Catecismo
Bíblia · ed. Ave Maria
Código de Direito Canónico
Cân.
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§ 596–598

596

As autoridades religiosas de Jerusalém não foram unânimes na atitude a adoptar a respeito de Jesus424. Os fariseus ameaçaram de excomunhão aqueles que O seguissem425. Aos que temiam que «todos acreditassem n'Ele e os romanos viessem destruir o templo e a nação» (), o sumo sacerdote Caifás propôs, profetizando: «E do vosso interesse que morra um só homem pelo povo e não pereça a nação inteira» (). O Sinédrio, tendo declarado Jesus «réu de morte»426 como blasfemo, mas tendo perdido o direito de condenar à morte fosse quem fosse427, entregou Jesus aos romanos, acusando-O de revolta política428 — o que O colocava em pé de igualdade com que Barrabás, acusado de «sedição» (). São também de carácter político as ameaças que os sumos-sacerdotes fazem a Pilatos, pressionando-o a condenar Jesus à morte429.

Ver também§ 1753

  1. 424Cf. ; 10, 19.
  2. 425Cf. .
  3. 426Cf. .
  4. 427Cf. .
  5. 428Cf. .
  6. 429Cf. .
OS JUDEUS NÃO SÃO COLECTIVAMENTE RESPONSÁVEIS PELA MORTE DE JESUS
597

Tendo em conta a complexidade histórica do processo de Jesus, manifestada nas narrativas evangélicas, e qualquer que tenha sido o pecado pessoal dos intervenientes no processo (Judas, o Sinédrio, Pilatos), que só Deus conhece, não se pode atribuir a responsabilidade do mesmo ao conjunto dos judeus de Jerusalém, apesar da gritaria duma multidão manipulada430 e das censuras globais contidas nos apelos à conversão, depois do Pentecostes431. O próprio Jesus, perdoando na cruz432 e Pedro a seu exemplo, apelaram para «a ignorância»433 dos judeus de Jerusalém e mesmo dos seus chefes. Menos ainda é possível estender a responsabilidade ao conjunto dos judeus no espaço e no tempo, a partir do grito do povo: «Que o seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos» (), que é uma fórmula de ratificação434:

Por isso, a Igreja declarou no II Concílio do Vaticano: «Não se pode, todavia, imputar indistintamente a todos os judeus que então viviam, nem aos judeus do nosso tempo, o que na sua paixão se perpetrou. [...] Nem por isso os judeus devem ser apresentados como reprovados por Deus e malditos, como se tal coisa se concluísse da Sagrada Escritura»435.

Ver também§ 1735§ 839

  1. 430Cf. .
  2. 431Cf. ; 3, 13-14; 4, 10; 5, 30; 7, 52; 10, 39; 13, 27-28; .
  3. 432Cf. .
  4. 433Cf. .
  5. 434Cf. ; 18, 6.
  6. 435II Concílio do Vaticano, Decl. Nostra aetate, 4: AAS 58 (1966) 743.
TODOS OS PECADORES FORAM AUTORES DA PAIXÃO DE CRISTO
598

A Igreja, no magistério da sua fé e no testemunho dos seus santos, nunca esqueceu que «os pecadores é que foram os autores, e como que os instrumentos, de todos os sofrimentos que o divino Redentor suportou»436. Partindo do princípio de que os nossos pecados atingem Cristo em pessoa437, a Igreja não hesita em imputar aos cristãos a mais grave responsabilidade no suplício de Jesus, responsabilidade que eles muitas vezes imputaram unicamente aos judeus:

«Devemos ter como culpados deste horrível crime os que continuam a recair nos seus pecados. Porque foram os nossos crimes que fizeram nosso Senhor Jesus Cristo suportar o suplício da cruz, é evidente que aqueles que mergulham na desordem e no mal crucificam de novo em seu coração, tanto quanto deles depende, o Filho de Deus, pelos seus pecados, expondo-O à ignomínia. E temos de reconhecer: o nosso crime, neste caso, é maior que o dos judeus. Porque eles, como afirma o Apóstolo, «se tivessem conhecido a Sabedoria de Deus, não leriam crucificado o Senhor da glória» (); ao passo que nós, pelo contrário, fazemos profissão de O conhecer: e, quando O renegamos pelos nossos actos, de certo modo levantamos contra Ele as nossas mãos assassinas»438.

«Não foram os demónios que O pregaram na cruz, mas tu com eles O crucificaste, e ainda agora O crucificas quando te deleitas nos vícios e pecados»439.

Ver também§ 1851

  1. 436CatRom 1, 5, 11. p. 64: Cf. .
  2. 437Cf. ; .
  3. 438CatRom 1, 5, 11, p. 64.
  4. 439São Francisco de Assis, Admonitia 5, 3: Opuscula Sancti Patris Francisci Assisiensis, ed. G. Esser (Grottaferrata 1978) p. 66. [Fontes Franciscanas I (Braga. Editorial Franciscana. 1994) p. 114].
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Catecismo — texto oficial · © Libreria Editrice Vaticana · vatican.va

Sagrada Escritura — Bíblia Sagrada, edição Ave Maria

Concílios e documentos papais · Santa Sé · vatican.va

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Curso de doutrina católica em 10 sessões — aulas do Pe. Miguel Cabral · Oratório de São Josemaria
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