Catecismo
Bíblia · ed. Ave Maria
Código de Direito Canónico
Cân.
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§ 617–627

617

«Sua sanctissima passione in ligno crucis nobis justificationem meruit – Pela sua santíssima paixão no madeiro da cruz, Ele mereceu-nos a justificação» – ensina o Concílio de Trento499, sublinhando o carácter único do sacrifício de Cristo como fonte de salvação eterna500. E a Igreja venera a Cruz cantando: «O crux, ave, spes unica! – Avé, ó cruz, esperança única!»501.

Ver também§ 1992§ 1235

  1. 499Concílio de Trento, Sess. 6ª. Decretum de iustificatione, c. 1: DS 1529.
  2. 500Cf. .
  3. 501Aditamento litúrgico ao Hino «Vexilla Regis»: Liturgia Horarum, editio typica. N. 2 (Typis Polyglottis Vaticanis 1974) p. 313: v. 4, p. 1129 [a versão litúrgica em português difere um pouco: «Cruz do Senhor, és única esperança!»: Liturgia das Horas. v. 2 (Gráfica de Coimbra 1983) p. 366; v. 4. p. 1267].
A NOSSA PARTICIPAÇÃO NO SACRIFÍCIO DE CRISTO
618

A cruz é o único sacrifício de Cristo, mediador único entre Deus e os homens502. Mas porque, na sua pessoa divina encarnada. «Ele Se uniu, de certo modo, a cada homem»503, «a todos dá a possibilidade de se associarem a este mistério pascal, por um modo só de Deus conhecido»504. Convida os discípulos a tomarem a sua cruz e a segui-Lo505 porque sofreu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigamos os seus passos506. De facto, quer associar ao seu sacrifício redentor aqueles mesmos que são os primeiros beneficiários507. Isto realiza-se, em sumo grau, em sua Mãe, associada, mais intimamente do que ninguém, ao mistério do seu sofrimento redentor508:

Há uma só escada verdadeira fora do paraíso; fora da cruz, não há outra escada por onde se suba ao céu»509.

Ver também§ 1368§ 1460§ 307§ 2100§ 964

  1. 502Cf. .
  2. 503II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1042.
  3. 504Cf. II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1043.
  4. 505Cf. .
  5. 506Cf. .
  6. 507Cf. ; ; .
  7. 508Cf. .
  8. 509Santa Rosa de Lima: P. Hansen. Vita mirabilis [...] venerabilis sororis Rosae de sancta Maria Limensis (Romae 1664), p. 137.
Resumindo:
619

«Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras» ().

620

A nossa salvação procede da iniciativa amorosa de Deus em nosso favor, pois «foi Ele que nos amou a nós e enviou o seu Filho como vítima de propiciação pelos nossos pecados» (). «Foi Deus que, em Cristo, reconciliou consigo o mundo» ().

621

Jesus ofereceu-Se livremente para nossa salvação. Este dom, significa-o e realiza-o Ele, de antemão, durante a Ultimo Ceia: «Isto é o meu Corpo, que vai ser entregue por vós» ().

622

Nisto consiste a redenção de Cristo: Ele «veio dar a sua vida em resgate pela multidão»(), quer dizer; veio «amuar os seus até ao fim» (), para que fossem libertos da má conduta herdada dos seus pais510.

  1. 510Cf. .
623

Pela sua obediência amorosa ao Pai, «até d morte de cruz» (), Jesus cumpriu a missão expiatória511 do Servo sofredor, que justifica as multidões, tomando sobre Si o peso das suas faltas ()512.

  1. 511Cf. .
  2. 512Cf. ; .
PARÁGRAFO 3
JESUS CRISTO FOI SEPULTADO
624

«Pela graça de Deus, ele experimentou a morte, para proveito de todos» (). No seu plano de salvação, Deus dispôs que o seu Filho, não só «morresse pelos nossos pecados» (), mas também «saboreasse a morte», isto é, conhecesse o estado de morte, o estado de separação entre a sua alma e o seu corpo, durante o tempo compreendido entre o momento em que expirou na cruz e o momento em que ressuscitou. Este estado de Cristo morto é o mistério do sepulcro e da descida à mansão dos mortos. É o mistério do Sábado Santo, em que Cristo, depositado no túmulo513, manifesta o repouso sabático de Deus514 depois da realização515 da salvação dos homens, que pacifica todo o universo516.

Ver também§ 1005§ 362§ 349

  1. 513Cf. .
  2. 514Cf. .
  3. 515Cf. .
  4. 516Cf. .
O CORPO DE CRISTO NO SEPULCRO
625

A permanência do corpo de Cristo no túmulo constitui o laço real entre o estado passível de Cristo antes da Páscoa e o seu estado glorioso actual de ressuscitado. É a mesma pessoa do «Vivente» que pode dizer: «Estive morto e eis-Me vivo pelos séculos dos séculos» ():

«É este o mistério do desígnio de Deus àcerca da morte e da ressurreição dos mortos: se Ele não impediu que a morte separasse a alma do corpo, segundo a ordem necessária da natureza: mas juntou-os de novo um ao outro pela ressurreição, a fim de ser Ele próprio na sua pessoa o ponto de encontro da morte e da vida, suspendendo em Si a decomposição da natureza produzida pela morte e tornando-Se, Ele próprio, princípio de reunião para as partes separadas»517.

  1. 517São Gregório de Nissa, Oratio catechetica, 16, 9: TD 7, 90 (PG 45, 52).
626

Uma vez que o «Príncipe da Vida», a quem deram a morte518, é precisamente o mesmo «Vivente que ressuscitou»519, é forçoso que a pessoa divina do Filho de Deus tenha continuado a assumir a alma e o corpo, separados um do outro pela morte:

«Embora Cristo, enquanto homem tenha sofrido a morte e a sua santa alma tenha sido separada do seu corpo imaculado, nem por isso a divindade se separou, de nenhum modo, nem da alma nem do corpo: e nem por isso a Pessoa única foi dividida em duas. Tanto o corpo como a alma tiveram existência simultânea, desde o início, na Pessoa do Verbo; e, apesar de na morte terem sido separados, nenhum dos dois deixou de subsistir na Pessoa única do Verbo»520.

Ver também§ 470§ 650

  1. 518Cf. .
  2. 519Cf. .
  3. 520São João Damasceno, Expositio fidei, 71 [De Fide orthodoxa 3, 27]. PTS 12, 170 (PG 94, 1098).
«NÃO DEIXAREIS O VOSSO SANTO SOFRER A CORRUPÇÃO»
627

A morte de Cristo foi uma verdadeira morte, na medida em que pôs fim à sua existência humana terrena. Mas por causa da união que a Pessoa do Filho manteve com o seu corpo, este não se tornou um despojo mortal como os outros, porque «não era possível que Ele ficasse sob o domínio» da morte () e, por isso, «o poder divino preservou o corpo de Cristo da corrupção»521. De Cristo pode dizer-se ao mesmo tempo: «Foi cortado da terra dos vivos» () e: «A minha carne repousará na esperança, porque Tu não abandonarás a minha alma na mansão dos mortos, nem deixarás que o teu santo conheça a corrupção» ()522. A ressurreição de Jesus «ao terceiro dia» (; )523 era disso sinal, até porque se julgava que a corrupção começava a manifestar-se a partir do quarto dia524.

Ver também§ 1009§ 1683

  1. 521São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3, 51, 3. ad 2: ED. Leon. 11, 490.
  2. 522Cf. .
  3. 523Cf. : ; .
  4. 524Cf. .
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Catecismo — texto oficial · © Libreria Editrice Vaticana · vatican.va

Sagrada Escritura — Bíblia Sagrada, edição Ave Maria

Concílios e documentos papais · Santa Sé · vatican.va

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Curso de doutrina católica em 10 sessões — aulas do Pe. Miguel Cabral · Oratório de São Josemaria
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Índice analítico e índice litúrgico · catecismo.net
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