Catecismo

§ 671–727

... À ESPERA DE QUE TUDO LHE SEJA SUBMETIDO
671

Já presente na sua Igreja, o Reino de Cristo, contudo, ainda não está acabado «em poder e glória» (Lc 21, 27)615 pela vinda do Rei à terra. Este Reino ainda é atacado pelos poderes do mal616, embora estes já tenham sido radicalmente vencidos pela Páscoa de Cristo. Até que tudo Lhe tenha sido submetido617, «enquanto não se estabelecem os novos céus e a nova terra, em que habita a justiça, a Igreja peregrina, nos seus sacramentos e nas suas instituições, que pertencem à presente ordem temporal, leva a imagem passageira deste mundo e vive no meio das criaturas que gemem e sofrem as dores do parto, esperando a manifestação dos filhos de Deus»618. Por este motivo, os cristãos oram, sobretudo na Eucaristia619, para que se apresse o regresso de Cristo620, dizendo-Lhe: «Vem, Senhor» (Ap 22, 20)621.

Ver também§ 1043§ 769§ 773§ 1043§ 2046§ 2817

  1. 615Cf. Mt 25, 31.
  2. 616Cf. 2 Ts 2, 7.
  3. 617Cf. 1 Cor 15, 28.
  4. 618Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 48: AAS 57 (1965) 53.
  5. 619Cf. 1 Cor 11, 26.
  6. 620Cf. 2 Pe 3. 11-12.
  7. 621Cf. 1 Cor 16, 22; Ap 22, 17.
672

Cristo afirmou, antes da sua ascensão, que ainda não era a hora do estabelecimento glorioso do Reino messiânico esperado por Israel622, o qual devia trazer a todos os homens, segundo os profetas623, a ordem definitiva da justiça, do amor e da paz. O tempo presente é, segundo o Senhor, o tempo do Espírito e do testemunho624 mas é também um tempo ainda marcado pela «desolação»625 e pela provação do mal626, que não poupa a Igreja627 e inaugura os combates dos últimos dias628. É um tempo de espera e de vigília629.

Ver também§ 732§ 2612

  1. 622Cf. Act 1, 6-7.
  2. 623Cf. Is 11, 1-9.
  3. 624Cf. Act 1, 8.
  4. 625Cf. 1 Cor 7, 26.
  5. 626Cf. Ef 5, 16.
  6. 627Cf. 1 Pe 4, 17.
  7. 628Cf. 1 Jo 2, 18; 4, 3: 1 Tm 4, 1.
  8. 629Cf. Mt 25, 1-13; Mc 13, 33-37.
A VINDA GLORIOSA DE CRISTO, ESPERANÇA DE ISRAEL
673

A partir da ascensão, a vinda de Cristo na glória está iminente630 mesmo que não nos «pertença saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade» (Act 1, 7)631. Este advento escatológico pode realizar-se a qualquer momento632, ainda que esteja «retido», ele e a provação final que o há-de preceder633.

Ver também§ 1040§ 1048

  1. 630Cf. Ap 22. 20.
  2. 631Cf. Mc 13, 32.
  3. 632Cf. Mt 24, 44; 1 Ts 5, 2.
  4. 633Cf. 2 Ts 2, 3-12.
674

A vinda do Messias glorioso está pendente, a todo o momento da história634, do seu reconhecimento por «todo o Israel»635, do qual «uma parte se endureceu»636 na «incredulidade» (Rm 11, 20) em relação a Jesus. E Pedro quem diz aos judeus de Jerusalém, após o Pentecostes: «Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que os pecados vos sejam perdoados. Assim, o Senhor fará que venham os tempos de alívio e vos mandará o Messias Jesus, que de antemão vos foi destinado. O céu tem de O conservar até à altura da restauração universal, que Deus anunciou pela boca dos seus santos profetas de outrora» (Act 3, 19-21). E Paulo faz-se eco destas palavras: «Se da sua rejeição resultou a reconciliação do mundo, o que será a sua reintegração senão uma ressurreição de entre os mortos?» (Rm 11, 15). A entrada da totalidade dos judeus637 na salvação messiânica, a seguir à «conversão total dos pagãos»638, dará ao povo de Deus ocasião de «realizar a plenitude de Cristo» (Ef 4, 13), na qual «Deus será tudo em todos» (1 Cor 15, 2).

Ver também§ 840§ 58

  1. 634Cf. Rm 11, 31.
  2. 635Cf. Rm 11, 26; Mt 23, 39.
  3. 636Cf. Rm 11, 25.
  4. 637Cf. Rm 11, 12.
  5. 638Cf. Rm 11, 25; Lc 21, 24.
A ÚLTIMA PROVA DA IGREJA
675

Antes da vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma prova final, que abalará a fé de numerosos crentes639. A perseguição, que acompanha a sua peregrinação na Terra640, porá a descoberto o «mistério da iniquidade», sob a forma duma impostura religiosa, que trará aos homens uma solução aparente para os seus problemas, à custa da apostasia da verdade. A suprema impostura religiosa é a do Anticristo, isto é, dum pseudo-messianismo em que o homem se glorifica a si mesmo, substituindo-se a Deus e ao Messias Encarnado641.

Ver também§ 769

  1. 639Cf. Lc 18, 8; Mt 24, 12.
  2. 640Cf. Lc 21, 12; Jo 15, 19-20.
  3. 641Cf. 2 Ts 2, 4-12; 1 Ts 5. 2-3; 2 Jo 7; 1 Jo 2, 18.22.
676

Esta impostura anticrística já se esboça no mundo, sempre que se pretende realizar na história a esperança messiânica, que não pode consumar-se senão para além dela, através do juízo escatológico. A Igreja rejeitou esta falsificação do Reino futuro, mesmo na sua forma mitigada, sob o nome de milenarismo642, e principalmente sob a forma política dum messianismo secularizado, «intrinsecamente perverso»643.

Ver também§ 2425

  1. 642Cf. Santo Ofício, Decretum de millenarismo (19 de Julho de 1944): DS 3839.
  2. 643Cf. Pio XI, Enc. Divini Redemtptoris (19 de Março de 1937): AAS 29 (1937) 65-106, condenando o «falso misticismo» desta «simulação da redenção dos humildes» (p. 69); II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 20-21: AAS 58 (1966) 1040-1042.
677

A Igreja não entrará na glória do Reino senão através dessa última Páscoa, em que seguirá o Senhor na sua morte e ressurreição644. O Reino não se consumará, pois, por um triunfo histórico da Igreja645 segundo um progresso ascendente, mas por uma vitória de Deus sobre o último desencadear do mal646, que fará descer do céu a sua Esposa647. O triunfo de Deus sobre a revolta do mal tomará a forma de Juízo final648, após o último abalo cósmico deste mundo passageiro649.

Ver também§ 1340§ 2853

  1. 644Cf. Ap 19, 1-9.
  2. 645Cf. Ap 13, 8.
  3. 646Cf. Ap 20, 7-10.
  4. 647Cf. Ap 21, 2-4.
  5. 648Cf. Ap 20, 12.
  6. 649Cf. 2 Pe 3. 12-13.
II. «Para julgar os vivos e os mortos»
678

Na sequência dos profetas650 e de João Baptista651, Jesus anunciou, na sua pregação, o Juízo do último dia. Então será revelado o procedimento de cada um652 e o segredo dos corações653. Então, será condenada a incredulidade culpável, que não teve em conta a graça oferecida por Deus654. A atitude tomada para com o próximo revelará a aceitação ou a recusa da graça e do amor divino655. No último dia, Jesus dirá: «Sempre que o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes» (Mt 25, 40).

Ver também§ 1470

  1. 650Cf. Dn 7, 10; Jl 3-4: Ml 3, 19.
  2. 651Cf. Mt 3, 7-12.
  3. 652Cf. Mc 12, 38-40.
  4. 653Cf. Lc 12, Jo 3, 20-21; Rm 2, 16; 1 Cor 4, 5.
  5. 654Cf. Mt 11, 20-24: 12, 41-42.
  6. 655Cf. Mt 5, 22; 7, 1-5.
679

Cristo é Senhor da vida eterna. O pleno direito de julgar definitivamente as obras e os corações dos homens pertence-Lhe a Ele, enquanto redentor do mundo. Ele «adquiriu» este direito pela sua cruz. Por isso, o Pai entregou «ao Filho todo o poder de julgar» (Jo 5, 22)656. Ora, o Filho não veio para julgar, mas para salvar657 e dar a vida que tem em Si658. É pela recusa da graça nesta vida que cada qual se julga já a si próprio659, recebe segundo as suas obras (660) e pode, mesmo, condenar-se para a eternidade, recusando o Espírito de amor (661).

Ver também§ 1021

  1. 656Cf. Jo 5, 27: Mt 25, 31: Act 10, 42: 17, 31: 2 Tm 4, 1.
  2. 657Cf. Jo 3, 17.
  3. 658Cf. Jo 5, 26.
  4. 659Cf. Jo 3, 18: 12, 48.
Resumindo:
680

Cristo Senhor reina já pela Igreja, mas ainda não Lhe estão submetidas todas as coisas deste mundo. O triunfo do Reino de Cristo só será um facto, depois dum último assalto das forças do mal.

681

No dia do Juízo, no fim do mundo, Cristo virá na sua glória para completar o triunfo definitivo do bem sobre o mal, os quais, como o trigo e o joio, terão crescido juntos no decurso da história.

682

Quando vier; no fim dos tempos, para julgar os vivos e os mortos, Cristo glorioso há-de revelar a disposição secreta dos corações, e dará a cada um segundo as suas obras e segundo tiver aceite ou recusado a graça.

CAPÍTULO TERCEIRO
CREIO NO ESPÍRITO SANTO
683

«Ninguém pode dizer "Jesus é o Senhor" a não ser pela acção do Espírito Santo» (1Cor 12, 3). «Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: "Abbá! Pai!'» (Gl 4, 6). Este conhecimento da fé só é possível no Espírito Santo. Para estar em contacto com Cristo, é preciso primeiro ter sido tocado pelo Espírito Santo. É Ele que nos precede e suscita em nós a fé. Em virtude do nosso Baptismo, primeiro sacramento da fé, a Vida, que tem a sua fonte no Pai e nos é oferecida no Filho, é-nos comunicada, íntima e pessoalmente, pelo Espírito Santo na Igreja:

O Baptismo «dá-nos a graça do novo nascimento em Deus Pai, por meio do Filho no Espírito Santo. Porque aqueles que têm o Espírito de Deus são conduzidos ao Verbo, isto é, ao Filho: mas o Filho apresenta-os ao Pai, e o Pai dá-lhes a incorruptibilidade. Portanto, sem o Espírito não é possível ver o Filho de Deus, e sem o Filho ninguém tem acesso ao Pai, porque o conhecimento do Pai é o Filho, e o conhecimento do Filho de Deus faz-se pelo Espírito Santo»1.

Ver também§ 424§ 2670§ 152§ 249

  1. 1Santo Ireneu de Lião, Demonstratio praedicationis apostolicae, 7: SC 62, 41-42.
684

O Espírito Santo, pela sua graça, é o primeiro no despertar da nossa fé e na vida nova que consiste em conhecer o Pai e Aquele que Ele enviou, Jesus Cristo2. No entanto, Ele é o último na revelação das Pessoas da Santíssima Trindade. São Gregário de Nazianzo, «o Teólogo», explica esta progressão pela pedagogia da «condescendência» divina:

«O Antigo Testamento proclamava manifestamente o Pai e mais obscuramente o Filho. O Novo manifestou o Filho e fez entrever a divindade do Espírito. Agora, porém, o próprio Espírito vive connosco e manifesta-se a nós mais abertamente. Com efeito, quando ainda não se confessava a divindade do Pai, não era prudente proclamar abertamente o Filho: e quando a divindade do Filho ainda não era admitida, não era prudente acrescentar o Espírito Santo como um fardo suplementar, para empregar uma expressão um tanto ousada [...] É por avanços e progressões "de glória em glória " que a luz da Trindade brilhará em mais esplendorosas claridades»3.

Ver também§ 236

  1. 2Cf. Jo 17, 3.
  2. 3São Gregório de Nazianzo, Oratio 31 (Theologica 5), 26: SC 250, 326 (PG 36, 161-164).
685

Crer no Espírito é, portanto, professar que o Espírito Santo é uma das Pessoas da Santíssima Trindade, consubstancial ao Pai e ao Filho, «adorado e glorificado com o Pai e o Filho»4. É por isso que tratamos do mistério divino do Espírito Santo na «teologia» trinitária. Portanto, aqui só trataremos do Espírito Santo no âmbito da «economia» divina.

Ver também§ 236

  1. 4Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150.
686

O Espírito Santo age juntamente com o Pai e o Filho, desde o princípio até à consumação do desígnio da nossa salvação. Mas é nestes «últimos tempos», inaugurados com a Encarnação redentora do Filho, que Ele é revelado e dado, reconhecido e acolhido como Pessoa. Então, esse desígnio divino, consumado em Cristo, «Primogénito» e Cabeça da nova criação, poderá tomar corpo na humanidade pelo Espírito derramado: a Igreja, a comunhão dos santos, a remissão dos pecados, a ressurreição da carne, a vida eterna.

Ver também§ 258

ARTIGO 8
«CREIO NO ESPÍRITO SANTO»
687

«Ninguém conhece o que há em Deus, senão o Espírito de Deus» (1 Cor 2, 11). Ora, o seu Espírito, que O revela, faz-nos conhecer Cristo, seu Verbo, sua Palavra viva; mas não Se diz a Si próprio. Aquele que «falou pelos profetas»5 faz-nos ouvir a Palavra do Pai. Mas a Ele, nós não O ouvimos. Não O conhecemos senão no movimento em que Ele nos revela o Verbo e nos dispõe a acolhê-Lo na fé. O Espírito de verdade, que nos «revela» Cristo, «não fala de Si próprio»6. Tal escondimento, propriamente divino, explica porque é que «o mundo não O pode receber, porque não O vê nem O conhece», enquanto aqueles que crêem em Cristo O conhecem, porque habita com eles e está neles (Jo 14, 17).

Ver também§ 243

  1. 5Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150.
  2. 6Cf. Jo 16, 13.
688

A Igreja, comunhão viva na fé dos Apóstolos que ela transmite, é o lugar do nosso conhecimento do Espírito Santo:

— Nas Escrituras, que Ele inspirou:

— na Tradição, de que os Padres da Igreja são testemunhas sempre actuais;

— no Magistério da Igreja, que Ele assiste;

— na liturgia sacramental, através das suas palavras e dos seus símbolos, em que o Espírito Santo nos põe em comunhão com Cristo;

— na oração, em que Ele intercede por nós;

— nos carismas e ministérios, pelos quais a Igreja é edificada;

— nos sinais de vida apostólica e missionária;

— no testemunho dos santos, nos quais Ele manifesta a sua santidade e continua a obra da salvação.

I. A missão conjunta do Filho e do Espírito
689

Aquele que o Pai enviou aos nossos corações, o Espírito do seu Filho7, é realmente Deus. Consubstancial ao Pai e ao Filho, é d'Eles inseparável, tanto na vida íntima da Trindade como no seu dom de amor pelo mundo. Mas ao adorar a Santíssima Trindade, vivificante, consubstancial e indivisível, a fé da Igreja professa também a distinção das Pessoas. Quando o Pai envia o seu Verbo, envia sempre o seu Espírito: missão conjunta na qual o Filho e o Espírito Santo são distintos mas inseparáveis. Sem dúvida, é Cristo quem aparece, Ele que é a Imagem visível de Deus invisível; mas é o Espírito Santo quem O revela.

Ver também§ 245§ 254§ 485

  1. 7Cf. Gl 4, 6.
690

Jesus é Cristo, «ungido», porque o Espírito é d'Ele a Unção; e tudo quanto acontece a partir da Encarnação, decorre desta plenitude8. Finalmente, quando Cristo é glorificado9, pode, por sua vez, enviar de junto do Pai, o Espírito, aos que crêem n'Ele: comunica-lhes a sua glória10, quer dizer, o Espírito Santo que O glorifica11. A missão conjunta desenvolver-se-á, a partir desse momento, nos filhos adoptados pelo Pai no Corpo do seu Filho: a missão do Espírito de adopção consistirá em uni-los a Cristo e fazê-los viver n' Ele:

«A unção sugere... que não há nenhuma distância entre o Filho e o Espírito. Com efeito, do mesmo modo que entre a superfície do corpo e a unção do óleo, nem a razão nem os sentidos encontram qualquer entremeio, assim é imediato o contacto do Filho com o Espírito, de tal modo que aquele que vai tomar contacto com o Filho pela fé, tem que contactar primeiro com o óleo. Com efeito, não há pane alguma que esteja despida do Espírito Santo. É por isso que a confissão do Senhorio do Filho se faz no Espírito Santo para aqueles que a recebem, pois o Espírito vem, de todos os lados, ao encontro daqueles que se aproximam pela fé»12.

Ver também§ 436§ 788§ 448

  1. 8Cf. Jo 3, 34.
  2. 9Cf. Jo 7, 39.
  3. 10Cf. Jo 17, 22.
  4. 11Cf. Jo 16, 14.
  5. 12São Gregório de Nissa, Adversus Macedonianos de Spiritu Sancto, 16: Gregorii Nysseni
II. O nome, as designações e os símbolos do Espírito Santo
O NOME PRÓPRIO DO ESPÍRITO SANTO
691

«Espírito Santo», tal á o nome próprio d'Aquele que adoramos e glorificamos com o Pai e o Filho. A Igreja recebeu este nome do Senhor e professa-o no Baptismo dos seus novos filhos13.

O termo «Espírito» traduz o termo hebraico « Ruah» que, na sua primeira acepção, significa sopro, ar, vento. Jesus utiliza precisamente a imagem sensível do vento para sugerir a Nicodemos a novidade transcendente d'Aquele que é pessoalmente o Sopro de Deus, o Espírito divino14. Por outro lado, Espírito e Santo são atributos divinos comuns às três Pessoas divinas. Mas, juntando os dois termos, a Escritura, a Liturgia e a linguagem teológica designam a Pessoa inefável do Espírito Santo, sem equívoco possível com os outros empregos dos termos «espírito» e «santo».

  1. 13Cf. Mt 28, 19.
  2. 14Cf. Jo 3, 5-8.
AS DESIGNAÇÕES DO ESPÍRITO SANTO
692

Jesus, ao anunciar e prometer a vinda do Espírito Santo, chama-Lhe o «Paráclito», que, à letra, quer dizer: «aquele que é chamado para junto», ad vocatus (Jo 14, 16. 26; 15, 26; 16, 7). «Paráclito» traduz-se habitualmente por «Consolador», sendo Jesus o primeiro consolador15. O próprio Senhor chama ao Espírito Santo «o Espírito da verdade»16.

Ver também§ 1433

  1. 15Cf. 1 Jo 2, 1 (paráklêton).
  2. 16Cf. Jo 16. 13.
693

Além do seu nome próprio, que é o mais empregado nos Actos dos Apóstolos e nas epístolas, encontramos em S. Paulo as designações: Espírito da promessa (Gl 3, 14; Ef 1, 13), Espírito de adopção (Rm 8, 15: Gl 4, 6), Espírito de Cristo (Rm 8, 9), Espírito do Senhor (2 Cor 3, 17). Espírito de Deus (Rm 8, 9. 14; 15, 19; 1 Cor 6, 11; 7, 40), e em S. Pedro, Espírito de glória (1 Pe 4, 14).

OS SÍMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO
694

A água. O simbolismo da água é significativo da acção do Espírito Santo no Baptismo, pois que, após a invocação do Espírito Santo, ela torna-se o sinal sacramental eficaz do novo nascimento. Do mesmo modo que a gestação do nosso primeiro nascimento se operou na água, assim a água baptismal significa realmente que o nosso nascimento para a vida divina nos é dado no Espírito Santo. Mas, «baptizados num só Espírito», «a todos nos foi dado beber de um único Espírito» (1 Cor 12, 13): portanto, o Espírito é também pessoalmente a Agua viva que brota de Cristo crucificado17 como da sua fonte, e jorra em nós para a vida eterna18.

Ver também§ 1218§ 2652

  1. 17Cf. Jo 19, 34; 1 Jo 5, 8.
  2. 18Cf. Jo 4, 10-14; 7, 38: Ex 17, 1-6: Is 55, 1; Zc 14, 8: 1 Cor 10, 4. Ap 21, 6; 22, 17.
695

A unção. O simbolismo da unção com óleo é também significativo do Espírito Santo, a ponto de se tomar o seu sinónimo19. Na iniciação cristã, ela é o sinal sacramental da Confirmação, que justamente nas Igrejas Orientais se chama «Crismação». Mas, para lhe apreender toda a força, temos de voltar à primeira unção realizada pelo Espírito Santo: a de Jesus. Cristo («Messias» em hebraico) significa «ungido» pelo Espírito de Deus. Houve «ungidos» do Senhor na antiga Aliança20, sobretudo o rei David21. Mas Jesus é o ungido de Deus de maneira única: a humanidade que o Filho assume é totalmente «ungida pelo Espírito Santo». Jesus é constituído «Cristo» pelo Espírito Santo22. A Virgem Maria concebe Cristo do Espírito Santo, que pelo anjo O anuncia como Cristo aquando do seu nascimento23 e leva Simeão a ir ao templo ver o Cristo do Senhor24. É Ele que enche Cristo25 e cujo poder emana de Cristo nos seus actos de cura e salvamento26. Finalmente, é Ele que ressuscita Jesus de entre os mortos27. Então, plenamente constituído «Cristo» na sua humanidade vencedora da morte28, Jesus difunde em profusão o Espírito Santo, até que «os santos» constituam, na sua união à humanidade do Filho de Deus, o «homem adulto à medida completa da plenitude de Cristo» (Ef 4, 13), «o Cristo total», para empregar a expressão de Santo Agostinho29.

Ver também§ 1293§ 436§ 1504§ 794

  1. 19Cf. 1 Jo 2, 20. 27; 2 Cor 1, 21.
  2. 20Cf. Ex 30, 22-32.
  3. 21Cf. 1 Sm 16, 13.
  4. 22Cf. Lc 4, 18-19; Is 61, 1.
  5. 23Cf. Lc 2, 11.
  6. 24Lc 2, 26-27.
  7. 25Cf. Lc 4, 1.
  8. 26Cf. Lc 6, 19; 8, 46.
  9. 27Cf. Rm 1, 4; 8, 11.
  10. 28Cf. Act 2, 36.
  11. 29Santo Agostinho, Sermão 341, 1, 1: PL 39, 1493: Ibid. 9, 11: PL 39. 1499.
696

O fogo. Enquanto a água significava o nascimento e a fecundidade da vida dada no Espírito Santo, o fogo simboliza a energia transformadora dos actos do Espírito Santo. O profeta Elias, que «apareceu como um fogo e cuja palavra queimava como um facho ardente» (Sir 48, 1), pela sua oração faz descer o fogo do céu sobre o sacrifício do monte Carmelo30, figura do fogo do Espírito Santo, que transforma aquilo em que toca. João Baptista, que «irá à frente do Senhor com o espírito e a força de Elias» (Lc 1, 17), anuncia Cristo como Aquele que «há-de baptizar no Espírito Santo e no fogo» (Lc 3, 16), aquele Espírito do qual Jesus dirá: «Eu vim lançar fogo sobre a terra e só quero que ele se tenha ateado!» (Lc 12, 49). É sob a forma de línguas, «uma espécie de línguas de fogo», que o Espírito Santo repousa sobre os discípulos na manhã de Pentecostes e os enche de Si31. A tradição espiritual reterá este simbolismo do fogo como um dos mais expressivos da acção do Espírito Santo32. «Não apagueis o Espírito!» (1 Ts 5, 19).

Ver também§ 1127§ 2586§ 718

  1. 30Cf. 1 Rs 18, 38-39.
  2. 31Cf. Act 2, 3-4.
  3. 32Cf. São João da Cruz, Llama de amor viva: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 13 (Burgos 1931) p. 1-102; 103-213. [ID., Chama vida de amor: Obras Completas (Paço de Arcos, Edições Carmelo 1986) p. 829-957)].
697

A nuvem e a luz. Estes dois símbolos são inseparáveis nas manifestações do Espírito Santo. Desde as teofanias do Antigo Testamento, a nuvem, umas vezes escura, outras luminosa, revela o Deus vivo e salvador, velando a transcendência da sua glória: a Moisés no monte Sinai33, na tenda da reunião34 e durante a marcha pelo deserto35; a Salomão, aquando da dedicação do templo36. Ora estas figuras são realizadas por Cristo no Espírito Santo. É Ele que desce sobre a Virgem Maria e a cobre «com a sua sombra», para que conceba e dê à luz Jesus37. No monte da transfiguração, é Ele que «sobrevém na nuvem que cobriu da sua sombra» Jesus, Moisés e Elias, Pedro, Tiago e João, nuvem da qual se fez ouvir uma voz que dizia: "Este é o meu Filho, o meu Eleito, escutai-O!"» (Lc 9, 35). E, enfim, a mesma nuvem que «esconde Jesus aos olhos» dos discípulos no dia da Ascensão38 e que O revelará como Filho do Homem na sua glória, no dia da sua vinda39.

Ver também§ 484§ 554§ 659

  1. 33Cf. Ex 24, 15-18.
  2. 34Cf. Ex 33, 9-10.
  3. 35Cf. Ex 40, 36-38; 1 Cor 10, 1-2.
  4. 36Cf. 1 Rs 8, 10-12.
  5. 37Cf. Lc 1, 35.
  6. 38Cf. Act 1, 9.
  7. 39Cf. Lc 21, 27.
698

O selo é um símbolo próximo do da unção. Com efeito, foi a Cristo que «Deus marcou com o seu selo» (Jo 6, 27) e é n'Ele que o Pai nos marca também com o seu selo»40. Porque indica o efeito indelével da unção do Espírito Santo nos sacramentos do Baptismo, da Confirmação e da Ordem, a imagem do selo («sphragis») foi utilizada em certas tradições teológicas para exprimir o «carácter» indelével, impresso por estes três sacramentos, que não podem ser repetidos.

Ver também§ 1295–1296§ 1121

  1. 40Cf. 2 Cor 1, 22; Ef 1, 13; 4, 30.
699

A mão. É pela imposição das mãos que Jesus cura os doentes41 e abençoa as crianças42. O mesmo farão os Apóstolos, em seu nome43. Ainda mais: é pela imposição das mãos dos Apóstolos que o Espírito Santo é dado44. A Epístola aos Hebreus coloca a imposição das mãos no número dos «artigos fundamentais» do seu ensino45. Este sinal da efusão omnipotente do Espírito Santo, guarda-o a Igreja nas suas epicleses sacramentais.

Ver também§ 292§ 1288§ 1300§ 1573§ 1668

  1. 41Cf. Mc 6, 5; 8, 23.
  2. 42Cf. Mc 10. 16.
  3. 43Cf. Mc 16, 18; Act 5, 12; 14, 3.
  4. 44Cf. Act 8, 17-19; 13, 3; 19, 6.
  5. 45Cf. Heb 6, 2.
700

O dedo. «É pelo dedo de Deus que Jesus expulsa os demónios»46. Se a Lei de Deus foi escrita em tábuas de pedra «pelo dedo de Deus» (Ex 31, 18), a «carta de Cristo», entregue ao cuidado dos Apóstolos, «é escrita com o Espírito de Deus vivo: não em placas de pedra, mas em placas que são corações de carne» (2 Cor 3, 3). O hino «Veni Creator Spiritus» invoca o Espírito Santo como «digitus paternae dexterae» — «Dedo da mão direita do Pai»47.

Ver também§ 2056

  1. 46Cf. Lc 11, 20.
  2. 47Cf. Domingo de Pentecostes, Hino das I e II Vésperas: Liturgia Horarum, editio typica, v. 2 (Typis Polyglottis Vaticanis 1974), p. 795 e 812. [Liturgia das Horas. vol. II p. 850 e 861. edição da Gráfica de Coimbra, 1999].
701

A pomba. No final do dilúvio (cujo simbolismo tem a ver com o Baptismo), a pomba solta por Noé regressa com um ramo verde de oliveira no bico, sinal de que a terra é outra vez habitável /48). Quando Cristo sobe das águas do seu baptismo, o Espírito Santo, sob a forma duma pomba, desce e paira sobre Ele49. O Espírito desce e repousa no coração purificado dos baptizados. Em certas igrejas, a sagrada Reserva eucarística é conservada num relicário metálico em forma de pomba (o columbarium) suspenso sobre o altar. O símbolo da pomba para significar o Espírito Santo é tradicional na iconografia cristã.

Ver também§ 1219§ 535

  1. 49Cf. Mt 3, 16 e par.
III. O Espírito e a Palavra de Deus, no tempo das promessas
702

Desde o princípio até à «plenitude do tempo»50, a missão conjunta do Verbo e do Espírito do Pai permanece oculta, mas está actuante. O Espírito de Deus prepara o tempo do Messias: e um e outro, ainda não plenamente revelados, já são prometidos com o fim de serem esperados e acolhidos quando da sua manifestação. É por isso que, quando a Igreja lê o Antigo Testamento51 perscruta nele52 o que o Espírito, «que falou pelos profetas»53, nos quer dizer acerca de Cristo.

Por «profetas», a fé da Igreja entende aqui todos aqueles que o Espírito Santo inspirou no anúncio vivo e na redacção dos Livros santos, tanto do Antigo como do Novo Testamento. A tradição judaica distingue a Lei (os cinco primeiros livros ou Pentateuco), os Profetas (os livros ditos históricos e proféticos) e os Escritos (sobretudo sapienciais, em particular os Salmos)54.

Ver também§ 122§ 107§ 243

  1. 50Cf. Gl 4, 4
  2. 51Cf. 2 Cor 3, 14.
  3. 52Cf. Jo 5, 39. 46.
  4. 53Símbolo Niceno-Constantinopolitano: DS 150.
  5. 54Cf. Lc 24, 44.
NA CRIAÇÃO
703

A Palavra de Deus e o seu Espírito estão na origem do ser e da vida de todas as criaturas55.

É próprio do Espírito Santo reinar, santificar e animar a criação, porque Ele é Deus consubstancial ao Pai e ao Filho [...]. Pertence-Lhe o poder sobre a vida, porque, sendo Deus, guarda a criação no Pai pelo Filho56.

Ver também§ 292§ 291

  1. 55Cf. Sl 33, 6; 104. 30; Gn 1, 2; 2, 7; Ecl 3, 20-21; Ez 37, 10.
  2. 56Liturgia bizantina, Ofício das Horas. Matinas dos Domingos do segundo modo, Antífonas 1 e 2: Paraklêtikês (Romae 1885), p. 107.
704

«Quanto ao homem, foi com as suas próprias mãos (quer dizer, com o Filho e o Espírito Santo) que Deus o moldou [...] e sobre a carne moldada desenhou a sua própria forma, de modo que, mesmo o que havia de ser visível, tivesse a forma divina»57 .

Ver também§ 356

  1. 57Santo Ireneu de Lião, Demonstratio praedicationis apostolicae. 11: SC 62, 48-49.
O ESPÍRITO DA PROMESSA
705

Desfigurado pelo pecado e pela morte, o homem permanece «à imagem de Deus», à imagem do Filho, mas está «privado da glória de Deus»58 , privado da «semelhança». A promessa feita a Abraão inaugura a «economia da salvação», no termo da qual o próprio Filho assumirá «a imagem»59 e restaurá-la-á na «semelhança» com o Pai, voltando a dar-lhe a glória, o Espírito «que dá a vida».

Ver também§ 410§ 2809

  1. 58Cf. Rm 3, 23.
  2. 59Cf. Jo 1, 14; Fl 2, 7.
706

Contra toda a esperança humana, Deus promete a Abraão uma descendência, como fruto da fé e do poder do Espírito Santo60. Nessa descendência serão abençoadas todas as nações da terra61. Essa descendência será o Cristo62 no qual a efusão do Espírito Santo fará «a unidade dos filhos de Deus dispersos»63. Comprometendo-Se por juramento64, Deus obriga-Se, desde logo, ao dom do seu Filho muito-amado65 e ao dom do «Espírito Santo prometido, que constitui o título de garantia da nossa herança para a redenção do povo que Deus adquiriu para Si mesmo»66.

Ver também§ 60

  1. 60Cf. Gn 18, 1-15; Lc 1, 26-38.54-55; Jo 1, 12-13; Rm 4, 16-21.
  2. 61Cf. Gn 12, 3.
  3. 62Cf. Gl 3, 16.
  4. 63Cf. Jo 11, 52.
  5. 64Cf. Lc. 1, 73.
  6. 65Cf. Gn 22, 17-18; Rm 8, 32; Jo 3, 16.
  7. 66Cf. Ef 1, 13-14; Gl 3, 14.
NAS TEOFANIAS E NA LEI
707

As teofanias (manifestações de Deus) iluminam o caminho da promessa, dos patriarcas a Moisés e de Josué até às visões que inauguram a missão dos grandes profetas. A Tradição cristã sempre reconheceu que, nestas teofanias, o Verbo de Deus Se deixava ver e ouvir, ao mesmo tempo revelado e «velado», na nuvem do Espírito Santo.

708

Esta pedagogia de Deus manifesta-se especialmente no dom da Lei67. A Lei foi dada como um «pedagogo» para conduzir o povo a Cristo68. Mas a sua impotência para salvar o homem, privado da «semelhança» divina e o conhecimento acrescido que ela dá do pecado69 suscitam o desejo do Espírito Santo. Os gemidos dos Salmos são disso testemunho.

Ver também§ 1961–1964§ 122§ 2585

  1. 67Cf. Ex 19-20; Dt 1-11; 29-31.
  2. 68Cf. Gl 3, 24.
  3. 69Cf. Rm 3, 20.
NO REINO E NO EXÍLIO
709

A Lei, sinal da promessa e da Aliança, deveria reger o coração e as instituições do povo nascido da fé de Abraão. «Se ouvirdes realmente a minha voz, se guardardes a minha Aliança [...], sereis para Mim um reino de sacerdotes, uma nação consagrada» (Ex 19, 5-6)70 . Mas depois de David, Israel sucumbe à tentação de se tornar um reino como as outras nações. Ora o Reino, objecto da promessa feita a David71 , será obra do Espírito Santo: pertencerá aos que são pobres segundo o Espírito.

Ver também§ 2579§ 544

  1. 70Cf. 1 Pe 2, 9.
  2. 71Cf. 2 Sm 7: Sl 89; Lc 1, 32-33.
710

O esquecimento da Lei e a infidelidade à Aliança levam à morte: é o Exílio, aparentemente o fracasso das promessas, mas, na realidade, fidelidade misteriosa do Deus salvador e o princípio duma restauração prometida, mas segundo o Espírito. Era preciso que o povo de Deus sofresse esta purificação72. O exílio traz já a sombra da cruz no desígnio de Deus; e o «resto» dos pobres que regressa do Exílio é uma das figuras mais transparentes da Igreja.

  1. 72Cf. Lc 24, 26.
A EXPECTATIVA DO MESSIAS E DO SEU ESPÍRITO
711

«Eis que vou fazer algo de novo» (Is 43, 19): duas linhas proféticas vão ser traçadas, incidindo uma sobre a expectativa do Messias e outra sobre o anúncio dum Espírito novo, convergindo ambas no pequeno «resto», o povo dos pobres73, que aguarda na esperança a «consolação de Israel» e «a libertação de Jerusalém» (Lc 2, 25.38).

Vimos mais atrás como Jesus cumpriu as profecias que Lhe diziam respeito. Limitamo-nos agora àquelas em que aparece mais clara a relação entre o Messias e o seu Espírito.

Ver também§ 64§ 522

  1. 73Cf. Sf 2, 3.
712

Os traços do rosto do Messias esperado começam a aparecer no Livro do Emanuel74 (quando Isaías [...] teve a visão da glória» de Cristo: Jo 12, 41), particularmente em Is 11, 1-2:

«Naquele dia,

sairá um ramo do tronco de Jessé

e um rebento brotará das suas raízes.

Sobre ele repousará o Espírito do Senhor:

espírito de sabedoria e de entendimento,

espírito de conselho e de fortaleza,

espírito de conhecimento e de temor do Senhor».

Ver também§ 439

  1. 74Cf. Is 6-12
713

Os traços do Messias são revelados sobretudo nos cânticos do Servo75. Estes cânticos anunciam o sentido da paixão de Jesus, indicando assim a maneira como Ele derramará o Espírito Santo para dar vida à multidão: não a partir do exterior, mas assumindo a nossa «condição de servo» (Fl 2, 7). Tomando sobre Si a nossa morte, Ele pode comunicar-nos o seu próprio Espírito de vida.

Ver também§ 601

  1. 75Cf. Is 42, 1-9; Mt 12, 18-21: Jo 1, 32-34; e também Is 49, 1-6; Mr 3, 17: Lc 2, 32: e, por fim, Is 50, 4-10 e 52, 13 - 53, 12.
714

É por isso que Cristo inaugura o anúncio da Boa-Nova, apropriando-Se desse passo de Isaías (Lc 4, 18-19)76 :

«O Espírito do Senhor Deus está sobre Mim,

porque o Senhor Me ungiu.

Enviou-Me a anunciar a Boa-Nova aos que sofrem,

para curar os desesperados,

para anunciar a libertação aos exilados

e a liberdade aos prisioneiros,

para proclamar o ano da graça do Senhor».

  1. 76Cf. Is 61, 1-2.
715

Os textos proféticos, respeitantes directamente ao envio do Espírito Santo, são oráculos em que Deus fala ao coração do seu povo na linguagem da promessa, com os acentos do «amor e da fidelidade»77, cujo cumprimento São Pedro proclamará na manhã do Pentecostes78». Segundo estas promessas, nos «últimos tempos» o Espírito do Senhor há-de renovar o coração dos homens, gravando neles uma lei nova; reunirá e reconciliará os povos dispersos e divididos; transformará a primeira criação e Deus habitará nela com os homens, na paz.

Ver também§ 214§ 1965

  1. 77Cf. Ez 11, 19; 36, 25-28; 37, 1-14: Jr 31, 31-34; Jl 3, 1-5.
  2. 78Cf. Act 2, 17-21.
716

O povo dos «pobres»79 , dos humildes e dos mansos, totalmente entregues aos desígnios misteriosos do seu Deus, o povo dos que esperam a justiça, não dos homens mas do Messias, tal é, afinal, a grande obra da missão oculta do Espírito Santo, durante o tempo das promessas, para preparar a vinda de Cristo. É a qualidade do seu coração, purificado e iluminado pelo Espírito, que se exprime nos salmos. Nestes pobres, o Espírito prepara para o Senhor «um povo bem disposto»80.

Ver também§ 368

  1. 79Cf. Sf 2, 3; Sl 22, 27; 34, 3; Is 49, 13; 61. 1; etc.
  2. 80Cf. Lc 1. 17.
IV. O Espírito de Cristo na plenitude do tempo
JOÃO, PRECURSOR, PROFETA E BAPTISTA
717

«Apareceu um homem, enviado por Deus, que tinha o nome de João» (Jo 1, 6). João é «cheio do Espírito Santo já desde o seio materno» (Lc 1, 15)81, pelo próprio Cristo que a Virgem acabava de conceber por obra e graça do Espírito Santo. A « visitação» de Maria a Isabel tornou-se, assim, «visita de Deus ao seu povo»82.

Ver também§ 523

  1. 81Cf. Lc 1, 41.
  2. 82Cf. Lc 1, 68.
718

João é «Elias que devia vir»83. O fogo do Espírito habita nele e fá-lo «correr à frente» (como «precursor») do Senhor que chega. Em João o Precursor, o Espírito Santo acaba de «preparar para o Senhor um povo bem disposto» (Lc 1, 17).

Ver também§ 696

  1. 83Cf. Mt 17, 10-13.
719

João é «mais do que um profeta»84. Nele, o Espírito Santo consuma o «falar pelos profetas». João termina o ciclo dos profetas inaugurado por Elias85. Anuncia como iminente a consolação de Israel; é ele a «voz» do Consolador que vai chegar86. Tal como fará o Espírito da verdade, «ele vem como testemunha, para dar testemunho da Luz» (Jo 1, 7)87. A respeito de João, o Espírito cumpre assim as «indagações dos profetas» e o «desejo» dos anjos88: «Aquele sobre Quem vires o Espírito Santo descer e permanecer, é Ele que baptiza no Espírito Santo. Ora, eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus [...] Eis o Cordeiro de Deus!» (Jo 1, 33-36).

Ver também§ 2684§ 536

  1. 84Cf. Lc 7, 26.
  2. 85Cf. Mt 11, 13-14.
  3. 86Cf. Jo 1, 23; Is 40. 1-3.
  4. 87Cf. Jo 15, 26; 5, 33.
  5. 88Cf. 1 Pe 1, 10-12.
720

Finalmente, com João Baptista, o Espírito Santo inaugura, em prefiguração, aquilo que vai realizar com e em Cristo: restituir ao homem «a semelhança» divina. O baptismo de João era para o arrependimento: o Baptismo na água e no Espírito será um novo nascimento89.

Ver também§ 535

  1. 89Cf. Jo 3, 5.
«ALEGRA-TE, Ó CHEIA DE GRAÇA»
721

Maria, a santíssima Mãe de Deus, sempre virgem, é a obra-prima da missão do Filho e do Espírito na plenitude do tempo. Pela primeira vez no desígnio da salvação e porque o seu Espírito a preparou, o Pai encontra a morada na qual o seu Filho e o seu Espírito podem habitar entre os homens. É neste sentido que a Tradição da Igreja muitas vezes lê, em relação a Maria, os mais belos textos sobre a Sabedoria90: Maria é cantada e apresentada na Liturgia como «o Trono da Sabedoria». Nela começam a manifestar-se as «maravilhas de Deus», que o Espírito vai realizar em Cristo e na Igreja:

Ver também§ 484

  1. 90Cf. Pr 8, 1 – 9, 6; Ecl 24.
722

O Espírito Santo preparou Maria pela sua graça. Convinha que fosse «cheia de graça» a Mãe d'Aquele em Quem «habita corporalmente a plenitude da divindade» (Cl 2, 9). Ela foi, por pura graça, concebida sem pecado, como a mais humilde das criaturas, a mais capaz de acolher o dom inefável do Omnipotente. É a justo título que o anjo Gabriel a saúda como «Filha de Sião»: «Ave» (= «Alegra-te»)91. É a acção de graças de todo o povo de Deus, e portanto da Igreja, que ela faz subir até ao Pai, no Espírito Santo, com o seu cântico92 , quando já portadora, em si, do Filho eterno.

Ver também§ 489§ 2676

  1. 91Cf. Sf 3, 14; Zc 2, 14.
  2. 92Cf. Lc 1, 46-55.
723

Em Maria, o Espírito Santo realiza o desígnio benevolente do Pai. É pelo Espírito Santo que a Virgem concebe e dá à luz o Filho de Deus. A sua virgindade torna-se fecundidade única, pelo poder do Espírito e da fé93.

Ver também§ 485§ 506

  1. 93Cf. Lc 1, 26-38; Rm 4, 18-21; Gl 4, 26-28.
724

Em Maria, o Espírito Santo manifesta o Filho do Pai feito Filho da Virgem. Ela é a sarça ardente da teofania definitiva: cheia do Espírito Santo, mostra o Verbo na humildade da sua carne; e é aos pobres94 e às primícias das nações95 que Ela O dá a conhecer.

Ver também§ 963

  1. 94Cf. Lc 2, 15-19.
  2. 95Cf. Mt 2, 11.
725

Finalmente, por Maria, o Espírito começa a pôr em comunhão com Cristo os homens que são «objecto do amor benevolente de Deus»96; e os humildes são sempre os primeiros a recebé-Lo: os pastores, os magos, Simeão e Ana, os esposos de Caná e os primeiros discípulos.

Ver também§ 208§ 2619

  1. 96Cf. Lc 2, 14.
726

No termo desta missão do Espírito, Maria torna-se a «Mulher», a nova Eva «mãe dos vivos», Mãe do «Cristo total»97. É como tal que Ela está presente com os Doze, «num só coração, assíduos na oração» (Act 1, 14), no alvorecer dos «últimos tempos», que o Espírito vai inaugurar na manhã do Pentecostes, com a manifestação da Igreja.

Ver também§ 494§ 2618

  1. 97Cf. Jo 19, 25-27.
JESUS CRISTO
727

Toda a missão do Filho e do Espírito Santo, na plenitude do tempo, está contida no facto de o Filho ser o ungido do Espírito do Pai, desde a sua Encarnação: Jesus é o Cristo, o Messias.

Todo o segundo capítulo do Símbolo da Fé deve ser lido a esta luz. Toda a obra de Cristo é missão conjunta do Filho e do Espírito Santo. Aqui mencionaremos somente o que se refere à promessa do Espírito Santo feita por Jesus, e à sua doação pelo Senhor glorificado.

Ver também§ 438§ 695§ 536

Por exemplo

Pesquisa em todo o texto do Catecismo · escreva várias palavras para refinar.

navegar abriresc fechar
Bíblia · ed. Ave Maria
Bíblia Sagrada · edição Ave Maria
Código de Direito Canónico
Cân.
Catecismo
§
Definições

Tema

Tamanho de letra

Marcadores

Contactos

Erros, sugestões ou dúvidas: catecismopt@gmail.com

Fontes e créditos

Catecismo — texto oficial · © Libreria Editrice Vaticana · vatican.va

Sagrada Escritura — Bíblia Sagrada, edição Ave Maria

Padres da Igreja, Doutores e Suma Teológica · newadvent.org

S. Josemaría Escrivá · escriva.org

Concílios e documentos papais · Santa Sé · vatican.va

Remissões marginais («Ver também») — os números que a edição típica do Catecismo põe à margem de cada parágrafo, a apontar para outros parágrafos sobre o mesmo tema. O vatican.va não os publica; vêm da transcrição da paróquia de St. Charles Borromeo (só números, sem texto).

Curso de doutrina católica em 10 sessões — aulas do Pe. Miguel Cabral · Oratório de São Josemaria
Vídeo e áudio pertencem ao Oratório; aqui só se liga a cada aula e se juntam as perguntas do Compêndio e os parágrafos do Catecismo.

Índice analítico e índice litúrgico · catecismo.net
Do catecismo.net vêm só os índices: que parágrafos correspondem a cada termo e a cada dia litúrgico. O texto é sempre o do vatican.va.

Política de privacidade
Sem contas, sem cookies, sem rastreio. O que guardas fica no teu dispositivo.

Outros projectos

O texto do Catecismo, a Sagrada Escritura e as citações são os oficiais, copiados da fonte e conferidos um a um. Nada é inventado. Em alguns parágrafos há uma ajuda «Em palavras simples»: é uma explicação nossa, sempre assinalada como tal, por baixo do texto oficial.

Não recolhemos nada sobre ti. Não há conta, nem registo, nem cookies, nem estatísticas, nem publicidade. Os marcadores e as notas ficam guardados só neste aparelho. A única ligação externa é o pedido das leituras do dia a um serviço público de liturgia; como qualquer sítio na internet, esse serviço vê o teu endereço IP. Se falhar, o cartão simplesmente não aparece.

Projecto sem fins lucrativos, de uso educacional.