereses 3, 18, 1: SC 211, 342-344 (PG 7, 932).
  2. 200Ibidem, 18. 7: SC 211, 366 (PG 7, 937); cf. Ibid. 2, 22. 4: SC 294, 220-222 (PG 7, 784).
A NOSSA COMUNHÃO NOS MISTÉRIOS DE JESUS
519

Toda a riqueza de Cristo «se destina a todos os homens e constitui o bem de cada um»201. Cristo não viveu para Si mesmo, mas para nós, desde a Encarnação «por nós homens e para nossa salvação»202 até á sua morte «por causa dos nossos pecados» () e à sua ressurreição «para nossa justificação» (). Ainda agora, Ele é «o nosso advogado junto do Pai» (), «sempre vivo para interceder por nós» (). Com tudo o que viveu e sofreu por nós, uma vez por todas, Ele está para sempre presente «em nosso favor, na presença de Deus» ().

Ver também§ 793§ 602§ 1085

  1. 201João Paulo II, Enc. Redemptor hominis, 11: AAS 71 (1979) 278.
  2. 202Cf. Símbolo Niceno-Contantinopolitano: DS 150.
520

Em toda a sua vida, Jesus mostra-Se como nosso modelo203: é «o homem perfeito»204, que nos convida a tornarmo-nos seus discípulos e a segui-Lo; com a sua humilhação, deu-nos um exemplo a imitar205; com a sua oração, convida-nos à oração206; com a sua pobreza, incita--nos a aceitar livremente o despojamento e as perseguições207.

Ver também§ 459§ 359§ 2607

  1. 203Cf. ; .
  2. 204II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 38: AAS 58 (1966) 1055.
  3. 205Cf. .
  4. 206Cf. .
  5. 207Cf. .
521

Tudo o que Cristo viveu, Ele próprio faz com que o possamos viver n'Ele e Ele vivê-lo em nós. «Pela sua Encarnação, o Filho de Deus uniu-Se, de certo modo, a cada homem»208. Nós somos chamados a ser um só com Ele; Ele faz-nos comungar, enquanto membros do seu corpo, em tudo o que Ele próprio viveu na sua carne por nós, e como nosso modelo:

«Devemos continuar a completar em nós os estados e mistérios da vida de Jesus e pedir-Lhe continuamente que Se digne consumá-los perfeitamente em nós e em toda a sua Igreja [...]. Na verdade, o Filho de Deus deseja comunicar e prolongar, de certo modo, os seus mistérios em nós e em toda a sua Igreja, [...] quer pelas graças que decidiu conceder-nos, quer pelos efeitos que deseja produzir em nós, por meio destes mistérios. É neste sentido que Ele quer completá-los em nós»209.

Ver também§ 2715§ 1391

  1. 208II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042.
  2. 209São João Eudes: Le royaume de Jésus, 3, 4: Oeuvres complètes, v. 1 (Vannes 1905) p. 310-311 [2ª leitura do Ofício de Leituras de sexta-feira da 33ª semana do Tempo Comum: Liturgia das Horas, v. 4 (Gráfica de Coimbra 1983), p. 539].

Continua em § 989–990

989

Nós cremos e esperamos firmemente que, tal como Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos e vive para sempre, assim também os justos, depois da morte, viverão para sempre com Cristo ressuscitado, e que Ele os ressuscitará no último dia558. Tal como a d'Ele, também a nossa ressurreição será obra da Santíssima Trindade:

«Se o Espírito d'Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós» ()559.

Ver também§ 655§ 648

  1. 558Cf. .
  2. 559Cf. ; ; ; .
990

A palavra «carne» designa o homem na sua condição de fraqueza e mortalidade560 «Ressurreição da carne» significa que, depois da morte, não haverá somente a vida da alma imortal, mas também os nossos «corpos mortais» () retomarão a vida.

Ver também§ 364

  1. 560Cf. : : .
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